sábado, 20 de agosto de 2011

O Sutil desequilíbrio do estresse


Em meu novo livro O Sutil Desequilíbrio do Estresse (Ed. Gaia) junto com o psiquiatra Dr. Sergio Klepacz e meu filho Lama Michel Rinpoche conversamos sobre como o acúmulo sutil de pequenas incoerências do nosso dia-a-dia acionam o eixo de estresse, causando sutis desequilíbrios na nossa química cerebral. Quanto maior for o conflito entre nossos desejos internos e as realidades externas maior será o dano que estaremos causando a nós mesmos!


Quão sábia foi minha filha aos oito anos de idade de me dizer: Só a gente que tá com a gente 24 horas por dia, sabe o que a gente passa. Afinal, aprendemos desde a tenra idade a representar um papel duplo, que atende simultaneamente aos comando do eu privado e do eu público.
De acordo com o neurobiólogo Dr. Daniel Siegel, por volta do nosso segundo ano de vida já aprendemos o truque de exibir expressões faciais afetivas diferentes dos nossos estados emocionais internos. (A mente em desenvolvimento Instituto Piaget, Lisboa). Muito cedo, aprendemos a agir de acordo com o que o mundo espera de nós!

Sem dúvida, quando nos comportamos socialmente de modo apropriado, garantimos nossa sobrevivência. Mas o ponto é que passamos tempo demais nos adequando socialmente sem nos darmos conta do que realmente está ocorrendo em nosso interior. Desta forma, sem a consciência de nossos sentimentos genuínos, não percebemos quando eles deixam de ser validados e expressados de modo coerente.

A experiência de expressar o nosso estado mental e de os outros perceberem e responderem a esses sinais é de vital importância para nossa saúde física e emocional. Tal coerência gera harmonia e bem-estar.

No entanto, são muitas as vezes em que sorrimos quando estamos tristes ou nos calamos quando queremos gritar. Representamos nosso papel social tão bem que nos surpreendemos com a habilidade de enganar o mundo à nossa volta. O fato é que ao cultivar o hábito de representar este papel duplo de modo incoerente criamos gradualmente cada vez mais vínculos artificiais.

Quanto mais artificiais nos tornamos, mais vulneráveis são nossos vínculos afetivos. Naturalmente, sempre desconfiamos do que intuitivamente não sentimos como verdadeiro. A artificialidade gera insegurança e desconforto. Inseguros, perdemos a capacidade de gerar vínculos autênticos, e, portanto, satisfatórios. Isso ocorre na medida em que perdemos a naturalidade em expressar nossos sentimentos tanto quanto a capacidade de ler os sinais genuínos das expressões afetivas alheias.

A questão é que o ponto de partida deste aprendizado deu-se quando ainda éramos bebês! Segundo o Dr. Daniel Siegel, a criança usa o estado de espírito de um progenitor para ajudar a organizar os seus próprios processos mentais. Ou seja, por meio das expressões faciais, do tom de sua voz e de seus gestos, os pais ensinam seus filhos a sentirem e expressarem suas emoções primárias.
Assim como as cores primárias são a base para a formação de outras cores, as emoções primárias geram a qualidade inicial de um estado emocional como agradável ou desagradável. Em outras palavras, se o humor de nossos pais influenciou nosso modo de pensar e sentir, precisamos agora, como adultos, sintonizarmo-nos com nossa própria natureza emocional.

O humor é o que dá um ponto de vista ao raciocínio. Se tivemos pais pessimistas e mal humorados é provável que tenhamos o hábito da desconfiar da possibilidade de que as coisas dão certo. Portanto, agora teremos que nos familiarizar com um estado de humor que seja mais favorável para nós. Na medida em que aprendemos a reconhecer a influência do estado de humor que cultivamos interiormente, podemos ajustá-lo de modo mais positivo.

Dr. Daniel Siegel ressalta: Aquele que não percebe seus sentimentos corre o risco de pensar de não tê-los. No entanto, isso não é verdade, os sentimentos estão lá, mas será preciso a consciência para acioná-los. Sentir nos orienta, ajuda-nos a planejar o futuro, a transformar nossos comportamentos destrutivos e a cultivar relações significativas.


Por Bel Cesar


Autoconfiança


Autoconfiança refere-se à competência pessoal; é a convicção que uma pessoa tem de ser capaz de fazer ou realizar alguma coisa.


Possuímos um núcleo de força interior que nos permite enfrentar situações difíceis e nos torna aptos a viver. Autoconfiança é tomar consciência e posse de si mesmo, independentemente das qualidades ou defeitos. É tomar consciência da individualidade, do querer, da vida existente no Núcleo Interior.

A autoconfiança se desenvolve a partir do crescimento interior ou do autoconhecimento. Quando assim acontece, experienciamos de forma simples talentos e potencialidades, e percebemos nossa capacidade humana de superação.
Nascemos autoconfiantes, e aos poucos a perdemos através das críticas constantes, da valorização dos pontos fracos tornando-nos pessoas frágeis, medrosas, propensas à tristeza, e com sensação de fracasso; desenvolvemos um diálogo interno de auto-censura, exigência, timidez, e não raro de vítima. Esta "conversa" alimentada por pensamentos tais como: não posso fazer isso... não consigo... não vou dar conta... tenho um gênio difícil, sou baixo... sou gordo... sou magro... etc. traz-nos constantemente um sentimento de culpa por nossas inabilidades, pela incompetência, inferioridade e nos sentimos ofendidos, magoados, humilhados e incompreendidos em função da máscara criada: o perfeccionismo.


Alguns mecanismos corroem nossa autoconfiança tais como:

• Medo de errar (crítica);
• Idealizar o mundo e pessoas;
• A postura de vítima, autopiedade (é o poder dos indefesos);
• A comparação com outras pessoas;
• Culpa (querer acertar sempre).


Estes geralmente são padrões desenvolvidos na infância. E para os transformarmos em sentimentos e sensações confortáveis, há a necessidade de cuidarmos deste pequeno ser que existe em "nosso interior"; esta criança que ainda clama por cuidados, atenção e compreensão.

Este é um encontro singular onde, primeiramente, procuraremos compreender em qual estágio nos encontramos dos mecanismos desenvolvidos, e quais ações necessárias para a mudança de padrão de pensamento e comportamento. Em seguida, realizaremos uma vivência de apoio e acolhimento desta criança para que ela nos devolva todo o seu potencial de alegria e criatividade.

A criança é responsável pela nossa abundância e prosperidade. Se ela estiver zangada, magoada ou triste, fica recolhida e não nos alimenta; e como consequência, perdemos a vivacidade, o ânimo, a espontaneidade.

INTEGRAÇÃO DO SER Integrando o Ser à Vida Desenvolvendo a Vida do Ser.

Orai e Vigiai


Quando somos crianças aprendemos muitas coisas, mas muito pouco compreendemos. Nosso racional ainda não está desenvolvido, somos puro sentimento e emoção. Quando nos tornamos adultos acabamos por pegar tudo o que aprendemos quando crianças – mas que não compreendemos muito bem (embora achemos que sim!) – e simplesmente reproduzimos como um modelo – igual ou contrário.

Reproduzimos fielmente aquilo que acreditamos termos concordado e com o qual nos identificamos, dando um toque pessoal, é claro! Aquilo que não concordamos fazemos ao contrário – exatamente ao contrário – embora possamos achar que estamos fazendo diferente.
Eis os modelos aprendidos e não compreendidos, instalados, atuados e atualizados em nossa vida, para a vida toda, por nós mesmos.

Então, andamos em círculos, agitados sem saber o por quê ou acomodados. E assim vamos vivendo. Podemos viver desta forma toda uma vida em círculos, agitados ou acomodados; a não ser que algo, quase por acaso nos faça parar. E aí, de um momento para outro, perdemos o rumo: instala-se o conflito.

Normalmente os conflitos são gerados por incompatibilidade entre as crenças internas e a vida que vivemos. Todos os atos antes praticados para se resolver determinada situação já não funcionam mais.
Por exemplo: sempre resolvemos as coisas gritando ou chorando ou nos colocando como vítima, etc. mas seja como for, não funciona mais! É preciso fazer diferente. Nem igual nem contrário: diferente! Não dá mais para se viver alienado de si mesmo.
Tem uma passagem da bíblia que diz: Orai e Vigiai.

Psicoterapia, como processo de autoconhecimento, é exatamente isto! Explico em tempo...
O que JESUS quis dizer quando disse Orai? O que é orar? O que significa o gesto de orar?
Orar quer dizer conversar com Deus.

A psicoterapia tem exatamente esta função: nos coloca numa posição de conversar com nosso Deus interior - nosso Eu superior - numa posição de interiorização. Temos a possibilidade de nos conectar com nossa essência – que Jung chamou de SELF – e que é aquela energia poderosa que está dentro de nós e que sabe mais que do nosso pobre ego o que é melhor para o seu próprio desenvolvimento e evolução.
Quando vamos buscar nesta fonte – no SELF (em DEUS) – a sabedoria necessária, saímos revitalizados e fortalecidos.

