terça-feira, 1 de dezembro de 2009

The Lovebirds

The Lovebirds





Parabéns meu amor. Que este novo ciclo seja de bonança, fartura e felicidades. Que a saúde e a paz possam estar presentes em todos os seus dias. Beijos, te amo. Kadu

Tudo Passa

Hoje é meu aniversário, e minha filha mais uma vez fez emergir de meu coração, através de meus olhos, espelhos de minha'lma lágrimas profundas me trazendo a tona uma verdade absoluta onde, na vida, tudo passa.

Ver seu crescimento espiritual é um presente dos anjos, uma verdadeira benção, tenho muito orgulho de você minha querida e amada filha.

Obrigada pelo lindo texto, posto com imento prazer de poder compartilhar com todos essa mensagem de Fé e esperança !

Certamente, você já deve ter passado por dias difíceis, onde os passos, antes ligeiros, se fazem contados, e onde o cenho pesado descreve as paisagens do coração.

Nesses dias, tem-se a impressão de que o ar se mostra pesado e cortante, que o céu é menos azul e que o riso e a espontaneidade desapareceram de nós mesmos.

São dias de desafios, que ocorrem com qualquer um de nós, nos oferecendo o aprendizado e o entendimento que a vida é escola a oferecer inúmeras lições.

Algumas vezes esses dias nascem das dificuldades financeiras, onde o dinheiro parece minguar, até mesmo para as contas mais básicas da manutenção da família.

Doutra feita, os dias sombrios surgem lentamente, no dia-a-dia...

Não raro, são as pequenas tarefas comezinhas, que vão, qual picadas de agulha, pouco a pouco, minando nossa disposição e esforço por bem conduzir a vida.
Conta-se que o Apóstolo da Caridade, Francisco Cândido Xavier, o nosso Chico Xavier, estava passando por uma fase muito dura em sua vida.

Um dia, em que as dores se mostravam mais profundas, recorreu Chico Xavier ao seu mentor espiritual, Emmanuel, a fim de fazer-lhe uma solicitação.
Rogou Chico se Emmanuel poderia fazer um pedido, solicitar um conselho a Maria Santíssima, a mãe de Jesus.

Emmanuel lhe respondeu que iria encaminhar sua solicitação. Passados alguns dias, retorna o Espírito venerável com a resposta de Maria, mãe de Jesus.
Chico, diz Emmanuel, Maria manda lhe dizer o seguinte: “Tudo passa”. E o sábio médium acolhe aquelas palavras curtas entendendo o seu significado. Afinal, tudo passa.

Assim acontece conosco. As borrascas da vida são desafios para o desenvolver das virtudes. Elas nos exigem ora a paciência, ora a compreensão, tantas vezes nos convidam a cultivar a fé..

No momento da dificuldade, quando as dores parecem intensas, quando as forças parecem se esvair, e quando temos a certeza que iremos sucumbir, há que se lembrar do conselho de Maria Santíssima: Tudo passa.

Dores e tormentos são lições para a alma que, ao bem conduzi-las, passa a compreender melhor as Leis de Deus, os desígnios da vida, amadurecendo seus valores.

Por mais intensos sejam os desafios de hoje, amanhã estes mesmos se transformarão em em lembranças na mente e valores perenes no coração.


Juliana Carolina

sábado, 28 de novembro de 2009

Reflexão - Carlos Drummond de Andrade


Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que real mente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situaçãoe saber o que fazer.
Ou ter coragem pra fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é dizer "oi" ou "como vai?" Difícil é dizer "adeus".
Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama.

Fácil é ditar regras.
Difícil é segui-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

Fácil é dar um beijo.

Difícil é entregar a alma.
Sinceramente, por inteiro.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro .

Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado.

Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata".


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Frustração (...há muito tempo atrás...)




Por Bel Bezerra


Já sentiu vontade de morar sozinha sem ninguem? De poder ter todas as suas coisas como vc as quer no lugar que vc quer e que com certeza vai encontrar qdo chegar em casa do jeito que vc deixou?

Já sentiu vontade de ter seus lençóis limpos e cheirosos com uma cama bem feita e bonita cheia de almofadas macias..arrumado?

De abrir sua gaveta e encontrar seus pertences arrumados...sabe aquelas manias que temos ? Pois é , e que ninguem respeita?

Já sentiu vontade de escrever mas não poder pq vai ter gente sempre olhando, metendo os olhos onde vc não quer? Não por ter algo mas por ser seu?

Já sentiu vontade de ter seu espaço e qdo vc o vê, nota que está uma zona pq alguem o invadiu e nao te respeitou?

Já teve vontade de chutar a tina mas não pode pq vc tem responsabilidades?

Já sentiu vontade de querer fazer algo mas estar tão cansado e ninguem se importar que vc tenha deixado de fazer pq teve que fazer outras coisas para terceiros? E ainda ao chegar ver todos com a cara mais descansada e ainda se dando ao luxo de reclamar?

Já chegou em casa e no mesmo instante vontade de dar meia volta e sumir? Já teve vontade de chegar numa cozinha e quebrar tudo que encontrar pela frente? Já sentiu vontade de gritar até ficar rouco para ver se consegue por para fora o que está te sufocando ou o que está te embrulhando o estomago?

Já sentiu vontade de sentar-se em um sofá confortavelmente e ficar escutando um clássico sem ninguem para desligar por querer ver tv?


