sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A armadilha da auto-sabotagem




A Armadilha da Auto-Sabotagem

Por Bel Cesar


"Há momentos da vida que reconhecemos que estamos prontos para dar um novo salto, para efetivar uma mudança profunda. Nos lançamos num novo empreendimento, numa nova relação afetiva, mudamos de cidade e até mesmo de apelido.

 Mas, aos poucos, nós nos pegamos fazendo os mesmos erros de nossa vida passada. É como se tivéssemos dado um grande salto para cair no mesmo buraco. Caímos em armadilhas criadas por nós mesmos. Nos auto-sabotamos. Isso ocorre porque, apesar de querermos mudar, nosso inconsciente ainda não nos permitiu mudar! 

Em nosso íntimo, escutamos e obedecemos, sem nos darmos conta, ordens de nosso inconsciente geradas por frases que escutamos inúmeras vezes quando ainda éramos crianças. Toda família tem as suas. 
Por exemplo: Não fale com estranhos é uma clássica. Como a nossa mente foi programada para não falar com estranhos, cada vez que conhecemos uma nova pessoa nos sentimos ameaçados.
 Uma parte de nosso cérebro nos diz abra-se e a outra adverte cuidado. 

Num primeiro momento, o desafio em si é encorajador, por isso nos atiramos em novas experiências e estamos dispostos a enfrentar os preconceitos. No entanto, quando surgem as primeiras dificuldades que fazem com que nos sintamos incapazes de lidar com esse novo empreendimento, percebemos em nós a presença desta parte inconsciente que discordava que nos arriscássemos em mudar de atitude: Bem que eu já sabia que falar com estranhos era perigoso. 

Cada vez que desconfiamos de nossa capacidade de superar obstáculos, cultivamos um sentimento de covardia interior que bloqueia nossas emoções e nos paralisa. 
Muitas vezes, o medo da mudança é maior do que a força para mudar. 
Por isso, enquanto nos auto-iludirmos com soluções irreais e tivermos resistência em rever nossos erros e aprender com eles, estaremos bloqueados. Desta forma, a preguiça e o orgulho serão expressões de auto-sabotagem, isto é, de nosso medo de mudar. 

Dificilmente percebemos que nos auto-sabotamos. Nós nos auto-iludimos quando não lidamos diretamente com nosso problema raiz. 

A auto-ilusão é um jogo da mente que busca uma solução imediata para um conflito, ou seja, um modo de se adaptar a uma situação dolorosa, porém que não represente uma mudança ameaçadora. 
Por exemplo, se durante a infância absorvemos a idéia de que de ser rico é ser invejado e assim menos amado, cada vez que tivermos a possibilidade de ampliar nosso patrimônio nós nos sentiremos ameaçados!
Então, passaremos a criar dívidas, comprando além de nossas possibilidades, para nos sentirmos ricos, porém com os problemas já conhecidos de ser pobres. Não é fácil perceber que a traição começa em nós mesmos, pois nem nos damos conta de que estamos nos auto-sabotando!

Na auto-ilusão, tudo parece perfeito. Atribuímos ao tempo e aos outros a solução mágica de nossos problemas: com o tempo a dor de uma perda passará; seu amado irá se arrepender de ter deixado você e voltará para seus braços como se nada houvesse ocorrido.
 No entanto, só quando passarmos a ter consciência de nossos erros é que não seremos mais vítimas deles!

Temos uma imagem idealizada de nós mesmos, que nos impede de sermos verdadeiros. Produzimos muitas ilusões a partir desta idealização. Muitas vezes, dizemos o que não sentimos de verdade. Isso ocorre porque não sentimos o que pensamos!

Muitas vezes não queremos pensar naquilo que sentimos, pois, em geral, temos dificuldade para lidar com nossos sentimentos sem julgá-los.
 Sermos abertos para com nossos sentimentos demanda sinceridade e compaixão. Reconhecer que não estamos sentindo o que deveríamos sentir ou gostaríamos de estar sentindo é um desafio para conosco mesmos.