Passemos então para a segunda parte: Vigiai. O que podemos entender com essa colocação? O que isto quer dizer? O que Ele quis dizer quando sugeriu Vigiai?
Vigiai é olhar, observar atentamente.
O que devemos observar atentamente?
A nós próprios!

Faz parte do processo de autoconhecimento nos observarmos, prestando atenção aos nossos próprios comportamentos (nossas reações emocionais) e pensamentos (nossas crenças e opiniões sobre as coisas e pessoas), que revelam nossos sentimentos e crenças a respeito de nós mesmos.

Vigiai! Observe atentamente a você mesmo e às pessoas a sua volta: como você reage a elas e como elas reagem a você. Observe atentamente como você resolve as situações que vive. Observe atentamente cada gesto e movimento seu... seus comportamentos.
Vigiai! Observe atentamente como você julga as situações e as pessoas. Quais são os seus pré-conceitos? Observe a quê você dá valor. Perceba se seu comportamento e valores estão congruentes.

Poderá então constatar vários porquês; entre eles: porque sua vida está como está e seus relacionamentos estão como estão. Tudo está assim, pois é fruto de suas escolhas no decorrer da sua vida.

Perceberá, portanto, que tudo está como deveria estar, simplesmente!
Está feliz? Se está, vá em frente, caso contrário, mude. Não é uma empreitada fácil, mas é possível. Pois, por maior que seja o conflito, é possível mudar, redirecionar a vida e ser realmente feliz. Porque a verdadeira felicidade é construída com autoconsciência e auto-amor.

Quer a receita da felicidade?
- Orai e Vigiai!
Por Maria Aparecida Diniz Bressani


Pessoas que amam demais: sintoma de desamor


O ser humano busca continuamente ser feliz.
Existem várias fontes de satisfação e bem estar que geram a felicidade nas pessoas.
Seja como for, apesar do que quer que conquiste, o ser humano busca e deseja, realmente, o Amor; almeja a sensação de ser amado e ser especial por quem sente que lhe é especial.

Ter Amor na vida é estar de bem e satisfeito consigo mesmo; é viver num nível de bem estar emocional harmonioso.
O desamor é justamente o contrário: é estar de mal e insatisfeito consigo mesmo; é viver num constante mal estar e desconforto emocional. E, por incrível que pareça, um dos sintomas do desamor é amar demais o outro.

O amor demais por alguém é fruto do amor de menos por si próprio. E amor de menos por si é desamor por si. É o sintoma de uma baixa auto-estima.
Esse amor de menos por si imanta a pessoa a atrair relacionamentos amorosos insatisfatórios e estéreis, emocionalmente falando. Às vezes, atrai pessoas difíceis e mesquinhas, mas, muitas vezes, apesar de tudo, atrai até pessoas dispostas a amá-la, mas - como vivem sob a égide do desamor - não conseguem reconhecer ou decodificar as atitudes amorosas do outro para consigo própria.

Este é um mal que acomete tanto mulheres quanto homens. Embora, ainda hoje, a sociedade permita mais facilmente às mulheres uma maior exposição de seus sentimentos, enquanto que aos homens resta somente apresentar-se indiferentes às próprias necessidades afetivas. Por isso, as mulheres têm mais facilidade em colocar suas necessidades e carências emocionais do que os homens, que camuflam-nas com comportamento do tipo galinha, com agressividade ou atirando-se loucamente no trabalho.

O que percebemos predominando atualmente nas pessoas é o sofrimento pela sensação de desamor em suas vidas. Mesmo as que têm parceiros fixos muitas vezes sentem essa forte sensação. Esta sensação de desamor leva as pessoas a uma angustiante e ansiosa busca do Amor. Esta busca do Amor, neste nível, produz concessões que beiram a anulação.

O histórico dessas pessoas é permeado de sofrimento, mágoas e decepções, pois - apesar de aceitarem as migalhas de afeto oferecidas pelas pessoas que amam - acabam rejeitadas e sozinhas.
O desamor gera comportamento emocional voraz, existindo dentro de si como que um buraco negro de carência. E então, quando finalmente tem a oportunidade de se relacionar, jogam-se de cabeça sem medir as conseqüências de seus atos, estando extremamente sensibilizadas com a possibilidade de relacionar-se.
E novamente decepcionam-se.
E assim vão de tentativa em tentativa... e só encontram o desamor. Na maioria das vezes estão sempre sozinhas e somente às vezes, quando a carência fala mais alto, é que se arriscam...

A sensação de desamor na vida é gerada pela própria pessoa que não se coloca para o Amor, que não se presenteia com situações amorosas. Conscientemente a pessoa fala e se esforça no sentido de ter o Amor e de ser amada, mas existe algum botãozinho inconsciente que fica ligado e que não lhe permite que seu desejo se realize.
O mais trágico para essas pessoas que amam demais – que vivem o desamor – é a dificuldade em romper com este círculo vicioso do desamor. Não percebem que para se ter o amor de alguém é preciso já ter o Amor presente em sua vida – estar imantada de Amor - pois, nesta questão de relacionamento humano - atraímos nossos iguais. Para se ter o Amor presente em sua vida é preciso que você o coloque, proporcionando situações que realmente lhe dêem satisfação e bem estar e ai, você realmente estará aberta para receber o amor do outro que tanto quer.

Por não saber como romper com esta sensação de desamor buscam fórmulas prontas, receitas de como fazer. Como se fosse possível através de uma receita de como ser amado e feliz simplesmente reproduzi-la e tirar do forno um bolo pronto, já recheado e com cobertura, para, apenas, deliciar-se.
Se assim fosse todos já seriam felizes com seus pares e plenamente satisfeitos com seus amores, pois o que mais encontramos atualmente são livros de auto-ajuda recheados de regrinhas básicas para se dar bem e ser feliz em todos os aspectos da vida.
Viver, amar, ser amado e ser feliz exige um exercício diário. Não existem fórmulas prontas.

Os livros de auto-ajuda são válidos por colocarem uma luz na escuridão deste buraco negro no qual a pessoa vive, mas é com o exercício do viver – colocando sistematicamente todas aquelas teorias em prática – que, de fato, se concretiza o amor e a felicidade na própria vida.
E para se viver uma vida onde cultivemos o Amor se faz necessário buscar dentro de si a semente do amor: o auto-amor.

Eu, como psicoterapeuta, acredito na psicoterapia como um caminho para o autoconhecimento e como suporte para o exercício desta busca – a busca de si mesmo, do Amor dentro de si e a conseqüente implantação deste Amor na própria vida.
Para ter o Amor na vida não basta querer, é preciso acreditar que ele está dentro de si e deixá-lo transbordar para fora de si, em todas as situações e relações que vivemos. É através de recursos internos disponíveis, como a compreensão e a tolerância, por exemplo, que podemos cultivar o auto-amor e a auto-estima adequada.

A compreensão e a tolerância têm que estar disponíveis, pois é preciso compreender que somos seres humanos – todos! – limitados e imperfeitos, mas dignos do Amor; sendo que a maior de todas as intolerâncias que uma pessoa tem por si mesma é saber-se limitado e imperfeito e em seguida, culpar-se e condenar-se.
A pessoa torna-se, aos seus próprios olhos, “culpada” por ser limitada e por não ser perfeita. E como bem o sabemos, todo culpado merece uma pena, que neste caso é a ‘clausura’ do desamor. Torna-se, portanto, vitima e algoz de si mesmo: não tendo como escapar, só lhe resta viver no desamor. Eis a prisão decretada! Isto gera alto nível de angustia e ansiedade provocando tentativas desesperadas para libertar-se.
Essa pena – o desamor – pode expressar-se de várias formas, seja com a solidão, com a traição amorosa, com a falta de reconhecimento e valorização, num casamento insatisfatório e tantas outras maneiras que nem julgaríamos como expressão do desamor; como amando demais.
Para identificar numa situação a presença do desamor por si mesma, perceberemos que ali haverá como tônica desse desamor, sempre, uma profunda e incomensurável dor e frustração no coração. Como se a pessoa não tivesse o direito – de fato! – de realizar seu sonho (ter Amor) e de ser feliz.

Psicologicamente falando, o desamor por si mesma pode chegar num nível tal que – além de amar demais o outro ou viver qualquer situação no limite e sofrer muito por isso – pode gerar uma série de doenças físicas, psicossomáticas – inclusive um câncer – pois é como se a pessoa “desistisse” de viver “aquela vida”, onde se sente infeliz, mas não sabe como sair dela. É claro que são processos inconscientes, por isso há necessidade da psicoterapia para sair deste círculo vicioso.

A vida sempre nos apresentará problemas. Faz parte! Porém, se a tônica da vida ou de uma situação qualquer é o sofrimento, a angústia e a ansiedade significa que se está sob a força do desamor por si mesma. Porque amor não rima com dor, já desamor, sim!
Quando temos verdadeiramente o Amor em nossas vidas os problemas são (em maior ou menor grau) facilmente resolvíveis, pois estamos sob a égide do Amor por nós. Porque Amor e Amar são sinônimos de bem estar emocional, harmonia e felicidade!