Já teve vontade de sair e passar o dia fora e ao retornar ver que tudo está nos seus lugares?
Já teve vontade de após um relaxante banho, isto qdo vc o encontra "entrável", deitar para ler um bom livro e ter o prazer de adormecer sem acordar assustado por invadirem seu quarto aos trancos?

Já teve momentos em que vc já se cansou de repetir sempre as mesmas coisas e ninguem de dar atenção pq na verdade nada do que vc diz ou quer ou faça lhes incomoda e sim somente a vc?

Já sentiu vontade de fechar os olhos e não ver tudo que te magoa e mesmo que te incomoda? Dos valores e cuidados que só vc tem e ninguem dá a minima? Da falta de união, da falta de companheirismo, de solidariedade, da cumplicidade, do afeto..do respeito.....

Já sentiu falta daquele beijo que aviva a alma e aquece o espírito? Daquele abraço, daquele carinho sem hora marcada?


Pois por tudo isso que quem vive a nossa volta não enxerga ou que não quer ver o quanto nos atropelam, nos machucam, nos agridem e nos desrespeitam transgredindo nossos limites.


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Escritos e Parábolas para a Paz


Invoquem a paz sobre Jerusalém

que sejam pacíficos aqueles que te amam

que a paz venha para os teus muros

que sejam pacíficas tuas casas

pelo amor dos meus irmãos, dos meus amigos

deixe-me dizer, paz sobre ti

por amor da casa de YHWH

“Aquele que era, que é e que vem”,

oro pela tua felicidade!” (Salmo 122)


Qual é esta paz que “aqueles que amam” invocam sobre Jerusalém e sobre o mundo?

Que eles próprios sejam pacíficos, essa é sem dúvida a primeira condição para que se realize, já no seu próprio corpo e no seu próprio espírito, a paz que eles desejam a todos.

A palavra hebraica “Shalom” deriva de uma raiz que designa o fato de estar intacto, inteiro; estar em paz é estar “inteiro”, nós não estamos em paz porque não estamos inteiramente aqui... Qual é a parte de nós mesmos que nos falta, que está esquecida ou reprimida – o que nos impede de estarmos em paz?

Perceberemos que quando somos amorosos, somos mais “inteiros”, o amor nos une, nada mais nos falta em nós mesmos, tudo está “voltado para” o Outro.

O mandamento ou o exercício (mitzvot) proposto pela Escritura é um exercício terapêutico, cujo fruto é o de nos fazer “Um”, corpo, coração e espírito, portanto, estarmos felizes e em paz:

“Tu amarás “Aquele que era, que É e que será” de todas as tuas forças, de todo teu coração, de todo teu espírito e tu amarás teu próximo, aquele que era, que é e que será como a ti mesmo, tal qual tu eras, tu és e tu te tornarás...”

A paz abrange todos os tempos. Será que podemos estar em paz com o nosso presente, se não o estivermos com o nosso passado? Será que podemos estar em paz com “aquilo que será”, com “aquilo que virá” se não estivermos em paz com o nosso presente?

A paz designa “o bem-estar do ser” e particularmente do ser humano que vive em harmonia com ele mesmo, com Deus, com os outros, com a natureza, suas sombras e sua luz... Na Bíblia, “estar em boa saúde” e “estar em paz” são duas expressões paralelas; para perguntar como vai alguém; se ele está bem, dizemos: “ele está em paz?”.

Dizemos que Abraão morreu numa idade avançada, feliz e saciado de dias, que “ele se foi em paz”. Também dizemos do nosso namorado que ele é “o homem da minha paz”. A paz é, então, uma confiança mútua, que torna possível a vida em comum e a fraternidade; sem esta paz e esta confiança entre nós, não há comunidade humana ou futuro possível.

Todos os bens materiais, afetivos, intelectuais e espirituais que nós podemos nos desejar uns aos outros estão resumidos nesta simples palavra: Shalom, Salam (em árabe), Bom dia – a paz esteja contigo, em ti e entre nós...

Quando Jesus diz a alguém no Evangelho “Shalom”, é realmente uma “saudação”, uma “salvação”[1], uma cura. Quando ele diz à mulher hemorroíssa: “Vá em paz”, ele lhe devolve a saúde. Da mesma maneira àqueles que se afastaram de diversas maneiras, quando ele lhes diz: “Vá em paz”, eles têm o coração, o corpo e o espírito lavados da sua culpa, eles podem realmente se recolocar a caminho e ver “todas as coisas novas”.

Mas Jesus precisa que a “Sua paz, Ele não a dá como o mundo a dá”. Ela não é um tranqüilizante, um sedativo, que livraria os humanos das provações e das contradições do Real.

Jesus inscreve-se assim na linhagem dos antigos profetas que denunciam “as falsas pazes” e as falsas seguranças que são buscadas em outro lugar e não n’ “Aquele que era, que é e que será”, seu fundamento – aí estão as pazes ilusórias e mentirosas e ele vem nos libertar das nossas ilusões e das nossas mentiras.

Estar em paz é não ser parvo e acreditar-se invulnerável. O Dom da paz supõe uma metanóia, uma transformação da sua vida e da sua maneira de ser e de pensar; Miquéias, Jeremias denunciava assim os falsos profetas que têm apenas a palavra “paz” na sua boca e a ambição e outras vontades de poder no coração: “Eles curam superficialmente a chaga do meu povo dizendo “Paz, Paz” e, no entanto, não existe paz”. (Jr 6, 14)

Jesus será ainda mais radical quando ele dirá: “Penseis que vim trazer a paz sobre a terra? Não, mas o conflito. (polémos, em grego)” Isso quer dizer que se não reconhecermos nossas alteridades, e esse reconhecimento passa às vezes pelo conflito, não há paz verdadeira (particularmente no seio de uma mesma família onde a diferenciação, do pai e do filho, da mãe e da filha é por vezes difícil). A paz não nos deixa tranqüilos, pois se quisermos “permanecer inteiros” e verdadeiros, face ao outro e respeitá-lo na sua inteireza e na sua verdade, isso nem sempre acontece sem que haja um enfrentamento, é preciso amar o outro o suficiente para não ter medo de desagradá-lo e nos amar o suficiente para nos fazer respeitar na nossa identidade. Se o verdadeiro amor é sem complacência, a paz verdadeira é sem compromisso.