 Algumas de nossas auto-imagens não querem ser vistas! 

É nossa auto-imagem que gera sentimentos e pensamentos em nosso íntimo. Podemos nos exercitar para identificá-la. Mas este não é um exercício fácil, pois resistimos em olhar nosso lado sombrio.
 No entanto, uma coisa é certa: tudo que ignoramos sobre nossa parte sombria, cresce silenciosamente e um dia será tão forte que não haverá como deter sua ação.

Portanto, é a nossa auto-imagem que dita nosso destino.

O mestre do budismo tibetano Tarthang Tulku, escreve em seu livro The Self-Image (Ed. Crystal Mirror): A auto-imagem não é permanente.
 De fato, o sentimento em si existe, no entanto o seu poder de sustentação será totalmente perdido assim que você perder o interesse por alimentar a auto-imagem.

 Nesse instante, você pode ter uma experiência inteiramente diferente da que você julgou possível naquele estado anterior de dor. É tão fácil deixar a auto-imagem se perpetuar, dominar toda a sua vida e criar um estado de coisas desequilibrado...

 Como podemos nos envolver menos com nossa auto-imagem e nos tornar flexíveis? Somos seres humanos, não animais, e não precisamos viver como se estivéssemos enjaulados ou em cativeiro. No nível atual, antes de começarmos a meditar sobre a auto-imagem, não percebemos a diferença entre nossa auto-imagem e nosso 'eu'. Não temos um portão de acesso ou ponto de partida. Mas, se pudermos reconhecer apenas alguma pequena diferença entre a nossa auto-imagem e nós mesmos, ou 'eu' ou 'si mesmo', poderemos ver, então, qual parte é a auto-imagem.

A auto-imagem pode representar uma espécie de fixação. Ela o apanha, e você como que a congela. Você aceita essa imagem estática, congelada, como um quadro verdadeiro e permanente de si mesmo, explica Peggy Lippit no capítulo sobre Auto-Imagem do livro Reflexões sobre a mente organizado por seu mestre Tarthang Tuku (Ed. Cultrix).

Na próxima vez que você se pegar com frases prontas, aproveite para anotá-las! Elas revelam sua auto-imagem e são responsáveis por seus comportamentos repetitivos de auto-sabotagem. Ao encontrar a auto-imagem que gera sentimentos desagradáveis, temos a oportunidade de purificá-la em vez de apenas nos sentirmos mal. O processo de autoconhecimento poderá então se tornar um jogo divertido e curioso sobre nós mesmos!"

O despertar de uma alma



Auto-acolhimento  -  O despertar de uma alma

"Não importa a razão: quando nos sentimos desajustados em nós mesmos, tornamo-nos reféns de nossa própria autocrítica. Muitas vezes, quando passamos alguma vergonha (seja por algum motivo relevante ou não) ficamos presos a um estado interno que nos coloca cada vez mais para baixo. O mesmo pode ocorrer quando somos agredidos ou simplesmente fomos mal atendidos. 

Quando o desconforto próprio ou alheio entra dentro de nós, só nos resta cuidar deste mal-estar. Se os outros (ou nós mesmos) nos tratam mal, ainda assim, podemos nos tratar bem! A alavanca para mudar este sistema é saber nos autoacolher.

Autoacolhimento é estar disponível para nós mesmos: abrir espaço interior para nos recebermos. Mas, se nossa linguagem interna soar hostil, não iremos querer nos autoescutar. Naturalmente, se nos sentirmos desconfortáveis, vamos querer cair fora, mas para onde ir quando o mal-estar está instalado em nosso íntimo?