Maria Aparecida Diniz Bressani é psicóloga e psicoterapeuta Junguiana,
especializada em atendimento individual de jovens e adultos,
em seu consultório em São Paulo.


E você é um Hipersensível?


Quando entra em ambiente onde as pessoas não estão bem, fica mal sendo que a sensação desagradável se mantém impregnada em você durante período de tempo excessivo? Um simples comercial de TV te faz chorar? Costuma sentir em si mesmo como e o que o outro está sentindo? Facilmente se comove com a dor alheia? Grandes catástrofes e desgraças do mundo te afetam além do que seria visto como normal? Se a maioria ou todas as respostas forem positivas, então você faz parte dos Humanos Hipersensíveis.

O que se pode entender sobre estes tipos de pessoas? Até que ponto é bom e saudável ser deste modo e até qual ponto sensíveis demais podem prejudicar a si mesmos. O que fazer ao se identificar como hipersensível? E como ajudar pessoas neste padrão de funcionamento?

Certamente não é fácil e nem simples de se viver quando praticamente todas as vivências são filtradas de dentro para fora, de fora para dentro e mesmo de dentro para dentro por meio de lentes de aumento altamente potentes, muitas vezes funcionando como um caleidoscópio de emoções e sensações que literalmente tiram a pessoa do seu eixo. Entretanto, a riqueza deste tipo de personalidade consiste na percepção ampliada e detalhada dos subtítulos de tudo o que é manifestado. Situações comuns que para a maioria poderia passar despercebidas são alta e totalmente identificadas. Neste padrão de encontro com a realidade não há espaço para devaneios ou distorções perceptivas que facilmente se encaixariam na caracterização de alguma patologia emocional de maior gravidade.

Este estilo de personalidade tem tudo de bom ao mesmo tempo que tudo de ruim... Vou explicar melhor: Percebem e sentem o amor e o afeto nas mais diversas intensidades e dependendo do modo como os executadores exteriorizam, os hipersensíveis recebem com total clareza os coloridos, os tons e as matizes emocionais emanadas. Podem ficar totalmente transtornados quando percebem que estão sendo camuflada ou declaradamente rejeitados ou mesmo criticados. Em fim, tudo os afeta. Assim como ficam super emotivos quando estão amando ou se sentem amados, por exemplo.

Se nós não formos uma pessoa hipersensível, com certeza, estaremos cercados por algum. As pesquisas mostram que 20% da população o é.
Existe um provérbio americano que diz: Os hipersensíveis têm pele fina. Permeáveis por demais, com um sistema nervoso também altamente permeável.
Algumas pessoas da categoria dos hipersensíveis podem buscar alívio no álcool, nas drogas no sentido de anestesiarem o excesso de percepção e dor causado pela sensibilidade também excessiva. Muitos entram em depressão.
Pessoas adoecidas em hipersensibilidade podem mudar o temperamento do bem-estar para o oposto em fração de segundos. Pior é que o mal-estar pode perdurar dias até que a pessoa volte a ter estabilidade emocional sentindo-se resgatada em si mesma novamente.

Mudanças de humor podem ocorrer no hipersensível quando este entra em contato com alguém doente, ou sofrendo muito, por exemplo. Sua vida pessoal que minutos antes estava colorida, transforma-se repentinamente em cinza.
Pensamentos e sentimentos sobre a extensão do sofrimento do outro, os tomam de modo profundo e intenso. Percepções sobre a falta de consciência do outro em relação ao seu próprio drama existencial também costumam os comover de modo avassalador.

O excesso de empatia se torna uma doença da alma nos hipersensíveis.
Normalmente, são pessoas introvertidas e as relações humanas, seja de que ordem forem, sempre causam grande impacto sobre si mesmos. Por isso mesmo necessitam de um tempo pessoal maior do que a maioria para processarem suas experiências.
Dentre os hipersensíveis, existem também aqueles extrovertidos, facilmente contaminados pelo bom clima do outro. Estes parecem estar focados nisso e tem esta predisposição. Notem que este tipo de personalidade não tem absolutamente nada a ver com o conhecido transtorno bipolar, onde os estado de humor se alternam entre mania, euforia e a tristeza maior, depressão. Também não há comparação entre distimias ou estados depressivos. Estamos falando das pessoas hipersensíveis e de como e de que maneira o mundo externo pode afeta-los. Estamos vendo uma configuração, um fato em si, o seu normal e o adoecimento quando é por demais exacerbado complicando a vida das pessoas sensíveis demais.

Além da sempre excelente dica de se fazer terapia. É bom ter alguém de confiança para acompanhar e nos ajudar em nossas passagens, dificuldades e êxitos, existem dicas pessoais para lidar com o dia-a-dia e principalmente para facilitar diminuir tensão e ansiedade em relações afetivas, sejam elas de que ordem forem... Os hipersensíveis, exatamente pelo excesso de sensibilidade, além de todo o exposto, possuem dificuldade maior em questões mais pessoais de afeto, amor e carinho.

Tem um novo filme francês que está vindo por aí e que aborda este assunto... Chama-se Românticos Anônimos Ainda não o vi, mas acabei de conversar com um amigo que reside na Alemanha e comentando sobre este tema, surpreso ele me conta sobre o filme... Será isso Hipersensibilidade Quântica minha decidir abordar este tema? De acordo com ele, os românticos anônimos, por exemplo, não acreditam em acaso. Revelam que poderia ser desigual e dispare, acreditam na sincronia dos fatos e acontecimentos na vida das pessoas e na humanidade como um todo.

Eventos sincrônicos nos aproximam coisas, pessoas e acontecimentos mesmo que distantes e isso às vezes assusta. Por conseqüência, como reação emocional, pessoas ou ficam hipersensíveis ou por defesa, frios demais, rasos e vazios, como autômatos robôs e assim supostamente protegidos, mas pagando o alto preço do oposto, da insensibilidade crônica, que gera a normopatia. Mesmo os hipersensíveis, muitas vezes promovem distanciamento e isolamento, mesmo fisicamente próximos, muitas vezes convivem em mundos distantes, uma distancia imposta pela própria hipersensibilidade.

Quando pessoas fortalecidas entram de modo saudável na hipersensibilidade, existe a oportunidade de entrar o sentimento, a paixão, o gosto mútuo por algo que pode ser singelo, como um bombom de chocolate, aumentando sincronicidade que pode suplantar a distância. A sincronicidade é capaz de ultrapassar distâncias físicas e fronteiras, quando conduzida propriamente para isso. Quando o hipersensível está em equilíbrio e bem resolvido internamente pode usufruir na máxima potência o seu melhor, ou seja, seu senso diferenciado de existir.

Transtorno Distímico[1] ou Depressão crônica leve,[2] mais conhecida como Distimia, é um tipo de depressão[3] que se caracteriza principalmente pela falta de prazer ou divertimento na vida e pelo constante sentimento de negatividade.[4]Os sintomas da distimia se estende por pelo menos dois anos, e difere-se dos outros tipos de depressão pelos sintomas serem mais leves

Por SIlvia Malamud



O destino do coração

Exercício para Ansiedade


Esse exercício foi criado especificamente para quem tem problemas com ansiedade, medo, baixa auto-estima e conflitos internos.

Sente-se em uma cadeira confortável com os pés no chão e as mãos no colo.
Escolha um lugar na parece que esteja um pouco acima do nível dos olhos. Olhe fixamente para esse ponto e a medida que faz isso conte até 20. Feche os olhos lentamente quando estiver chegando próximo ao 20.

Respire profundamente e expire lentamente. Com cada inspiração, enche seu peito e barriga e imagine a respiração em paz e calma. Com cada expiração, sinta seu peito e barriga relaxarem e acabarem com a tensão e com todas as coisas que atrapalham seu relaxamento. A essa altura vai notar que a calma toma conta de você.

A seguir, aperte com força os músculos de suas pestanas. Feche os olhos o mais apertado que puder. Depois, lentamente, deixe os músculos de suas pestanas relaxarem. Observe como eles relaxam. Depois os músculos do seu rosto. Do pescoço até os ombros e braços, peito e depois todo o corpo. Os músculos vão entender a deixa do relaxamento de suas pestanas e vão relaxar progressivamente até embaixo, na solas dos pés.

Depois de todo o seu corpo estar relaxado, imagine-se no topo de uma escada rolante. Pise na escada e desça, lentamente, contando de trás para diante a partir do 20. Quando chegar embaixo, provavelmente estará muito relaxado.

Aprecie a tranqüilidade durante vários momentos. Depois volte para a escada rolante e suba. Conte até 10. Quando chegar no topo da escada, sinta-se num lugar onde esteja confortável, que seja agradável para você. Um lugar que você possa imaginar com todos os seus sentidos. Seu refúgio pode ser um lugar real ou imaginário. Pode ser qualquer lugar que goste de estar e passar o tempo. Imagine esse local com todos os seus sentidos por vários minutos.