Ezequiel também não deixará de gritar: “Chega de remendos! O muro deve tombar” (Ez 13), mas quando os muros do medo, da vaidade, da ilusão e das mentiras desabarem, uma verdadeira paz será edificada.

Eu sei, eu, “Aquele que era, que é e que será”, que tenho sobre vós um desígnio de paz e não de infelicidade” (Jo 29, 11). Isaías e Zacarias sonham com o “príncipe da paz” (Is 9, 5 /Za 9, 95) que dará uma “paz sem fim”, “é ele que estará em paz” (Mi 5, 4), as duas terras separadas se reconciliarão, as nações viverão em paz (Is 2, 2).

“Farei correr sobre Jerusalém como um rio...” Enquanto aguardamos, “Bem-aventurados os “artesãos” da paz”. A paz é um “artesanato” e não uma indústria. A diferença entre o artesão e o operário é que o artesão realiza um objeto, uma obra na sua “inteireza”, ele trabalha nela do início ao fim. Aquilo que se rouba do operário que trabalha na produção em cadeia é o acesso ao objeto na sua inteireza.

Assim, ser “artesão” da paz é tentar viver, nem que seja apenas uma única relação na sua inteireza, da maneira mais verdadeira e pacífica que possa existir.

Jesus pede que façamos a paz, que amemos o próximo, o mais próximo e não que façamos a paz e amemos “a humanidade”, “o mundo”. A palavra “paz”, os discursos sobre a paz não fazem de nós “artesãos da paz”, mas ideólogos, discursistas, pretensiosos pretendentes à paz, “mas a paz não existe...”

A questão, então, para aquele que, em Jerusalém ou em qualquer outro lugar, queira conhecer a felicidade dos artesãos da paz, não é mais: “O que é a paz?”,mas: “Quem é o meu próximo?”. Basta, então, termos olhos e “vermos” qual relação muito concreta devemos “apaziguar”, compreender e “reconciliar”... Isso começa, sem dúvida, em nós mesmos. Enquanto não tivermos feito a paz entre nossos diferentes quarteirões (cabeça – coração – ventre), não haverá paz entre os diferentes quarteirões de Jerusalém.

Encontre a paz interior” dizia São Serafim de Sarov, “e uma multidão será salva ao teu lado.”

É sempre pelo mais próximo que devemos começar, é o primeiro passo de todos os caminhos que conduzem à paz.

Nunca vou muito longe

Para encontrar a paz

Basta uma flor no meu jardim

Ela não me coloca questões

Ela não me pergunta por quê

Todos os homens que têm uma flor no seu jardim

Não olham a flor

E não estão em paz

* * *

A calma das árvores queimadas pelo sol

ou arrancadas pelo homem é sempre calma

a calma das árvores sacudidas pela tempestade surpreende:

uma floresta de calma

Essa calma é também a do homem

é até mesmo o segredo da sua vida

mas só vemos as tempestades

o sol e o vento

só ouvimos o barulho que ele faz

jamais o silêncio que ele é

ninguém consegue imaginar o que seria uma cidade

se ela fosse habitada por homens que são o que eles são:

uma floresta de calma



Phot Jean-Yves Leloup Jean-Yves Leloup, doutor em Psicologia, Filosofia e Teologia, escritor, conferencista, dominicano e depois padre ortodoxo, oferece através dos seus livros, conferências e seminários um aprofundamento dos textos sagrados, assim como uma abordagem e uma reflexão extremamente ricas sobre a espiritualidade no quotidiano graças à uma formação pluridisciplinar de rara complementaridade. Membro da organização das Tradições Unidas, doutor honoris causa e ciências da Universidade de Colombo (Sri Lanka), Jean-Yves Leloup ensina na Europa, nos Estados Unidos e na América do Sul em diferentes universidades e institutos de pesquisa em antropologia fundamental. É autor de mais de cinqüenta obras, além de ter comentado e traduzido os evangelhos de Tomé, Maria de Magdala, Felipe e João. Ele participa igualmente de vários encontros entre as diversas tradições.


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A Magia do Amor

Forever....




Meu amor esta foto e os dizeres desta frase são a síntese do que você é para mim.

Te amo, Kadu


"I could search forever and never be able to express how much you mean to me."


"Eu poderia procurar para sempre e nunca ser capaz de expressar o quanto você significa para mim."




quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Dor


Por Bel Bezerra


Pedaço que se vai, alçando vôo para alcançar o reino do céu em busca da verdade, esta que só um coração a guarda.

Dor da perda que corroe novamente minha alma, já tão desgastada pelo tempo, de uma dor tão profunda que me abala os sentidos e me prosto sem ação, apenas me sinto mergulhar em um infinito breu, como a me afogar e ver a luz cada vez mais distante.

Lágrimas rolam pelo meu espirito camufladas pelo silêncio da dor, escuto o descompassar de um coração magoado, sozinho em sua individualidade, fechado tendo a angustia como sua companheira.