A primeira coisa a fazer é parar de nos colocar para baixo. Dizer a nós mesmos repetidas vezes: "Ok, isso de fato ocorreu, agora cabe a mim diluir esse impacto, escolho me autoacolher". Quando agimos assim, acionamos nossa base interna de segurança, pois, passamos a estar disponíveis para nos receber ao invés de nos criticarmos ainda mais.

Autoacolher-se não quer dizer ser condescendente com os próprios erros. Mas, sim, tratar a nós mesmos com gentileza à medida em que admitimos nossas falhas. 

Autoacolher-se não quer dizer justificar nossa fraqueza como vítimas de consequências injustas. Mas, sim, dar a nós mesmos a chance de nos levantarmos assim que caímos. 

Quando pararmos de nos rejeitar, conseguiremos nos aproximar de nós mesmos a ponto de escutar nossas reais necessidades internas. A questão é que muitas vezes estamos tão sobrecarregados pela sensação de não nos sentirmos atendidos, que sequer conseguimos escutar nossos pedidos internos. Mas, à medida em que permanecemos ao nosso lado, mesmo que inconformados com o ocorrido, passamos a nos escutar.

Validar nossas necessidades é outra forma de nos autoacolher. Depois que reconhecemos o direito de nos darmos algo, agora precisamos agir de modo coerente para recebê-lo. Se quisermos ser respeitados em nossos limites, precisaremos inicialmente ser sinceros para reconhecê-los. 

Por exemplo, muitas vezes dizemos, sim, quando na realidade queríamos dizer não, simplesmente porque não levamos a sério nossos limites e necessidades. Isso ocorre porque não aprendemos a escutá-los. O medo de lidar com a decepção alheia é um reflexo da incapacidade de nos auto-acolhermos diante de nossos próprios limites!

Portanto, podemos sempre ampliar nossas possibilidades internas na medida em que nos mantivermos em contato com nossa base interior. Esta não é uma atitude egocentrada, na qual o outro não é levado em consideração. 
Mas, simplesmente, parte do processo diário do desenvolvimento interior. Sabermos nos respeitar é uma forma saudável de liberarmos o outro de nossas expectativas exageradas. 

Quando nos autoacolhemos, podemos ser quem somos. Livres da pressão interna de corresponder a expectativas que ainda não estamos prontos para cumprir, podemos relaxar e gradualmente gerar novas forças para seguir adiante. Uma vez confortáveis com nossa base interior, podemos nos preparar para receber melhor o outro, seja em sua alegria ou desconforto"

Bel Cesar
é psicóloga, pratica a psicoterapia sob a perspectiva do Budismo Tibetano desde 1990. Dedica-se ao tratamento do estresse traumático com os métodos de S.E.® - Somatic Experiencing (Experiência Somática) e de EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares).



É possível resgatar uma relação infeliz?




É POSSÍVEL RESGATAR UMA RELAÇÃO INFELIZ?

Reflita se é hora de salvar ou terminar seu relacionamento

Por: Bruna Rafaele

No mundo em que vivemos, ainda é muito normal encontrar pessoas apegadas ao passado e sem ânimo para mudar a sua vida afetiva. Com isso, vivem acorrentadas a um relacionamento, com medo de se arrepender ao dar um ponto final, pelo fato de não terem certeza de que vão encontrar alguém melhor no futuro. Mas será que isso vale a pena? Será que é preciso ficar infeliz para sempre do lado de alguém só para manter o estado civil?

Há, ainda, aquelas pessoas que preferem acreditar na instituição "casamento" como um porto seguro, mas buscam o prazer carnal em relacionamentos extraconjugais, sem se soltarem do parceiro com quem casaram. Comportamentos desse tipo só demonstram o quanto há vários relacionamentos longos e infelizes na sociedade e como as pessoas não têm coragem de encarar o fato principal: elas não vivem felizes e ainda trazem para o relacionamento muita frustração e maiores desgastes.

