segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Quando o melhor é ficar em silêncio

Quando o melhor é ficar em silêncio.
Easy Silence
When words hide silence, listen to silence and not to words.
Easy words are the silence of companionship.
Easy silence speaks well of togetherness.

The Tao of Relationships

Silêncio quer dizer interrupção do ruído. Mas não é isso que ocorre dentro de nós quando nos calamos. Se nos silenciarmos e fecharmos os olhos para escutar a mente, poderemos nos surpreender ao perceber o quanto estamos preso ao círculo vicioso as nossas lamúrias internas – repetimos ininterruptamente o que já estamos cansados de nos dizer. E, como estamos viciados em nos comunicar através das palavras, é muito difícil parar de dizer a si mesmo o que não se quer mais ouvir.

No silêncio, escutamos os segredos que escondemos de nós mesmos. às vezes, parece que temos medo do silêncio, como a criança tem medo do escuro. Temos que ter coragem para escutar nossos ruídos internos, pois eles revelam nosso passado, presente e futuro.
O silêncio favorece a introspecção, uma imersão em nós mesmos que dá acesso a algo que está muito além das palavras, algo que não pode ser facilmente expressado porque é da ordem de sentir.

Quando mergulhamos em nosso silêncio interno, permitimos nos dizer e ouvir o que até então não nos permitíamos sequer pensar. Por isso, é melhor ficar em silêncio antes de expressar ao mundo decisões importantes.

O silêncio tem essa característica: permite que a gente observe o que ocorre à nossa volta com mais atenção. Quando não nos sentimos obrigados a falar e atuar, quando nos permitimos calar, terminamos por perceber melhor o que os outros tem a dizer ou expressar. Lidamos com aquilo que se expressa além das palavras. Saímos do automatismo das reações ou da obrigação de responder e reagir aos estímulos, e só assim podemos “pensar” antes de agir.

Algumas vezes, frente a situações de conflito, nos encontramos impedidos de nos expressar. As pessoas envolvidas no conflito simplesmente nã querem nos ouvir ou podem até mesmo estar ausentes fisicamente. Nessas ocasiões, calar-se pode ser a atitude mais eficaz. Desse modo, o silêncio torna-se uma voz ativa. Podemos nã agir, mas continuar emanando a energia de nossa verdade, sendo coerentes com nossos princípios. O silêncio pode ser uma forma de protesto.
O silêncio pode ser também uma maneira positiva de confrontar o oponente sem discutir ou brigar. Numa situação de conflito, ele pode ser o modo de criar o espaçõ necessáio para que as coisas possam ser ditas.

Quando buscamos o silêncio, estamos intuitivamente buscando acalmar nossa mente, isto é, sabemos que precisamos nos serenar para encontrar harmonia e pensar melhor.
Assim, o silêncio pode ser um sinal de que estamos buscando um tempo de paz em que a nossa mente possa estar suficientemente livre para que a verdadeira comunicação possa fluir. Em outras palavras, ficamos em silêncio porque intuitivamente sabemos que há momentos em que é preciso se calar.

O silêncio é o primeiro passo para descansarmos nossa mente da pressão dos preconceitos e do hábito da dúvida. O silêncio nos ajuda a resgatar a espontaneidade de nossos sentimentos mais profundos. Quando duvidamos de nossas prórias experiências emocionais será o silêncio que nos ajudará a nos sintonizar com a verdade de nosso coração.
Estamos viciados em olhar para fora. Queremos sempre saber a opinião dos outros sobre tudo, principalmente sobre nós.

Mais uma vez, fique em silêncio e veja o que acontece. No início, não sabemos ficar simplesmente a sós conosco, mas, aos poucos, aprendemos a não nos abandonar. Nunca é tarde para aprender a estar consigo mesmo.

Mas para apreciar o silêncio interno, temos que apreciar, de fato, o contato íntimo com nosso mundo interior: aprender a nos fundirmos com os sentimentos que surgem em nossa mente, como a tristeza ou a raiva.

“Escondidos dentro de nós, estão não só os nossos medos e confusões, mas também as nossas aspirações e sentimentos mais profundos” (1) escreve o mestre budista Tarthang Tulku.
Devemos entender que nenhuma emoção é errada ou precisa ser negada. É preciso aceitar toda e qualquer emoção, principalmente se quisermos nos separar dela. Pois é somente ao aceitar uma emoção que ela se dissolve. Esse é o modo mais eficaz de deixar de “conversar” com nossos pensamentos repetitivos. Se pararmos de lutar com nosso diálogo interior, ele irá aos poucos, se calar. Desta forma, ficar em silêncio aquieta a respiração e desacelera a mente.

(1) Tarthang Tulku, Conhecimento da Liberdade, Ed. Instituto Nyingma do Brasil, p 200.

Texto extraído do Livro das Emoções, Bel Cesar, Ed Gaia
Bel Cesar é psicóloga clínica com formação em musicoterapia no Instituto Orff em Salzburgo, Áustria – Pratica a psicoterapia sob a perspectiva do Budismo Tibetano – Presidiu o Centro de Dharma da Paz Shi De Choe Tsog, em São Paulo, por 16 anos tornando-se presidente honorária em 2004.

Um comentário:

Rennatha Lins disse...

A FOTO

Preste atenção na foto.
Sinta!
Um anjo com asas está totalmente equilibrado em cima - podemos dizer - pilastra; alta, estreita e lisa.
Por que ele está em um lugar escuro?
Porque ele está na solidão e no mais profundo silêncio, porém, a luz que desce do alto, ilumina-o por completo.
Nada, ninguém, energia negativa alguma conseguirá tocá-lo. Ele encontrou a paz dentro da alma; a tranquilidade mental e a certeza da proteção positiva criada e construída dentro dele.
É o ápice do amor.
As asas do anjo é para mantê-lo em segurança. Se o vento bater mais forte, balance as asas e jamais cairá.
Se olhar para baixo e se assustar por ter neblina impossibilitando a visibilidade do chão, não tenha medo! Lembre-se que a luz te segue.
Se você conseguir iluminar o teu silêncio, nada o derrubara.
Mas, se caiu na neblina e está com medo do desconhecido, então, entre mais profundamente dentro de si, ficou faltando algo para ser entendido. E não esqueça de olhar para os lados, existem várias pilastras com degraus para que possas subir novamente, e com firmeza erga-se, sinta o calor e o conforto da luz que dos Céus regozijará todo o teu corpo, e estará ali, sempre a te esperar.