Nesse momento sua mente está madura para mudança.

Comece a imaginar como gostaria de ser; não como é atualmente, mas como quer ser. Planeje passar pelo menos 20 min por dia nesse exercício de reabastecimento e que tem o poder de mudar sua vida. Você vai ficar surpreso com os resultados.

Durante cada sessão, escolha uma idéia, um ideal ou um estado de sentimento para se concentrar nele. Fique com a idéia, ideal ou estado até que possa se imaginar envolvido por essa idéia, ideal ou estado de sentimento. Por exemplo: Se quiser ficar mais relaxado, veja-se em um estado de calma, imaginando-o com todos os seus sentidos. Veja-se relaxado. Interaja com os outros de modo positivo e relaxado. Sinta o cheiro do meio ambiente em torno de você. Sinta seus músculos relaxarem. Sinta o gosto de uma bebida quente, sinta seu aroma, sinta a xícara quente em suas mãos. Experimente o relaxamento. Torne-o real em sua imaginação, começando assim a torná-lo real em sua vida.

Se o relaxamento não acontecer de primeiro momento, lembre-se que para as coisas mudarem ao seu redor é necessário praticá-lo pelos menos 30 dias seguidos. O esforço compensa.

Por Marcia Rodrigues


A ansiedade pode afastar um grande amor! - Parte 2


Quantas vezes fomos incapazes de enxergar os pontos positivos e favoráveis de uma situação e, cegos por causa de uma ânsia excessiva, a consideramos perdida? Quantas vezes nos deixamos invadir por esse sentimento de urgência e de impaciência e sufocamos as pessoas, fazemos cobranças demasiadas e nos tornamos chatos?

A partir de agora, quando você sentir que a ansiedade está tomando conta de você, pare! Pense no que realmente está por trás dessa pressa e trabalhe a causa real de seu sofrimento. Dê tempo ao tempo, respeite o fluxo natural dos acontecimentos.

Geralmente, homens e mulheres que terminam desistindo – pelo menos por um tempo – de tentar um novo relacionamento, justificam essa decisão queixando-se das cobranças excessivas, do quanto se sentem presos e pressionados a se comportar de uma maneira que não é a sua e a viver num mundo que não é o seu.

Na maioria das vezes, temos condições de perceber quando uma situação realmente não é favorável a nós. Quando isso acontecer com você, em vez de insistir, de fazer mais e mais cobranças e de sufocar a pessoa, tente se observar, analisar detalhadamente e com critérios inteligentes o que está tornando a situação desfavorável. Observando com clareza e atentamente a situação por diversos ângulos, é mais fácil consertá-la ou desistir dela sem causar maiores aborrecimentos, tanto a si mesmo quanto ao outro. Obviamente, a tristeza e a sensação de derrota ainda farão parte do processo, mas agora de forma mais consciente, mais madura.

Exercício para controlar a ansiedade e avaliar as situações com mais inteligência

Quando algo o incomodar, fazendo com que sua ansiedade o invada, impulsionando suas atitudes, espere um instante! Encare a situação como um problema seu e que deve ser resolvido por você, pois o que o deixa ansioso é algo que está dentro de você e não do outro. Não coloque a responsabilidade na atitude do outro, senão você nada poderá fazer para ajudar-se. Assuma que a fragilidade é sua e que você pode resolvê-la a partir do momento em que se der conta do que realmente o está deixando tão ansioso.
Lembre-se de que é a maneira como você enxerga as situações que faz com que você sinta ansiedade. Outra pessoa poderia interpretar a mesma situação de forma totalmente diferente da sua. Portanto, quando você sentir que a ansiedade está se tornando mais forte que sua capacidade de raciocinar, antes de tomar qualquer decisão, pegue um papel e uma caneta e faça, conscientemente, o seguinte exercício:

1) Divida o espaço do papel em três colunas.

2) Na coluna da esquerda, descreva o fato que está lhe causando ansiedade. Por exemplo: você ficou esperando uma ligação o dia todo, mas a pessoa amada não ligou. No final da tarde, você tenta falar pelo celular, mas descobre que o aparelho está desligado. A partir deste momento, faz uma nova tentativa a cada quinze minutos, ficando cada vez mais ansioso com a situação. Começa a imaginar milhares de motivos (todos desfavoráveis a você) para que o telefone esteja desligado. Reflita racionalmente sobre esse fato. Analise friamente a situação e livre-se dos delírios que a ansiedade lhe causa. Pense no fato em si e não nas conclusões que você tira dele por estar inseguro e ansioso.

3) Agora, com condições de enxergar os acontecimentos por um novo ângulo, escreva na coluna do meio os motivos que justificam (ou justificariam, caso ainda não tenha conversado com a pessoa) essa situação. Por exemplo: acabou a bateria, esqueceu o aparelho em casa, está numa reunião, esqueceu de religá-lo após a reunião, etc.

4) E, por fim, estando consciente de seu sentimento e da situação, conclua qual é a melhor atitude a tomar. Resumidamente, você poderá chegar a duas conclusões básicas: ou você espera um pouco mais até que o próprio tempo ou o próprio amadurecimento da relação trate de fazer com que você não se sinta mais dessa maneira; ou você vai conversar com a pessoa e expor o que está sentindo, a fim de tentarem, juntos, chegar a uma justificativa ou a um senso comum.

Por Rosana Braga

A ansiedade pode afastar um grande amor! - Parte 1


Minha intenção não é convencer ninguém de que seja possível acabar totalmente com a ansiedade. Mesmo porque, esse sentimento brota de outro, absolutamente positivo, que é a ânsia: ânsia de viver, de amar, de ser feliz, de desfrutar todas as possibilidades maravilhosas que a vida nos reserva. Enfim, ânsia em ser!!! Sem ânsia, nada se transforma, nada amadurece, nada nasce. É a ânsia que nos impulsiona para o novo, para as mudanças, para as grandes e certeiras conquistas.

O que sugiro, no entanto, é que você conheça tão bem a atuação de sua ansiedade que possa, na medida do possível, perceber em que momento ela deixa de ser saudável para atuar em razão de uma provável carência ou de um forte sentimento de insegurança. Pois, no momento em que ela transcende o desejo de viver para se tornar um agilizador dos acontecimentos, você pode estragar tudo! Ou melhor, pode assustar as pessoas, fazer com que elas se sintam devoradas por sua pressa e fujam, mesmo que inconscientemente.

Devemos nos lembrar que todas as situações da vida requerem um tempo próprio, uma evolução, um crescente. Quando tentamos empurrar o rio, podemos provocar acidentes, machucar as pessoas e, principalmente, nos machucar. Simplesmente porque não fomos capazes de esperar, de respeitar o tempo natural da vida e das pessoas.
Mesmo que, num primeiro momento, sua ajudinha pareça estar rendendo bons resultados, saiba que, mais adiante, a própria vida se encarregará de impor o seu ritmo e o que estiver fora, voltará para ele, causando sensações ruins, desentendimentos, desilusões e mágoas.

Além disso, a ansiedade não atrapalha a vida da gente somente quando o assunto é paixão. Ela pode colocar a perder muitas outras oportunidades. No trabalho, por exemplo, se nos deixarmos invadir por esse sentimento, podemos atropelar as etapas, prejudicar os colegas e até cometer grandes equívocos vislumbrando um aumento ou uma promoção.
Do mesmo modo, numa relação afetiva, ou diante da possibilidade de iniciarmos uma, se estivermos focados em nossas verdadeiras preferências, em nossos objetivos e em nossa própria felicidade, será bem mais fácil respeitar o tempo de cada etapa da conquista e, principalmente, dar continuidade nessa relação de amor e assim obter sucesso.

Como transformar ansiedade em sabedoria

Para safar-se do excesso de ansiedade, o segredo é: auto-observação! Quando você perceber que deseja muito que algo aconteça, que alguém se interesse por você ou ainda que, depois de interessado, esse alguém assuma você o mais rapidamente possível, traga logo esse desejo desenfreado para o seu foco racional, para a sua atenção. Tente descobrir o que esse excesso de ânsia está encobrindo: talvez uma carência, uma necessidade de auto-afirmação. Enfim, você melhor do que ninguém pode perceber o que faz com que fique tão ansioso e tão refém de um desejo.

Quando deixamos que a ansiedade domine uma situação, certamente tomamos atitudes precipitadas. Mas se estivermos conscientes desse sentimento, teremos condições de pensar antes de agir. Seremos capazes de avaliar se determinada atitude realmente deve ser tomada agora ou se ainda não chegou a hora.
Por Rosana Braga

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Ciúme e desconfiança sob um ponto de vista psicológico



O Inseguro/desconfiado e suas projeções negativas sobre o Outro

É fundamental notar que a desconfiança esteja sempre à procura de um motivo real onde se instalar e, de fato, nem precisa ser tão real assim: basta ser plausível e pronto! Ela se instala!!!

Muito me tem sido perguntado quanto a esta contaminação nociva tão comum nos relacionamentos.