Somos fragmentos de nós mesmos, do que nos tornamos e do que nos deixamos tornar...sou culpada por sentir demais, por permitir demais.

Fechada em pensamentos me recolho e me abandono na solidão.



terça-feira, 15 de setembro de 2009

Poemas




O poema traz as lembranças
Dos muros que carrego nas mãos
Traça a fronteira do dito e o não dito
Separa a espuma da cerveja
O poema me coloca no topo da palavra

Com o sabor da maça no céu da boca
Deixo o cair das horas com a vergonha exposta
O poema é a tua boca em chama
Na espuma flutuante das ondas
Das águas quentes dos meus olhos

Meu corpo chora à margem do poema
Sujo do descaso das mãos embriagadas
Roça na alma, impregna na pele
A sede do poema leve,
Do poema terra, do poema fome
Do poema que me come.

O poema são todos os sentidos,
Que correm do corpo para os dedos
Até o papel fresco e branco
E derrama leve grito, fortes suspiros
Em sustenido encanto, por entre matas verdes,
Quartos fechados, ou braços em abandonos.





Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,

Sou a irmã do Sonho, e desta sorte

Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...

Sou a que chamam triste sem o ser...

Sou a que chora sem saber por quê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,

Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!






No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!
A sombra entre a mentira e a verdade...
A núvem que arrastou o vento norte... Meu corpo!
Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!
Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!
E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças...







O nosso amor morreu... Quem o diria?
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!

Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...

Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos pra partir.

E bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
De que outro amor impossível que há-de vir!







Nesse país de lenda, que me encanta,
Ficaram meus brocados, que despi,
E as jóias que p´las aias reparti
Como outras rosas de Rainha Santa!

Tanta opala que eu tinha! Tanta, tanta!
Foi por lá que as semeei e que as perdi…
Mostrem-me esse País onde eu nasci!
Mostrem-me o reino de que eu sou infanta!

Ó meu país de sonho e de ansiedade,
Não sei se esta quimera que me assombra,
É feita de mentira ou de verdade!

Quero voltar! Não sei por onde vim…
Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!




Florbela Espanca foi uma mulher triste e infeliz, talvez mesmo incompreendida para a sua época; nem os seus belos, mas tristes poemas, carregados de sentimento, evitaram a sua trágica morte ( suicídio); Não foi a Florbela uma alma suficientemente forte para suportar sozinha tanta solidão...
Seus poemas nos transportam para agudeza das palavras e do amor, sôfrego e passional, mas de uma beleza intensa q nos devora a alma, q nos faz sentir q corre o sangue da vida em nossas veias.



sábado, 12 de setembro de 2009

Auto-estima


Buscar felicidade, quando estamos no estágio humano, é o que todos queremos.

Nossa ignorância sobre o real significado de uma encarnação nos coloca nesta posição. Só buscar felicidade acaba nos colocando em uma situação equivocada quanto ao significado de viver uma vida plenamente feliz. Portanto, não é errado pensar assim quando estamos em um estágio de absoluto desconhecimento do que efetivamente significa ser feliz.

Ela, uma vida terrena, é um presente para a essência. Até cumprirmos todo o Zodíaco só evoluímos enquanto encarnados. A Terra é o útero do Universo.

Não é por um acaso que o momento atual se chama PRESENTE. Ele, o momento presente, serve para que consigamos nos superar, para que tenhamos consciência de que a vida é Causa e Efeito, para que saibamos respeitar o Livre-Arbítrio de nosso irmão, para que não julguemos, não roubemos e não matemos.

Pronto, está dada a receita... Mas o mais difícil é fazer isso, viver de forma correta. A cada segundo, somos testados para verificar se já aprendemos a lição. As dificuldades têm esta finalidade. São testes de conhecimento e sabedoria.

Há várias formas de se matar e não nos damos conta disso. Quando me deparei com esta verdade pensei: fácil... jamais vou matar uma pessoa! Portanto, esta afirmação é simples de ser acatada.

Meu Mestre ND me mostrou que as coisas não são bem assim...

O real significado da afirmação "Não Matar" é pura ignorância minha. É óbvio que não se deve matar um ser humano. Mas... podemos matar um animal? Não, não podemos. Podemos "matar" a iniciativa de uma pessoa? Não, não podemos. Podemos "matar" uma planta? Não, não podemos. Pense nisso e irá perceber quantas atitudes e seres não podem ser "matados" por nós.
Podemos e devemos matar insetos, ervas daninhas, peixes, por exemplo. Estes não possuem essência.

Enfim, o objeto deste texto é Auto-Estima. Apenas demos um pequeno exemplo dos valores que compõem uma vida para mostrarmos que a nossa Auto-Estima está ligada aos nossos valores e é com eles que iremos aprender. Portanto, nossa Auto-Estima está intimamente relacionada ao que pensamos e ao que consequentemente colhemos por conta de nossas atitudes.

A base é simples. Não se consegue elevar a Auto-Estima de uma pessoa dando presentes. Não se consegue elevar a Auto-Estima de uma pessoa proporcionando viagens de recreio. Não se consegue elevar a Auto-Estima de uma pessoa adestrando-a. É preciso passar ensinamento e mostrar valores.

Tudo o que se toca, neste aspecto chamado Auto-Estima, é efêmero. Passada a sensação momentânea de alegria, tudo volta a ser como era antes. O Vazio da alma não consegue ser preenchido com coisas sem valor sentimental. Começamos a ser verdadeiramente conhecedores de nossas verdades quando a nossa felicidade brota de dentro para fora. Uma boa semente só germina em solo fértil. O nosso solo fértil está em nossos valores.