Quem tem filho e passa por essa situação, costuma justificar esse tipo de comportamento com argumentos relacionados aos possíveis traumas que as crianças podem sofrer com a separação dos pais. Outra maneira de se sentir preso a esse tipo de relação ocorre quando as pessoas escolhem manter um relacionamento falido por medo de perder o conforto e a estabilidade financeira que conseguiram conquistar com o parceiro. Nesses casos, reflita: vale a pena viver do lado de alguém só por esses motivos? E onde fica o amor pelo outro e também o seu amor próprio?

Um fator que costuma unir as pessoas é a crença de que será possível contar com o outro até a velhice. Mas até que esse momento chegue, será que não há tempo suficiente para você cuidar de si mesmo? Não é justo usar o outro como uma bengala. Outro ponto importante para quem tem filhos: será mesmo que as crianças não vão sofrer mais ao perceberem que entre seus pais não há amor e sim outros fatores que os prendem e os fazem manter a relação?

ABRINDO MÃO DO PASSADO


"Imagine quanto mal as pessoas causam para si próprias quando vivem uma relação com alto nível de toxidade. Afinal, se não há amor, amizade e companheirismo, o que mais pode existir entre um casal?"


Imagine quanto mal as pessoas causam para si próprias quando vivem uma relação com alto nível de toxidade. Afinal, se não há amor, amizade e companheirismo, o que mais pode existir entre um casal?

Não seria melhor se houvesse mais desapego de ideias, de medos e de carências para escolhermos o nosso parceiro por toda uma vida?

Se soltar do passado é abrir mão de algo bom que passou. Mas acima de tudo é preciso viver no presente a liberdade de ser feliz, longe de prisões que não trazem mais benefícios do que a paz interior. Saber que você faz o melhor para ser feliz é ter certeza de que nada pode ocupar o lugar de um amor verdadeiro, puro e cheio de harmonia entre os pares. Então, por que você ainda teima em se amordaçar e em se fazer mal, ao invés de se abrir para o novo?

Se você tem dúvidas sobre o que se passa com você, se realmente seu relacionamento está por um fio sustentado apenas por valores externos ao amor, pergunte-se:

Existe a possibilidade de você enxergar um futuro melhor entre vocês dois?
Você está nesse relacionamento por amor a si mesmo e ao outro, ou só porque não acha que é capaz de ser amado por uma nova pessoa?
Você acha que faz mais mal a si mesmo mantendo essa relação sem amor do que se estivesse disposto a encarar a realidade?
E o outro, você acha que ele merece ter um relacionamento melhor do que vocês hoje podem se oferecer?
Você sente que está prendendo alguém a você por causa dos seus caprichos?

Se alguma de suas respostas foi positiva, reflita mais sobre o assunto e descubra se vale realmente a pena fechar esse ciclo e iniciar uma nova vida. A resposta está dentro de você.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O Diabo: Invisivel espelho da paixão

Por Zoe Camaris

O DIABO: INVISÍVEL ESPELHO DA PAIXÃO



Reflita sobre arquétipo do arcano e aprenda truque para fugir da armadilha do desejo

Nas questões de amor, o aparecimento da carta do Diabo é indício de uma paixão avassaladora. Embora nossos olhos brilhem, promessa de novas sensações e estremecimentos, a armadilha está montada. Submissos a um sentimento incontrolável, perguntamos: "Quem nos amarra assim, com tanta força?" O poeta francês Charles Baudelaire diz que o artifício mais hábil do Diabo é fazer de conta que não existe. Sim, ele é o rei dos disfarces.

Vamos analisar a cena do arcano XV no Tarô de Marselha? No primeiro plano, duas pessoas, agora transformadas em diabretes, estão atadas por uma corda a um pedestal. Encoleirados como animais, não se dão conta que sofrem uma gradual transformação. No segundo plano, sobre o pedestal, a figura hermafrodita do Diabo segura com a mão esquerda uma tocha, e com a outra, parece acenar para nós, sorrindo ironicamente. O casal não pode vê-lo, já que o Diabo se posta atrás deles. Nós, que observamos a carta, podemos ver claramente.

