quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

É possível desapegar-se da irritação



"Não permita que a sua impaciência o afaste do seu compromisso com a verdade."
Sogyal Rinpoche, O Livro Tibetano do Viver e do Morrer


Quando estamos com a lixeira de nosso computador interior lotada de informações inúteis, precisamos parar para esvaziá-la. A falta de espaço interno torna-se relevante: nos tornamos impacientes e irritadiços, e nada tem graça. Tudo se torna denso, como um engarrafamento no final da tarde: não podemos ir nem para a frente e nem para trás, e ficar onde estamos parece que vai nos levar a loucura.

Admitir que estamos estressados nos ajuda a efetivar uma mudança em nosso estilo de vida. Em geral, após termos nos afastados das situações que nos estressam, depois de umas férias, por exemplo, estamos mais atentos aos padrões de comportamento que não queremos repetir. Para aproveitar uma nova disposição frente às situações de pressão, devemos recomeçar nossas atividades de modo pacífico, isto é, menos reativos.

Muitas vezes, temos de nos dizer que tudo está bem, mesmo quando tudo não vai bem. Intuitivamente sabemos que não podemos pôr mais lenha na fogueira: o calor dos conflitos já está nos queimando. É hora de suavizar e reverter, fazer as pazes. Quando passamos a lidar positivamente com alguém ou com uma situação a qual estávamos reagindo negativamente, a energia muda: surgem soluções inesperadas. O que nossos inimigos menos esperam é serem bem tratados por nós. Quando deixamos de ser reativos, rompemos o hábito de nadar contra a correnteza.

Não ser reativo não é o mesmo que ser submisso ou passivo. Muito menos ser capacho de egos afoitos. Não ser reativos é saber distanciar-se para contemplar o fluxo dos acontecimentos e, então, com nova visão, participar daquela realidade com calma e clareza.

Quando estamos bem centrados em nosso eixo de paz interior, somos também capazes de perceber quando é hora de reagir – reconhecer o momento em que ser ativo é um ato de boa auto-estima e responsabilidade. Não devemos ser cúmplices de situações que consideramos desequilibradas, ilícitas ou falsas. Nossa auto-estima nos orienta a tomar decisões sobre quando devemos entrar, permanecer ou sair das situações. Ser realista com nossa verdadeira situação é uma atitude saudável.

Quando estamos irritados, somos como crianças com sono: ficamos extremamente vulneráveis, tudo nos perturba. A irritação nos torna vítimas fáceis das circunstâncias, o que nos faz sentir cada vez mais enfraquecidos e impotentes diante da vida. Portanto, o melhor é, literalmente, ir dormir e, quando estivermos descansados, reconsiderar então nossos julgamentos. Somente descansar é que o sistema nervoso poderá se recuperar e, assim, a irritação naturalmente pode desaparecer.

Devemos aprender a não nos identificarmos com nossa irritação. Não precisamos nos tornar vítimas de nossa própria irritação. O fato de não querermos ficar nessa posição tão desvantajosa já desperta em nós a consciência necessária para fazer algo que nos ajude a sair desse estado negativo.

Podemos começar a fazer algo oposto ao que estivermos fazendo. Por exemplo, podemos mudar nossa posição física: se estivermos sentados, levantamos, se estivermos parados, vamos andar. Mudar o estado das coisas, mudar de assunto, faz nossa mente desanuviar. Tomar um banho, lavar o rosto, chacoalhar o corpo e, se possível, emitir em voz alta sons diversos e sem sentido, com a intenção de exteriorizar e nos desprender de nossa irritação. são também bons procedimentos.

Quando criticamos nossos sentimentos, estamos armazenando energia de autocondenação. Os sentimentos não aceitos e não integrados sustentam nossa atitude de auto-rejeição. Eles ficam armazenados em nosso corpo, nos músculos, órgãos e chakras.

Quando nos abrimos para sentir nossos sentimentos, nos abrimos também para sentir nosso corpo. Se nos mantivermos ao mesmo tempo atentos e relaxados na percepção de um sentimento, poderemos localizar a área física onde ele está se concentrando. Pousar as mãos nesta região, e visualizar ali a chama de uma vela brilhante e estável, irá gerar calor e calma, que nos ajudarão a recuperar nossa energia vital.

Ao manter os olhos fechados, podemos nos conectar também com nosso eixo de descanso interno: um estado de aceitação incondicional em que nossa mente relaxa enquanto nosso corpo respira livre e espontaneamente.

Texto extraído do Livro das Emoções, Bel Cesar, Ed Gaia

Bel Cesar é psicóloga clínica com formação em musicoterapia no Instituto Orff em Salzburgo, Áustria – Pratica a psicoterapia sob a perspectiva do Budismo Tibetano – Presidiu o Centro de Dharma da Paz Shi De Choe Tsog, em São Paulo, por 16 anos tornando-se presidente honorária em 2004.

2 comentários:

Rennatha Lins disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rennatha Lins disse...

FOTO

Furacão, raio, confusão, medo.

A força do vento devasta e destrói, o raio assusta, e com sua poderosa energia, queima.

Imagine a irritação em forma de furacão como na foto. Ele gira rápido circulando por todos os órgãos do corpo, criando um grande cansaço. Sim, porque no auge da irritação todos os órgãos vão lutar para que a ira não os machuquem tanto.

Ainda tem os raios que caem como flechas fatais.

É como se o corpo trepidasse.

Isso cansa!

Após a irritação vem a exaustão; mal estar e até mesmo as dores.

Tudo aumenta de acordo com a freqüência que a pessoa se irrita.

Creia que se um Ser tem força para gerar esse furacão, também terá força para eliminá-lo sem agredir o corpo e a mente.

Veja que no alto, o furacão se alarga, se abre, se expande. Então, imagine no centro da cabeça um gêiser soltando vapor. Uma descarga de pressões emocionais, de tensões e de cansaço.

É o furacão saindo!

E mais, o furacão não vai estar devastando os teus órgãos e sim arrancando todas as iras criadas e com a força do vento, juntar as "sujeiras" que se acumularam dentro do corpo.

Deixe evaporar-se inofensivamente como o vapor descarregado por um gêiser.

Como na foto, o furacão que gira dentro do corpo sairá e se expandirá sumindo no ar.

O raio vai funcionar de uma maneira fundamental.

Após a saída do furacão, o raio vem dos céus tocar nas marcas de feridas criadas, e como a energia é muito potente, ele irá cauterizar, curar.

Há também a claridade do raio que é rápida, porém, tão forte que mal suportamos olhar, mas se uma pessoa irritadiça conseguir segurar essa claridade, por pelo menos alguns segundos dentro do corpo, com certeza irá acalmar e afastar qualquer mal, ou dor que quis se aproximar.

A força da energia do raio dentro do corpo, vai irradiar por todos os poros, limpando e acalentando.

É um bálsamo de leveza.

Acha difícil imaginar que um furacão e um raio possam agir de maneira salutar?

Engano!

Um dos maiores dons e poderes que o Divino nos proporcionou, é a nossa capacidade de criar e imaginar, seja para o bem ou para o mal.

Portanto, utilize para o bem, ansiando por uma tonicidade mental, com isso você verá e sentirá maravilhosas descobertas.