Primeiro, se faz imperativo ressaltar que, esta fantasia de segurança que DEPENDE do outro para se tornar efetiva, não é segurança real, pois depende do Outro para existir.
De fato, em realidade, para o desconfiado/inseguro típico, não importa o que o Outro faça para evita-la, pois a Insegurança estará sempre presente, à espera de um motivo, já que ela não depende de um motivo real, pois emana do EU.
Vice-versa, poderíamos dizer que a Confiança e a Segurança são qualidades energéticas, ou seja, são algo que a gente ENTREGA, pois emana do EU para os Outros, ou então não existe, de modo algum.

É necessário ressaltar o aspecto radiante ou energético da confiança, do amor e da fé. Trata-se de um fenômeno energético, que tem a direção do EU para fora do EU e é projetada sobre o mundo e os outros. Aquele estado, comumente também chamado de confiança e que depende do Outro (ou do que o Outro faça!) para existir ou para se manter, em verdade, não merece este nome, pois não é confiança coisa nenhuma.



Se EU, em nome de minha Insegurança exijo provas diuturnas de que o Outro nada tenha feito para merece-la, então, de fato, de dentro de minha Insegurança, o Outro é CULPADO, a menos que PROVE O CONTRÁRIO, pois a realidade única que eu permito é a da minha DESCONFIANÇA e o Outro, na verdade, não é levado em conta, e sim, desconsiderado e desrespeitado em sua Individualidade, poder de escolha e liberdade. Aí está a raiz psicológica da Democracia aplicada ao campo dos relacionamentos interpessoais.

Para o Inseguro e Desconfiado, o Outro, de fato, nem existe como dimensão psicológica. Ainda que sua existência física e sua presença não possam ser negadas, para o desconfiado/inseguro a percepção psicológica da existência real do Outro ainda não aconteceu, pois a partir de sua imaturidade ele(a) não se relaciona com o Outro e, sim, com o espelho de si mesmo, através de julgamentos, explicações convenientes, condenações, preconceitos, pré-julgamentos de todo tipo, assunções de valor moral e, principalmente, uma imensidão de carimbos moralistas sobre a testa alheia com conotações negativas:
Você me trai! Você não é confiável! ......... E assim por diante..........

É particularmente revoltante conferir que o desconfiado/inseguro (homem ou mulher) não se altera mesmo diante dos mais infundados motivos. O fato é que ele(a) é insensível ao Outro. O fato é que ele(a) não vê na realidade nada além do que ele mesmo cria, nada além daquilo que ele, de forma doentia, quer ver no Outro (sempre o pior, sempre o mais negro, sempre o mais terrível).

Ele só vê no outro o espelho de seu íntimo, nada mais, pois nunca tem a visão real da outra pessoa já que sua guerra é com os seus sentimentos negativos e com a projeção indiscriminada e inconsciente destes sentimentos sobre o Outro. Sua guerra é com a dependência estrita e estreita que ele nutre, todos os dias, com relação a estes sentimentos negativos e depressivos.

É como se ele(a) (desconfiado/inseguro) dissesse, o tempo todo, para o Outro:
Por favor, não me faça isso!!!! Não me traia!!! Não me abandone!!! Não me rejeite, nem me passe pra trás!!! Eu sofreria tanto se isto me acontecesse que acho que seria capaz de perder a cabeça e fazer uma loucura!
Quando, de fato, já é uma loucura fazer o que faz, do jeito que faz...

Excetuando-se os casos em que o desconfiado/inseguro se depare com alguém realmente indigno de confiança e traidor, todas as outras possibilidades, que ele teve, de confiar, serão inapelavelmente desperdiçadas, pois ele não pode se dar ao luxo de confiar: é correr riscos demasiados... é dar a arma pro bandido!!! é demonstrar ingenuidade!!!
Sua imaturidade e sua baixa auto-estima não se remediam em absoluto por esforços de guardar e proteger possessivamente ao Outro; nem se apequena diante de um companheiro(a) que não lhe dê motivos e que se esforce, sabe Deus quanto, para não lhe causar este tipo específico de sofrimento.

Ele vive em uma fantasia negativa e suas projeções inconscientes sobre a Realidade mascaram tanto o que ele vive que, não demora, ele pode já não distinguir o imaginado por ele do real. Sua única chance é procurar ajuda especializada para vencer seus muros de autodefesa e parar, então, de atravancar sua vida de relação (especialmente a conjugal) com seu medo da repetição de um passado possivelmente conflitivo e até traumático.

O testemunho do Outro vale muito pouco, nestas horas negras, pois a desconfiança não permite entrega, não baixa a guarda e o temor engole, em seus subterrâneos mais profundos, todo e qualquer sentimento positivo que se podia nutrir na cena de ciúme e traição que o desconfiado/inseguro constrói.

Ele se parece com um diretor de cinema que sempre vê o mesmo filme, a mesma cena... e, de fato, não importa se ela é ou não real, pois, mesmo que não o seja, ainda assim parece possível (e plausível) aos seus olhos (tornados míopes pelos filtros impiedosos de seus sentimentos negativos)...
O desconfiado/inseguro tem de reconhecer que está (por assim dizer) possuído por sentimentos negativos e que, em função deste fato, vive dando voltinhas sem abordar, de frente, a questão. Se ele(a) não é mais capaz de exercer sua escolha ou sua liberdade nesta questão, justifica-se a necessidade da ajuda especializada.

Uma coisa é certa: Ninguém sofre mais com o ciúme e a insegurança, do que o próprio ciumento/inseguro. Trata-se de um grande desperdício de energia e de vida!
Quem sofre tanto com este problema faria por bem ocupar-se mais (atentar) para aquilo que ele(a) ENTREGA no relacionamento, e menos, com aquilo que ele(a) RECEBE.

Há uma grande responsabilidade envolvida naquilo que ENTREGAMOS nas relações com os Outro, pois existem cargas letais para um relacionamento legítimo e o Ciúme e a Insegurança são, sem dúvida, dois tipos de influências muito nocivas.

Assumir a responsabilidade pelo que ENTREGAMOS nos faz retomar o foco em nós mesmos (e naquilo que emana do EU), assim como nos faz parar de criticar tanto ao Outro, como se ele fosse o nosso obstáculo de plantão na jornada/caminhada na direção da felicidade e da plenitude.


Por Luis Vasconcellos - Psicólogo


Os fios da nossa vida



Toda vez que amamos uma pessoa lançamos, por assim dizer, um fio de nossa energia sobre ela, o que cria uma conexão viva entre os dois campos vibratórios, mesmo à distância. Dessa forma, sentimos quando ela não está bem ou quando pensa em nós intensamente.

Projetamos esse fio de conexão também sobre os amigos, as pessoas que gostamos, os projetos que temos; toda vez que nos identificamos com alguém e alguma coisa, lançamos nela uma parte de nossa energia, criando o vínculo.

Da mesma forma, quando odiamos alguém ou temos medo de algo, também nos ligamos energeticamente, mesmo sem querer. Quantas vezes ouvimos falar de pessoas que durante anos e anos ficaram presas entre si pelo ódio, sempre realimentado, sem conseguir seguir adiante na sua vida...

As situações mal resolvidas no passado formam muitas vezes uma rede de fios que carregamos nas costas (à imagem dos cães que arrastam na neve os trenós nos países gelados ) – continuamos arrastando as lembranças e culpas pela vida afora - e empenhando tanta energia nisso que pouco sobra para estarmos disponíveis para o presente. Ficamos, literalmente, amarrados ao passado.

Vivemos, assim, em meio a uma rede de fios que nos liga às pessoas, situações, ideais, medos, lembranças e esperanças.

Esse vínculo pode ser muito prazeiroso em certas situações, como quando amamos; mas quando o contato termina, muitas vezes sentimos que uma parte de nós ficou com o outro. Embora estejamos nos referindo aos sonhos e expectativas, isso ocorre realmente em termos energéticos.

É necessário puxar o fio de volta, resgatar a energia que ficou projetada sobre o outro, e Integrá-la novamente em si mesmo. Voltar a estar inteiro.

O perdão é uma forma de fazer isso. Ao perdoar o outro, abrimos mão de toda expectativa lançada sobre ele e com isso trazemos de volta toda a nossa energia que com ele estava – seja sob a forma de amor, mágoa, raiva ou desejo de vingança. Ao liberar o outro, nos libertamos também.

Da mesma forma, ao resolvermos internamente alguma situação do passado - aceitando as coisas da forma como aconteceram, mesmo que não tenha sido da maneira como esperávamos - recebemos de volta a energia lá investida e que até aí estava paralisada.

Ao fazer isso, fecha-se a brecha, e nos tornamos mais completos novamente. O que o outro faz não nos afeta mais. O que aconteceu é passado. Nos tornamos mais atentos ao presente. E, principalmente, mais disponíveis para a vida.

Sonia Weil é professora de Comunicação Social e pesquisadora na área de Numerologia, onde atua com consultas, cursos e palestras desde 1986. Realiza também palestras e workshops sobre a Lei da Atração (do filme O Segredo) em empresas e institutos esotéricos.