Se não sabemos para onde vamos, qualquer caminho pode ser tomado. Recomendo que cada um faça uma avaliação dos seus valores e assim comece a entender que uma vida é um presente para a nossa evolução interior. As coisas materiais são importantíssimas, mas jamais fundamentais. Elas sempre dão uma falsa sensação de prazer, mas, sinceramente, a vida é outra coisa.

Quanto terminei minha Palestra em Toledo - (PR), na semana passada, encontrei uma moça chorando, sentada na escada de acesso ao Teatro Municipal. A palestra tinha mexido muito com os sentimentos dela. Reconheço que a palestra foi muito forte e que peguei pesado...

Também sentei na escada, falei com ela e após conhecer seu problema, ela finalizou dizendo:
- Estou pensando em ir embora de Toledo...
Disse-lhe em resposta:
- Acho que não vai dar certo, porque você vai levar você consigo... Seu problema não é a cidade. Seu problema é você. Há que fazer uma faxina nos valores que não lhe servem. Só depois disso poderá saber o que realmente você quer e precisa para aprender a viver...

Daqui para frente cabe a ela resolver os seus problemas. Apenas lhe passei o começo do caminho. Cabe a ela decidir o que fazer com a sua vida...

Portanto, primeiro temos que nos posicionar frente ao Universo e descobrirmos qual a nossa missão aqui neste espaço. Sem isso, qualquer valor carece de fundamento básico.

Sem esta análise, a nossa Auto-Estima pode ficar prejudicada em cada segundo do nosso dia.

Neste texto, demos um pequeno exemplo do real significado da afirmação Não Matar... Matar uma idéia também é crime... Matar uma iniciativa também é crime... Nós é que saldaremos os nossos crimes perpetrados com cobranças e retornos...

Viu, como é fácil ser feliz com muito pouco dinheiro no bolso? Basta saber o que estamos fazendo aqui neste planeta e lembrarmos que DELE, NADA LEVAREMOS, a não ser a experiência de nossos atos no dia-a-dia. Por isso, o momento atual se chama PRESENTE.




Saul Brandalise Jr. é colaborador do Site, autor do livro: O Despertar da Consciência da editora Theus, onde mostra através das narrativas de suas experiências como extrair lições de vida e entusiasmo de cada obstáculo que se encontra ao longo de uma vida.




domingo, 6 de setembro de 2009

Viver Despenteia


Filho é algo que nos surpreende quando menos esperamos, outro dia recebi uma ligação de minha filha Juliana e ela muito eufórica me disse que precisava muito ler algo para mim que eu certamente iria adorar e que achava que era a minha cara.

Acreditem vocês, naquele momento, como se ela adivinhasse, era tudo o que eu precisava ouvir.

À minha querida e amada filha, aqui fica registrado o meu muito obrigado por encher meu coração de luz e amor nas horas em que eu mais preciso !

Portanto, compartilhando com vocês, deliciem-se com "Viver Despenteia" autor desconhecido.


"Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie, por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade…

O mundo é louco, definitivamente louco…
O que é gostoso, engorda. O que é lindo, custa caro. O sol que ilumina o teu rosto, enruga. E o que é realmente bom dessa vida, despenteia…

- Fazer amor, despenteia.

- Rir às gargalhadas, despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia.
- Tirar a roupa, despenteia.
- Beijar à pessoa amada, despenteia.
- Brincar, despenteia.
- Dançar até duvidar se foi boa idéia colocar aqueles saltos gigantes essa noite, deixa seu cabelo irreconhecível…


Então cada vez que nos encontrarmos, estarei com o cabelo bagunçado… mas pode ter certeza que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida. É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir.

Pode ser que eu até me sinta tentada a ser uma mulher...
...impecável, toda arrumada, por dentro e por fora. Pois o aviso das páginas amarelas deste mundo exige uma boa presença:Arrume o cabelo; compre; corra; emagreça; coma coisas saudáveis; caminhe direito; fique séria… e talvez deveria seguir as instruções..

Mas quando vão me dar a ordem de ser feliz???
Por acaso não se dão conta de que para ficar bonita eu tenho que me sentir bonita… A pessoa mais bonita que posso ser! O que realmente importa é que ao me olhar no espelho, veja a mulher que devo ser.

Por isso, minha recomendação a todas as mulheres:
Entregue-se! Coma coisas gostosas. Beije. Abrace. Dance. Apaixone-se. Relaxe. Viaje. Pule. Corra. Voe. Cante. Arrume-se para ficar linda. Arrume-se para ficar confortável! Admire a paisagem. Aproveite.

E acima de tudo. Deixe a vida te despentear!!!!
O pior que pode acontecer é que, rindo frente ao espelho, você precise se pentear de novo..."


sábado, 25 de julho de 2009

Tolerância

Tolérance n'est pas quittance, que poderíamos traduzir por: ”Tolerância não é liberdade total...”.

Numa pequena cidade do interior, um deficiente físico, sem pernas, perambulava pela cidade com auxílio das duas mãos e o apoio do tronco. Durante anos, no seu trajeto, era debochado por um homem que dizia: -Vai gastar o ... Um dia ele perdeu a paciência e matou o homem importunador. Na justiça, o aleijado foi duramente atacado, e tido como assassino cruel. O advogado, ao iniciar a defesa, falou durante dez minutos elogiando a qualidade de cada membro do júri, até que o juiz interrompeu: -Se o senhor não iniciar a defesa, não permitirei que prossiga. Sabiamente, o advogado respondeu: - Meritíssimo, se o senhor não aguentou dez minutos de elogios, imagine a situação do réu que suportou anos de insultos....Nestes casos, pode valer o provérbio: “Não seja intolerante a menos que você se confronte com a intolerância.”