No entanto, a ideia da paixão é tão intensa que, mesmo olhando o cenário que a carta de Tarot nos apresenta, a imagem do cativeiro pode passar despercebida e ser substituída por uma exclamação de alegria: "Oba, isso significa que vou me apaixonar?"

Incrível, não? Este é o poder da paixão. A paixão cega. Todos nossos sentidos são tomados por um impulso incrível, elétrico, viciante. É como nascer de novo, um entusiasmo que ultrapassa os limites da razão. Nossas emoções difusas encontram um centro magnético que se traduz em disposição, vigor, alegria. "Como isso pode ser um mal se me faz tão bem?"

ENVOLVER-SE OU NÃO: É POSSÍVEL CONTER A PAIXÃO?

Depois de alguma experiência de vida, você pode até sentir um rastro de enxofre no ar, mas, em segundos, aquele cheiro estranho se transforma no perfume mais envolvente de toda a sua existência. É natural não querer se soltar, mesmo careca de saber que depois da bonança vem a tempestade, que os primeiros momentos de prazer são tão fortes em intensidade quanto o sofrimento decorrente.


Isso quer dizer que todo enamoramento é uma ação diabólica? Não. E existem formas de driblar o Diabo? Sim. O lance é descobrir o enredo. Então vamos lá:

- Desmontando a armadilha

As interpretações dos textos bíblicos e não-bíblicos relacionadas ao Diabo são complexas e não é da nossa alçada discuti-las aqui. Partimos então da imagem cristianizada do Tarot, mas levando em conta também o seu suporte mitológico e literário, ou seja, seu valor arquetípico.

Lúcifer, o anjo portador da luz, era o braço direito de Deus. Seu dom era a música e ele vestia-se das mais belas gemas. Em torno do querubim se alastrava um jardim de topázios, safiras, diamantes, ouro e esmeraldas. Como o Narciso da lenda grega, viu-se refletido nas pedras preciosas e encantou-se com sua imagem. Era puro brilho e fascínio, beleza e sedução. Tomado de orgulho e vaidade, desafiou o poderio do Amor. E foi lançado dos céus com uma legião de anjos aos abismos subterrâneos, um lugar escuro e vedado aos nossos olhos. O mais brilhante dos anjos escondido nas profundezas, no reino das sombras. E Lúcifer, agora chamado de Satanás, acirrou o ressentimento que já havia sentido de forma violenta contra aquele que era o seu melhor amigo.

Se pararmos para pensar um pouco sobre os traumas do Diabo, não é difícil chegar à conclusão de que ele é um ressentido e busca por reconhecimento. Não aprecia nem um pouco a ideia de que o Mal não existe; de que ele não passa da ausência do Bem. E vivendo sem luz, a luz que era o seu mundo e seu traço principal, resolve vingar-se de Deus e de sua criação.

A arma mais poderosa do Diabo é o espelho, o mesmo espelho em que ele se mirou um dia. Já parou para pensar que podemos ver qualquer parte do nosso corpo, menos o nosso rosto? A nossa face só se expõe ao olhar do Outro. Ou ao reflexo, que nos confunde.


Quando somos crianças e nos reconhecemos pela primeira vez no espelho, é natural que olhemos para trás, buscando um adulto como testemunha. Quando não viramos a cabeça é porque estamos presos na imagem do Duplo que o espelho apresenta. Mas o duplo é uma representação do nosso rosto. Não é o nosso rosto.

A primeira certeza que precisamos ter é que é muito fácil fascinar-se por si mesmo. E não temos ideia da força com que isso pode acontecer. O Diabo nos mostrou seu espelho.