Solte a velha bagagem e renove-se para avançar!


Nossas limitações na compreensão acerca da realidade divina fazem com que criemos a ilusão de que somos detentores de poderes, conhecimentos, sabedoria e energias; lutamos ferrenhamente contra qualquer invasor ou raptor dessas nossas "posses", somos apegados a tudo o que acreditamos ser nosso. Porém, nada do que existe na dualidade é real.

Com estas crenças, quando conseguimos chegar a um ponto em que nos sentimos mais bem sucedidos e em posse de conquistas, inevitavelmente, nos sentimos inseguros por acreditarmos que seremos "invejados, cobiçados e roubados" em nossas posses. Contra isso, criamos um esquema de segurança e gastamos muita energia na tentativa de nos protegermos dos ataques daqueles que querem o que é nosso. Diante destas sensações e medos, ao invés de aproveitarmos aquilo que já conquistamos, para prosseguirmos, ficamos estagnados, em vigilância, para detectarmos os possíveis ataques e furtos que possamos sofrer.

Tudo o que estou descrevendo, em termos de roubo, assédio, ataques e furto, acontece na dinâmica oculta, dentro da trama energética e inconsciente que criamos com o mundo, isto ocorre na "Matrix", naquele mundo oculto que só é descoberto quando há um forte propósito em buscar a transformação pessoal.

Como estamos mergulhados na dualidade (onde tudo é ilusão), não há como não sentirmos os efeitos essa interação dentro de nossas teias energéticas, sentimos grande desconforto, medo de perder, medo de sermos injustiçados. Assim, sempre que conseguimos alcançar um determinado ponto mais elevado em nossa trajetória de vida, mesmo que tenhamos muita consciência de que essa sensação de roubo é ilusória, infelizmente, dentro dessa dinâmica energética, tudo nos parece muito real, tudo é muito intenso, sentimos muita dor e desespero quando sentimos que existem energias intrusas, invasivas e oportunistas em nosso encalço, temos a sensação de que há alguém à espreita, esperando que conquistemos algo para então nos "atacar dissimuladamente, sugar nossas energias e roubar as energias-consciência de nossos feitos". Tudo se torna muito real porque quando somos "puxados" para dentro da trama energética da pessoa que quer pegar o que é nosso, nos sentimos sugados e drenados, quase destruídos. Se olharmos para o "gatuno", após o "roubo", conseguiremos perceber em seus olhos a força que ele conquistou através do que nos tirou, percebemos sua satisfação e vaidade por ter conquistado poder às nossas custas e nos tirado esse poder.

Sendo assim, temos que aceitar e precisamos olhar para essa questão de outra forma, para não nos perdermos dentro dessa trama. Se possuímos algo (conquistas em níveis de energia-consciência daquilo que criamos) que é alvo de cobiça e inveja, significa que conseguimos alcançar um nível que a outra pessoa não conseguiu alcançar. Sempre que chegamos a um lugar mais alto em nossa escalada, não necessitamos mais das ferramentas que usávamos nos níveis abaixo, ou seja, todas as energias, condições, capacidades e potenciais que geramos e criamos para chegarmos àquele ponto, foram adequadas somente para chegarmos até ali.

A partir da chegada, iremos prosseguir e criar novas condições e energias-consciência dentro desses novos níveis de energia, desse novo patamar. Isto significa que essa velha energia-consciência é uma bagagem desnecessária e, inclusive, irá pesar e nos aprisionar nas velhas referências de conquistas, pois teremos que chegar praticamente livres de qualquer contaminação relacionada às crenças e condições anteriores, que nos impulsionavam nos níveis inferiores.

Criamos e carregamos a velha bagagem por muito tempo e isso fez com que acreditássemos que ela é imprescindível à nossa sobrevivência até o final de nossos dias. Mas a partir do momento em que conseguirmos nos superar e conseguimos evoluir a ponto de entrarmos em freqüências vibratórias mais elevadas, essa mesma bagagem já não faz mais sentido de existir. Porém, nos sentimos "seguros e protegidos" com ela, acreditamos que não poderemos entrar num novo caminho sem nenhuma bagagem e isso faz com que nos apeguemos a ela.

Claro que esse apego não é saudável, pois não conseguimos dar nenhum passo para adentrar o novo caminho, se estivermos carregados com o velho. Nesse caminho, a condição é de renovação, sem nada do que é anterior, com foco no novo. Enfim, se queremos entrar nesse novo caminho, num nível mais elevado de vibrações, temos que chegar de mãos vazias, somente podemos levar a energia de nosso coração puro, cheio de vontade de finalmente assumir o poder sobre nós e nos guiar amorosamente. Mas, infelizmente, neste ponto o ego se recusa a descarregar a bagagem velha, ele até está disposto a se entregar um pouco mais para o coração, mas não está disposto a abrir mão de sua pseudo-segurança. Ficamos num ponto em que estagnamos.

Se não conseguimos deixar nossa velha bagagem para trás e precisamos fazer isso, torna-se então muito favorável que um "gatuno" se aproveite desse nosso momento de conflito interno e roube o objeto de seu desejo: nossa bagagem! No momento em que ele nos rouba, nos sentimos feridos, machucados mesmo, sentimos um grande sentimento de injustiça que nos invade e não conseguimos nos conformar com o que nos aconteceu, pensamos não ser justo alguém chegar e nos roubar a bagagem que por tanto tempo criamos e carregamos. Sentimos a dor de uma criança quando alguém lhe tira um objeto muito precioso.

Caso isso nos ocorra, deveremos permitir que esse "roubo" aconteça, com aceitação, e deveremos experimentar as sensações da criança traída e roubada, isto poderá nos remeter à velha dor tão conhecida de nossa criança ferida, há muito tempo. Acessando essa dor, iremos liberar a energia aprisionada dentro dessa questão e isso será libertador. Depois que lavarmos a alma sentindo a dor e/ou chorando, nos sentiremos renovados e fortalecidos.

Sem a velha bagagem, que não continha nada de importante para nosso novo momento, a leveza tomará conta de nosso ser. A energia pesada da bagagem estava nos mantendo presos e para o novo chegar, é preciso que o velho dê lugar a ele. A sensação de desproteção que acreditávamos que sentiríamos quando nos tirassem a bagagem, não acontece. Ao contrário, nos sentimos revigorados, as novas energias tomam conta de nós, um novo ânimo se instala, uma força renovadora acontece em nosso ser. Respiramos fundo, satisfeitos e leves, felizes com as novas possibilidades que se mostram à nossa frente. Estamos renovados para trilhar nossa nova etapa, dentro de níveis de freqüência mais elevados.

Por Maria Teresa Pascotto


Você espera ou faz acontecer?


Com certeza, existe uma sabedoria em esperar e também em fazer as coisas acontecerem... E nada como viver e ir enfrentando os desafios da vida para, ora assumir uma postura, ora outra.

Depois de mais de dez anos, Ruth voltou a me procurar e fiquei triste com a sua vida atual, separada depois de dois casamentos, filhos criados, ela estava triste e amargurada com a vida.

Quis me ver novamente porque tinha esperança que esse contato com a espiritualidade, com os mentores pudesse aliviar sua dor e, de fato, vieram explicações sobre o seu sentimento de abandono e impotência.

Porém, se estamos encarnados para resolver nossas questões também temos uma ação importante no mundo objetivo e ela confessou que não tinha se dedicado o suficiente na lição de casa passada na época. E os mentores lembraram a Ruth do seu perfil guerreiro, lutador e pouco paciente, características que imperam em sua vida.

Ela confirmou, inclusive, fora orientada sobre uma mudança importante e que deveria aprender a lidar com mais paciência com as pessoas e desenvolver o amor, a tolerância que promovem a troca nos relacionamentos, coisa que não fez. Depois do nosso encontro, ela prometeu que iria tentar mudar, pois não queria mais sofrer.

Na mesma semana, encontrei Claudio, um cliente da mesma época, porém, com uma trajetória completamente diferente. Ele agiu como foi indicado, harmonizou-se com a família e começou encarar seus desafios de forma muito mais otimista. E olha que a vida dele não era nada fácil, estava preso a um casamento falido, consciente do sacrifício, pois queria criar o filho excepcional, junto com a mãe da criança.

Vejo que ele era uma pessoa muito especial, pois tudo o que ele fez exigiu muita doação e coragem. No decorrer desses anos, vendo a dificuldade em educar uma criança com problemas, criou uma ONG para ajudar famílias carentes com o mesmo tipo de questão. Sua esposa se formou professora e foi trabalhar na instituição. Hoje, seu filho está se formando e ele está feliz num segundo casamento. Conversando no supermercado, onde nos encontramos, ele me agradeceu pelo caminho que trilhamos juntos anos atrás.