Tolerância é o respeito, a aceitação e o apreço da riqueza e da diversidade das culturas de nosso mundo, de nossos modos de expressão e de nossas maneiras de exprimir nossa qualidade de seres humanos. É favorecida pelo conhecimento, da abertura de espírito, da comunicação e da liberdade de pensamento, de consciência e de crença. A tolerância é a harmonia na diferença. A tolerância é uma virtude que torna a paz possível e contribui para substituir uma cultura de guerra por uma cultura de paz.

A tolerância é o sustentáculo dos direitos humanos. Implica a rejeição do dogmatismo (dogmatismo é toda doutrina que afirma a capacidade do homem de atingir a verdade absoluta e indiscutível) e do absolutismo (é uma teoria política que defende que uma pessoa (em geral, um monarca) deve deter um poder absoluto,) e fortalece as normas relativas aos direitos humanos.

Tudo que é “perfeito” tem limites impostos pelo seu próprio ser ou estado de “perfeição”: um ser que manifeste as suas qualidades não o pode fazer sempre em todos os aspectos, isto é limite e não incompetência.

O homem é um ser social e possui uma individualidade. Não é perfeito, e portanto, sob diversos aspectos, limitado. Precisa viver consigo mesmo e com os outros, porém, as leis pessoais não são as mesmas que as sociais. Pelo valor que é a individualidade, alguns homens são melhores em certos aspectos; outros, em outros, e assim a sociedade se completa e a vida social é possível. Assim somos nós, com nossa individualidade, nos completamos.

Mas a moeda tem outra face e o fato das pessoas diferirem em tantos aspectos pode gerar atritos de valores. Os limites das pessoas também são diferentes. Neste ponto começa o limite entre o pessoal e o social.

Existem situações que podem ser ignoradas, passíveis de serem aceitas, em prol da sociedade, do bem comum. Mas o limite não é fixo, pode variar muito: toleramos algo numa manhã, mas se o mesmo assunto for apresentado à noite..., passa dos limites. Quereríamos que este limite fosse mais elástico, e de certo modo o é. O limite da tolerância tem por um lado à manutenção da individualidade e por outro a inclusão do individual no social. Se isto não ocorrer, alguns perdem sua individualidade e outros são excluídos e preferem se isolar do convívio social.

Nossas limitações são patentes. Não somos o que queremos, não fazemos tudo que sonhamos, não temos o dom de estar onde desejamos. Dentro destes limites é que nos movemos.

Conhecer os limites pessoais e os dos outros – pois somos seres que não se repetem – é uma tarefa que dura toda a vida. O limite também não é estático, as pessoas mudam. Logo, o sistema de comunicação entre as pessoas é algo dinâmico e tem suas “leis” próprias, que cabe a cada um descobrir em cada momento. Em vez de gastar tempo reclamando, que não existe comunicação, poderemos empregá-lo, verificando como estabelecer esta relação, com muito respeito.

Portanto, vamos promover a paz. Escutar mais uns aos outros, observar e respeitar, lembrem-se: o direito de um acaba quando o do outro inicia. A Oração de São Francisco é um grande ensinamento, mas não basta lê-la apenas, devemos praticar em nosso dia-a-dia e para com nossos próximo.

Temos tudo para sermos felizes e harmoniosos, aproveitemos a chance que Deus nos dá, a verdadeira felicidade bate à nossa porta uma única vez e precisamos reconhecer quando ela chega, sermos merecedores para então ela se fazer morada em nossas vidas, dentro do coração de cada um e poder germinar, florescendo nosso caminho.

Lembrem que a semeadura é opcional, porem a colheita é e sempre será obrigatória.


Namastê.

"Cheio de Larvas"

Os Italianos à epoca do grande império, senhores do mundo, tambem tinham algum espaço para as apreciações metafisicas. "cheio de larvas", é como acreditavam que o individuo louco estava.

Ouví outro dia, que o Vaticano está preparando grupos de padres exorcistas, e que estas praticas, me parece, será democratizada dentro da igreja Católica.

Já era tempo de tornar à luz, aquilo que eles sempre fizeram entre eles, veladamente, desde as primeiras igrejas Cristãs, ou primitivas.

Estes procedimentos na verdade, fazem parte do ritual de todas as igrejas e religiões de todos os povos. Hindus, Chineses, Caldeus, Persas, Babilonios, povos que nos ensinaram a pensar.

Os Gregos, que condensaram o conhecimento dos povos antigos tambem consultavam os seus oráculos, adoravam os seus espiritos ou divindades, se defumavam, purificavam os seus corpos com banhos de ervas apropriadas, e procuravam seus templos onde recebiam suas benzições.

A igreja catolica na verdade não quís perder o bonde da historia. Fez muito bem!

Uma coisa porem, me deixa profundamente encabulado: As igrejas evangélicas não "tradicionais", bitoladas e conservadoras, que conseguiram abrir seu espaço, criticando justamente estas práticas, hoje, a maioria delas ja recebe o "espírito santo" e falam linguas estranhas. Outras, recebem "anjos" e usam uma linguagem que ninguem consegue entender, só o pastor ou algum "iluminado", tem a dádiva de interpretar e outras, ja estão admitindo as seções de descarrêgo, passes maravilhosos, e tudo aquilo que a Umbanda dos nossos Índios, já fazem há centenas de anos atrás, ou milhares.