"Sabe, Maria Silvia, na época foi duro compreender que a mudança estava em mim. Estava revoltado com o problema do meu filho e muito infeliz com a vida. Porém, quando compreendi que uma mudança dependia em primeiro lugar de minhas atitudes, comecei fazendo as pazes com a dor... e abrindo a mente e o coração para enxergar os outros. Estava sofrendo tanto que olhava apenas para o sofrimento e, justamente por isso, era egoísta, pois não conseguia ver o outro. Mudei bastante e o universo passou a conspirar a meu favor. Hoje, trabalho muito para manter tudo o que criei, mas sou feliz".

Pois é, amigo leitor, numa mesma semana, o desdobramento de duas histórias. Uma feliz e outra bem triste. A grande diferença entre elas foi como essas pessoas encararam o sofrimento. Um se abriu para a vida e fez acontecer, enquanto a outra esperou das pessoas e da vida soluções e, com isso, abriu mão do seu poder, da sua ação.

Assim, amigo, coragem! Faça sua parte e pare de reclamar porque isso não resolve nada. Torço para que Ruth tenha forças para fazer sua vida mais feliz e torço por você também, porque mudar a vida depende de cada um de nós.

Por Maria Silvia Orlovas

Psicossomática III: O Inconsciente - Parte III



As doenças e seus sintomas são expressões do inconsciente, assim como os sonhos. Por isso é importante resolvermos os conflitos internos para impedirmos que o inconsciente se comunique através da linguagem do corpo. Mas como entender essa parte da mente tão misteriosa? O inconsciente não é lógico, mas primitivo e antigo. Sendo assim, ele não se exprime em palavras racionais ou pensamentos realistas e, sim, através de imagens, fantasias e, principalmente, sensações físicas.
No inconsciente, ficam os conteúdos que alteram e influenciam o comportamento, tudo que é considerado agressivo à consciência. Pode-se dizer que o inconsciente é semelhante a um porão, onde se guarda tudo que não queremos ver e onde há bem mais coisas que imaginamos.

Cada vez que acontece algo que nos magoa profundamente, como decepções, traições, perdas, estas vão aos poucos se somando e acumulando, transformando-se em ressentimentos, mágoas, frustrações, que podemos negar conscientemente, mas tudo fica registrado em nosso inconsciente.

Geralmente quando acontece algo, nossa mente busca mecanismos de defesa para evitar a dor, e os mais comuns são a negação e a repressão; assim, negamos o que sentimos, ou reprimimos. Tais lembranças são reprimidas no inconsciente como forma de defesa e censura interna. Nossa mente recorre ainda a outro mecanismo de defesa, a conversão, onde os conflitos emocionais são convertidos em sintomas físicos.
Mas conforme outras situações acontecem trazendo mais dor e não conseguindo se expressar nem ser compreendida pelo consciente, elas não somem simplesmente, mas são guardadas em nosso inconsciente; onde vaão se somando às anteriores até um momento que a mente não suporta mais e busca um canal de expressão: o corpo. Isso é a somatização.

Os conflitos vão sendo somados até conseguirem se expressar. É importante entender que não são os traumas que nos tornam doentes, mas sim a incapacidade de expressá-los, por isso se torna tão importante identificarmos nossos sentimentos e conseguirmos expressá-los, ao menos para nós mesmos. Porém, como nem sempre identificamos ou expressamos nossos sentimentos quando ocorrem, sendo muitas vezes originados durante nossa infância, a doença surge para nos mostrar que é preciso identificar algum conflito que ficou do passado. Mesmo que um sentimento seja inaceitável por parte de seu ser consciente, alerta, racional, isso não quer dizer que tal sentimento deixe de existir, mas será reprimido no inconsciente de maneira automática.
Por exemplo, você se encontra numa situação que o faça sentir raiva. Esta raiva pode ser inaceitável por parte de seu consciente, mas sem a consciência desse sentimento, você a reprime. Conforme reprimimos aquilo que nos afeta, a tensão vai sendo acumulada até que consiga uma maneira de ser extravasada. Para aliviar essa tensão imposta pelos conflitos reprimidos, o inconsciente pode se expressar por meio da linguagem fisiológica. Assim sendo, o inconsciente expressa através do corpo aquilo que nossa psique não conseguiu elaborar. É quando se torna importante a psicoterapia.

Uma das finalidades da psicoterapia é a de tornar consciente aquilo que tenha sido anteriormente inconsciente, visando a solução das dificuldades com a mente consciente e racional. Quando há um maior entendimento das causas dos sintomas em nosso corpo, entendendo esse processo inconsciente e, principalmente, o que ele tenta nos mostrar através dos sintomas, com maior facilidade poderemos encontrar a cura.

Caso esteja tendo sintomas recorrentes ou não, procure um profissional com especialização em Psicossomática, que poderá orientá-lo como entender melhor essa linguagem do inconsciente que expressa as emoções em nosso corpo.
A aceitação e a elaboração de todo esse processo que muitas vezes nos é mostrado através dos sintomas, conduz-nos ao caminho da cura, do equilíbrio, que nada mais é que a busca de si mesmo, o self, termo usado na terminologia de Jung.

Muitas pessoas resistem a esse encontro consigo mesmo, preferindo recorrer apenas ao uso de remédios, o que muitas vezes são apenas paliativos que não eliminam a causa.
O objetivo com a psicoterapia e o confronto com os próprios sentimentos não é criar uma ferida, pois, na verdade, a ferida já está lá. Ela não surge no momento em que é identificada, somente se torna mais consciente.
É através desse passo de coragem, confrontando aquilo que está dentro de você é que se poderá obter a possibilidade de cura. Fique atento à sua linguagem corporal. O que seu inconsciente pode estar querendo lhe dizer?
Por Rosemeire Zago

Psicossomática II: O sintoma como expressão da alma - Parte II



Psicossomática II: O sintoma como expressão da alma

O melhor remédio para o homem é o homem.
O mais alto grau da cura é o amor.
Paracelso


Quando ficamos parados, estagnados, acomodados, muitas vezes recebemos sinais através de nosso corpo que é preciso fazer algo. Os sintomas, assim como as doenças, geralmente nos trazem uma mensagem que é preciso olhar para dentro de nós mesmos e perceber onde paramos, onde deixamos de crescer. Adoecemos quando nos desviamos da essência, da busca, quando deixamos essencialmente de trocar. Quando não há troca, se morre. Já percebeu que quando duas pessoas envolvidas emocionalmente param de trocar, o relacionamento adoece ou acaba? O mesmo acontece conosco. Se há estagnação, não há evolução e surge a doença. O sintoma é uma denúncia que não está tendo troca em alguma área da vida. Quando há um sintoma e/ou doença é importante questionar onde parou de evoluir, trocar. Nossa sociedade não busca a troca, mas o acúmulo. Quando não há troca, evolução, há estagnação, doença, morte. Vida é evoluir, trocar. Observe sua vida e responda a si mesmo: Em que aspecto de minha vida não há mais troca? Há seis instâncias humanas que refletem como estamos agindo diante da vida, elas são:
- físico
- sentimental/emocional
- espiritual
- profissional
- familiar
- social

Em que área de sua vida não tem havido troca e crescimento? Será que está dando mais atenção a uma área para fugir de outra que se encontra em conflito? Por exemplo, é muito comum uma pessoa trabalhar em excesso, saindo cedo e chegando tarde em casa, evitando confrontar com as dificuldades que existem no ambiente familiar, ou até, se sobrecarregar, ter muitos compromissos, evitando pensar e entrar em contato com os próprios sentimentos. Pode também acontecer de haver um conflito familiar que se reflete na relação afetiva. Ou ainda, um conflito interno, pessoal e que se reflete em alguma área. Ou seja, quando há um conflito, ainda que não seja percebido ou vivenciado de maneira consciente e negamos, esse conflito pode se refletir em nosso físico, pois nosso inconsciente sabe muito bem tudo que sentimos.

O meio de expressão do corpo é a linguagem simbólica, apesar de que muitos jamais cheguem a compreender o que lhes diz o próprio corpo. E os sintomas são expressões simbólicas que, de forma violenta, violam e denunciam conflitos não resolvidos da alma, mas muitas pessoas preferem tomar um comprimido a ter que se confrontar e aprofundar na busca das causas de seus conflitos. Escolhem terceirizar a responsabilidade da cura para o médico, os remédios, sem perceber que a capacidade de cura está dentro delas mesmas. Mas quando um sintoma se manifesta no corpo, chama atenção e interrompe muitas vezes a continuidade do caminho que estávamos até então percorrendo, muitas vezes como um sinal de advertência, indicando que alguma coisa não está em ordem, não está havendo harmonia em alguma área de sua vida, ou ainda, como reflexo de todo um histórico.

O sintoma nos avisa que estamos doentes e que o equilíbrio de nossas forças interiores está comprometido. É quando devemos desviar o olhar do sintoma e examinar tudo com mais profundidade, a fim de compreender para que o sintoma está apontando. O sintoma nos informa que está faltando alguma coisa. Isso nos leva a perguntar: O que está faltando? Ou, estou no caminho certo?

Como disse o escritor Peter Altenberg: A doença é o grito de uma alma agredida. Ao surgir uma doença, observe seus sintomas e pense onde sua alma foi agredida, e porque permitiu que isso acontecesse. Analise com precisão em que momento surgiu o problema. Tente lembrar-se de sua situação de vida, seus pensamentos, sonhos, dos acontecimentos e das notícias que recebeu, pois tudo isso pode ter contribuído para o surgimento do sintoma. O ponto exato no tempo em que o sintoma se manifesta pode nos dar informações importantes. Um sintoma geralmente tem mais do que um significado e serve para simbolizar diversos processos inconscientes. Raramente há uma única causa para resultar num sintoma.

Na verdade, quando ficamos parados, adoecemos porque existe algo mais forte, a nossa essência, o self, nosso verdadeiro eu, que nos impulsiona para o crescimento, é quando o inconsciente começa a exigir uma evolução da vida. Enquanto houver a negação do conflito, ele buscará uma forma de se manifestar com o intuito de ser confrontado e elaborado, surgindo os sintomas físicos e psíquicos. Os sintomas são partes da sombra da nossa consciência que se precipitaram em forma física. É no sintoma que se manifesta aquilo que nos faz falta. Ou seja, as doenças e seus sintomas são sinais de alarme de nossa psique nos avisando que há algo muito mais profundo pedindo atenção, e cabe a cada um de nós entendermos a linguagem do próprio corpo. Lembre-se: a doença é um ato criativo da alma buscando a vida, ou o amor. Pense nisso!


Por Rosemeire Zago

Psicossomática I: A relação entre corpo e psique - Parte I

"Não é um corpo, não é uma alma, é um homem" Montaigne

Você já teve uma dor de garganta ou ficou rouco logo depois de uma situação a qual você foi insultado, humilhado e nada conseguiu responder? Quantas vezes queremos responder a uma crítica, um comentário, um insulto, mas nos calamos para evitar maiores conseqüências ou por não conseguirmos responder? Ou ainda, você já teve dor de estômago, gastrite, úlcera, e ouviu dizer que era por tantos sapos que havia engolido? O "sapo", no caso, foram os desaforos ouvidos e engolidos. Quantas vezes você quis vomitar uma situação? Analise você mesmo como suas emoções causam mudanças imediatas em seu físico. Lembre-se da vez em que ficou tão nervoso que teve uma diarréia. Ou ainda, quando ficou muito tenso e sentiu dor de cabeça. E quando ficou com uma alergia horrível durante anos e ninguém descobria a causa? Com um pouco de autoconhecimento podemos perceber que nosso corpo reflete nossas emoções, principalmente aquelas que reprimimos.

Existe uma área da medicina, a Psicossomática, a qual estuda as relações mente-corpo, a influência dos fatores psíquicos nos distúrbios físicos, e que profissionais da área da medicina e psicologia recorrem para entender a origem de determinadas doenças, as quais não estão incluídas as hereditárias, genéticas e as causadas por fatores do meio ambiente, porém, os danos podem ser aumentados em decorrência da tensão psíquica, onde o estado emocional freqüentemente pode determinar o curso da doença. Mas ainda há, infelizmente, muitos profissionais da área da saúde, que buscam entender apenas a doença e não a pessoa como um todo, desprezando completamente o ser humano em sua totalidade, recorrendo a paliativos que distanciam ainda mais o encontro da causa e dificultando ainda mais a remissão da doença. Muitas vezes, a própria pessoa prefere um medicamento em substituição a uma psicoterapia ou outro recurso que a ajude a trabalhar sua psique. A medicação é considerada por muitos como a melhor solução, talvez a mais fácil, e a maioria das pessoas quer soluções rápidas e mágicas. É evidente que em muitos casos a medicação se torna imprescindível, mas é preciso entender que nem sempre elimina a causa, sendo apenas um paliativo que alivia os sintomas. É importante observar se, por trás do mal físico que o aflige, há questões psicológicas sobre as quais se pode interferir.

Mas o que faz realmente com que adoeçamos? Reprimir sentimentos é uma das causas mais significativas para a causa dos males no corpo, ou seja, as doenças surgem e se agravam por causa da dificuldade das pessoas expressarem seus sentimentos, sendo muito mais suscetíveis a manifestarem no corpo o que não estão conseguindo resolver na psique. O fator que leva ao surgimento de sintomas somáticos ou ao agravamento de doenças é a queda na imunidade, pois as emoções atingem primeiramente o sistema imunológico. É comum quando se está enfrentando um conflito, a pessoa ficar com gripe ou surgir um herpes, que surgem quando a imunidade abaixa. Ou seja, qualquer distúrbio orgânico tem ligação com estados emocionais, conscientes ou inconscientes, recentes ou não.

Quantas vezes pensamos ter resolvido um problema que nos aflige, quando na verdade, apenas o deixamos de lado, deixando guardados em nosso coração, mágoas, ressentimentos, raiva, frustrações, que ao longo dos anos vão se somando? Não é o fato de não falarmos ou pensarmos sobre algo que nos machucou que isso quer dizer que não machuca mais, pode simplesmente ter sido reprimido em nosso inconsciente, e mesmo não pensando sobre ele conscientemente, nosso inconsciente continua a atuar.

O corpo é como uma tela onde as emoções são projetadas. E as emoções negativas são projetadas em forma de doenças. Essas somatizações acontecem a curto ou longo prazo, onde cada mente e corpo reage de acordo com seu próprio tempo, e todos os sentimentos negativos que vamos reprimindo podem dar origem as doenças se guardados por muito tempo. Por isso, devemos resolver as questões que nos aflige, aborrece, evitando assim que nosso inconsciente se comunique através da linguagem do corpo, pois é fato que o fator psíquico predomina, constituindo a origem de quase todas, senão todas, as doenças adquiridas ao longo da vida.


Por Rosemeire Zago


No exercício do amor, você pratica alegria ou tirania?


Estranho paradoxo o que a maioria dos casais experimenta: ao mesmo tempo em que desejam sinceramente serem felizes e fazer com que o relacionamento dê certo, sem se darem conta vão agindo no sentido de armar uma verdadeira guerra um contra o outro. Ou seja, buscam a alegria, mas pelo caminho da tirania. Resultado? Não dá certo!

Alegria é resultado de atitudes leves, que incluem compreensão, ponderação, reflexão, paciência, capacidade de colocar-se no lugar do outro, aprender a relevar, desculpar, não endurecer tanto, não acusar tanto, olhar para si mesmo e buscar um comportamento mais equilibrado... Ao passo que a tirania é a conduta arrogante e prepotente de quem sempre tem razão e é incapaz de aceitar as diferenças, de concordar que o outro pode pensar e sentir de modo adverso e, ainda assim, ambos terem razão. As suas razões.

Claro que muitas pessoas imediatamente reagem a esse tipo de acusação dizendo que não são assim, que não se consideram sempre certos. Porém, pergunto: se você está brigando e discutindo com alguém, o que mais está fazendo senão tentando provar que ele está equivocado e que você está certo? Afinal, esta é a base de qualquer crise – um descordar do outro!

Não estou querendo insinuar que num relacionamento nunca haverá discordâncias. Isto é impossível. O que proponho é uma reflexão sobre o quanto elas são recorrentes e o quanto têm se tornado um jeito de exercitar o amor. Sim, porque muitas pessoas terminam considerando as constantes brigas e discussões como normais. E embora sintam o peso deste clima, a tensão e a falta de alegria, continuam presas nesta dinâmica doentia e destrutiva.

Como mudar? Como sair deste círculo vicioso? Como para a maior parte das perguntas sobre relacionamentos, começaria dizendo que a solução é simples, mas nem por isso fácil! Aliás, por ser tão simples, mas tão profunda e exigir tanta autenticidade, não é mesmo nada fácil. Mas é possível e, sobretudo, vale muito a pena!

Comece considerando a única verdade sobre relacionar-se: é preciso que você faça a sua parte e se responsabilize por ser o melhor que pode, a cada dia. Isso quer dizer que enquanto você continuar discutindo, gritando e tentando convencer o outro de que está com a razão, bem pouco vai adiantar e dificilmente vão se entender!

Pare e ouça. Sim, ouça o que o outro está dizendo. Se não entender, pergunte! Interesse-se por descobrir o que ele está sentindo, o que está pedindo, do que sente falta, o que quer, como quer, quanto quer! Nenhuma solução pode ser encontrada se você não souber e compreender exatamente o que está acontecendo no seu relacionamento.

E acredite: não se trata de submissão ou de fazer o que você não quer. Não se trata de se desrespeitar ou ignorar seus limites. Não! Trata-se de flexibilizar, crescer, rever conceitos e crenças. Trata-se de aprender e evoluir! Isto é relacionar-se de verdade.

Cada vez que você se disponibiliza a pelo menos tentar (mas tentar de verdade, com todo seu coração) a conciliação, em vez de se desgastar apontando os erros e as limitações do outro, você está, de fato, praticando o exercício de amar!
Por Rosana Braga