Estas igrejas imensas, templos grandiosos, vivem repletos do espirito santo; Os anjos descem em "legiões" e carregam para o inferno as forças demoníacas.

Não todos, mas boa parte para manterem seus privilégios, uma dose muito grande de fanatismo, ou total desinformação, caem de pauladas nas "tendinhas" de umbanda (pobrezinha da umbanda), quem vai defendê-la dos ataques destes imitadores boa parte impostores ou aproveitadores?

Bem verdade, é que boa parte destas "seitas", as que mais enriquecem, utilizam a matéria prima garimpada nos centros de umbanda, ou "casas de encôsto", é como eles apelidaram os centros espíritas umbandistas.

Ora, se quase toda doença é de fundo psicologico, é de origem espiritual, nada como o velho e bom caboclo "arranca tôco", ou o "sete encruza", disfarçado, de terno e gravata, para fazer a limpeza psíquica, ou retirada de "larvas".

O resto fica por conta da fé e do aparente status social.


Mas tudo isto é muito bom, e louvado seja Deus! Queria mil templos evangélicos na minha cidade, ao invés de uma "boca de fumo".

Minha cidade seria melhor desde que, com honestidade e muita humildade, estes dignos representantes de Cristo na terra, respeitassem a crença alheia.

A paz do senhor, irmão!


Às mães de santo do Brasil,

E à mão abençoada das benzedeiras de Minas Gerais!

Joao das Flores http://www.macacosecolibris.com/perfil.php

domingo, 19 de julho de 2009

As agressões que ignoramos


Muitas vezes, somos vítimas de agressões que nem sempre nos damos conta e que com muita freqüência acontecem entre pais e filhos, famílias, casais, pessoas que se amam, enfim, nas relações cotidianas. Muitas delas nos causam culpa, doenças, conflitos. Parece ser difícil perceber essas agressões e, principalmente, os ferimentos que causam, pois em geral só é enfatizada a violência física e explícita. As agressões silenciosas nem sempre deixam marcas externas, físicas e visíveis, mas conseguem deixar marcas eternas.

Muita violência velada é transmitida pelas famílias nas entrelinhas da comunicação diária, mediante conselhos, avisos e cuidados que nos impedem de entrar em contato conosco e com nossas necessidades. Quantas famílias, ainda nos dias de hoje, ensinam que sentir e expressar sentimentos é sinal de fraqueza? Quantas vezes não fomos ou somos comparados com o irmão que é mais inteligente e que tira as melhores notas? Ou ainda, as críticas sob o legado, que são construtivas e para nosso bem? Que bem é esse que nos lembra a todo o momento que tudo que fazemos é errado? Por que é tão difícil elogiar o outro, valorizando o que faz de bom? Talvez por que irá percebê-lo como melhor? É mais fácil e tão somente, criticar?

Quantas pessoas não percebem que continuamente agridem do mesmo modo que foram agredidas? E quantas outras não permitem ser agredidas mesmo adultas? Quantas pessoas por medo permanecem acorrentadas, sem motivação interior para mudar, preferindo o comodismo, conformismo, aceitação, ainda que isso traga muito mais sofrimento que a mudança em si? Por que as pessoas esquecem que ao nascer todos trazemos dentro de nós a potencialidade para ser feliz e viver em paz? O controle e as manipulações estão presentes para dominar as emoções do outro e, inconscientemente, limitar seu crescimento.

Será que as pessoas são conscientes do quanto foram ou são vítimas da agressividade silenciosa ou o quanto reproduzem essa mesma agressividade sem se darem conta? Digo vítimas, pois constantemente são feitas com crianças. Será que o agressivo percebe quanto destrói a si mesmo e todos que estão à sua volta? Muitas vezes são pessoas tão destruídas por dentro que nem se dão conta da própria dor ou agressividade, ignorando esses comportamentos por considerá-los normais.

As agressões silenciosas são sutis e nem sempre são fáceis de serem percebidas, e por isso, perigosas. Muitas vezes são simples gestos, olhares, que reprovam, censuram, julgam. Em muitos casos, podem gerar doenças e quase sempre aquele que adoece num grupo familiar, inconscientemente, revela a doença latente do próprio grupo, sendo freqüentemente aquele que procura ajuda, não por ser o mais doente, como muitos acreditam, mas sim o mais sensível. O perigo é reforçado pelo aspecto repetitivo das atitudes agressivas, fazendo com que os envolvidos se acostumem com tais atitudes, podendo ser consideradas normais tanto por quem faz como por quem as recebe. Muitas pessoas mantêm relacionamentos afetivos mesmo quando não há respeito, carinho, afeto, com total desinteresse pelo que faz e, principalmente, pelo que sente; da mesma maneira que foram tratadas durante suas vidas e acabaram se acostumando a essa realidade. Não conseguindo identificar a origem, os padrões se repetem, pois nem sempre há a consciência da agressão recebida. O que pode levar ao outro extremo, sentir-se agredido mesmo que não tenha sido, interpretando erroneamente alguns fatos e agindo também de modo agressivo.


Um exemplo muito simples é quando se referem a alguém como coitado, isso pode gerar um sentimento de alguém como incapaz de se defender. Ou ainda, quando ouvimos: fiz por você, ou não me separei por você. A princípio pode parecer uma frase de alguém preocupado com nosso bem-estar, uma aparente valorização, mas na verdade, revela uma provocação para que se sinta culpado, como se fosse: veja como me sacrifico por você. Ou quando foi fazer um desabafo e foi julgado em seus sentimentos, como se sentiu? Uma pessoa constantemente desvalorizada em tudo que faz, pensa ou sente, tratada com indiferença, desprezo, dificilmente acreditará em si mesma. E isso não é uma agressão silenciosa?

Há muitos outros exemplos, basta lembrarmos com atenção frases que ouvimos, gestos que observamos, perguntas ou comentários que nos constrangem ou nos induzem a não reagir ou nos defendermos. Tudo aquilo que nos fere, nos agride, ainda que não seja pela violência explícita, com tapas e berros, pode ser considerada uma agressão silenciosa.

Passe um filme mentalmente sobre sua vida e perceba quantas agressões silenciosas não gritam ainda hoje, talvez depois de anos, dentro de você. Perceba quantas vezes se sentiu agredido e por não reconhecer esse fato, ainda se permite ser. O conhecimento dessas agressões pode ser muito doloroso, mas não será mais doloroso e destrutivo manter esses padrões? Só identificando seu sofrimento poderá buscar soluções e mudar aquilo que acredita ser necessário mudar. A dor será muito menor do que continuar ignorando as agressões que viveu, ou ainda, se permite viver.


Rosemeire Zago é psicóloga clínica, com abordagem junguiana e especialização em Psicossomática. Desenvolve o autoconhecimento através de técnicas de relaxamento, interpretação de sonhos, importância das coincidências significativas, mensagens e sinais na vida de cada um, promovendo também o reencontro com a criança interior.

A capacidade de se auto-sustentar


A paz interior é um estado de equilíbrio que surge quando nossas forças ativadoras e nossa capacidade de relaxar estão em harmonia. Isto é, quando estamos sintonizados tanto com a nossa força de combate, como com a nossa capacidade de entrega.
Mas, em geral, permanecemos alertas até mesmo quando já podemos relaxar. É como se, ao afrouxarmos o controle sobre nós mesmos, alguma coisa ruim pudesse ocorrer.

Intuitivamente, buscamos sempre saídas que nos levam a uma qualidade de vida melhor. Isto é, com menos pressão e mais abertura, pois sabemos que ficar presos por nossa própria atitude interior é um modo de vida limitador.
No entanto, se não estivermos familiarizados com a capacidade de nos sustentarmos, estaremos constantemente buscando nos amparar fora de nós.

Mas, o que nos proporciona essa sensação de poder relaxar em nosso solo interior com confiança e soltura?
A capacidade de auto-sustentação surge à medida que nos sentimos disponíveis para nós mesmos: estamos à vontade exatamente com quem somos.

Quando paramos de nos defender de nós mesmos, naturalmente nos tornamos boa companhia.
Esta amizade interior não ocorre apenas no nível do pensamento, como se pudéssemos simplesmente dar uma ordem interna: seja amigo de você mesmo, aprenda a se bastar!.

A auto-sustentação não surge porque nos demos uma ordem, mas sim porque nos abrimos para nós nos recebermos tal qual como somos.
Auto-sustentação não quer dizer estar desconectado de qualquer fonte de nutrição e contar apenas com seus recursos.
È exatamente ao contrário!

Ela surge quando superamos o condicionamento de que somos seres solitários. Em outras palavras, auto-sustentar-se não quer dizer ser só eu, por mim mesmo, mas sim, em ser si mesmo no todo.
Este é um processo profundo, que requer um treinamento mental capaz de nos ajudar a desconstruir nossos hábitos mentais negativos.

No budismo, esse treinamento ocorre por meio dos ensinamentos (do Dharma) e da meditação: ambos nos ajudam a abandonar uma falsa visão sobre nós mesmos e a nos familiarizarmos com nossa natureza inata de uma mente saudável.

Independente do método que você possa encontrar, o que eu quero é alertar para a nossa necessidade de nos oferecer um modo de vida mais próspero e abundante.
Observo que muitas vezes já não lançamos mão de recursos externos porque estamos exageradamente presos à idéia de nos tornarmos emocionalmente autônomos. Não queremos ajuda!

Por isso, gostaria de ressaltar a diferença entre nos ampararmos nos outros e nos deixarmos ser por eles nutridos e inspirados.

Por exemplo, quando usamos uma bengala. Ela nos serve de apoio ou de estímulo? A força está na bengala em que nos apoiamos ou na nossa capacidade de usá-la?

Quando nos amparamos na força alheia, temos a intenção de que o outro faça esforço por nós, mas quando vemos os outros como fonte de nutrição e estímulo, temos plena consciência de que o esforço é nosso.

Por isso, apesar de ninguém poder de fato nos poupar da parte que nos toca, podemos receber toda a ajuda necessária sempre que ela estiver disponível!

Pequenas atitudes que estimulem positivamente nossos cinco sentidos também são sempre bem-vindas: boa música, um aroma agradável no ar, algo de saboroso para comer, um banho quente ou um creme para nos massagear e contemplar imagens que nos dão prazer pode ser de grande valia. Quando estamos desanimados ou tristes, nosso corpo precisa ser bem tratado, pois, afinal de contas, é ele que nos dá a base para nossa mente relaxar!

Bel Cesar é terapeuta e dedica-se ao atendimento de pacientes que enfrentam o processo da morte.
Autora dos livros Viagem Interior ao Tibete, Morrer não se improvisa, O livro das Emoções e Mania de sofrer pela editora Gaia.