- Atitude

Para driblar o Diabo, mostre que você o vê. Vire-se para trás e diga: "Eu o reconheço". Você tem medo de olhar? Não tenha. O medo se volta facilmente contra nós. É fácil olhar para anjos loiros e de cabelos encaracolados, Cupido voando no cartão do dia dos namorados. Lembre-se de que Lúcifer era o mais belo dos anjos. O que o Diabo quer é ser visto, e por isso mesmo é um artista da invisibilidade. Mas só quer ser reconhecido por quem pode identificá-lo.

E respeite-o. Considere seu poder de fogo. Ninguém coloca a mão na fogueira sabendo que vai se queimar. Ou seja, olhe para ele e em seguida se afaste, lentamente.

Imagine que tem um olho tatuado na nuca e mantenha essa imagem na sua tela mental. Reconhecimento e consideração são o que ele quer.

Essa é a forma de devolver para o Diabo o seu espelho. E agora, já distante, centre-se. Respire fundo. Perceba que o que ele estava lhe mostrando era uma imagem sua. Você se apaixonou pela sua própria força, intensidade, pelo fascínio que você emana. Todas essas qualidades são suas e se voltaram contra você com força duplicada. Por isso essa eletricidade toda. Agora é sua vez de dar-se conta do seu próprio poder, com todo o respeito e consideração, e responder a pergunta que não quer calar: "O que eu verdadeiramente desejo?" Nesse momento, uma transformação irá ocorrer. Quando nos damos conta de nossa individualidade e singularidade, a máxima alquímica "Só o que está separado pode ser verdadeiramente unido" entrará em ação. E você poderá olhar para o outro e abrir-se para a visão pura e real do amor - sem reflexos, ciente das suas projeções. Amar é muito melhor do que só apaixonar-se.

Agora, se nada deu certo e você caiu na armadilha, paciência. Aproveite o mel e o fel, pois esta também é uma oportunidade de autoconhecimento. O lado divertido do Diabo no Tarot é o Carnaval, mesmo que aconteça fora de época. Gargalhe, use suas máscaras e lembre-se: para se achar, muitas vezes é preciso se perder.

Como a autoestima influencia os relacionamentos



Por Daniela Martins

COMO A AUTOESTIMA INFLUENCIA OS RELACIONAMENTOS

Identifique sinais de autoestima desequilibrada e comece a mudar suas atitudes


Como você se sente em relação a si mesmo? A sua autoestima, a percepção do seu próprio valor, determina como você se relaciona consigo e com os outros. Quando a autoestima é saudável, é baseada no bom senso, em que você sabe reconhecer e aceitar o seu valor, sem exagero. Por outro lado, quando você não tem consciência do seu valor, fica sujeito à valoração atribuída pelos outros. E isso, em um relacionamento amoroso, é extremamente prejudicial para todos os envolvidos.

Entenda, por meio dos exemplos a seguir, como comportamentos e atitudes influenciados pela autoestima podem ser nocivos aos relacionamentos.

Quando a autoestima é rebaixada, é comum encontrarmos tais comportamentos:

submissão;
ciúmes e sentimento de posse;
medo de ficar só, o que leva a aceitar qualquer imposição do outro;
sofrimento antecipado (espera que as situações deem errado);
autossabotagem (por não se achar capaz, sabota-se);
vitimização (sente pena de si e coloca-se no papel de vítima).

No caso da autoestima desproporcionalmente elevada, as atitudes presentes são:

intolerância;
desvalorização do outro;
autossuficiência (não preciso de ninguém para viver);
arrogância e orgulho;
relação sem parceria, sem diálogo com o outro.


VALORIZE-SE NA MEDIDA CERTA PARA CONVIVER E SE RELACIONAR MELHOR


Se você se identificou com algum dos comportamentos descritos acima, que tal considerar pequenas mudanças nas suas atitudes? Uma autoestima rebaixada, por exemplo, pode ser equilibrada com um comportamento menos autocrítico em relação às próprias qualidades. Tente enxergar e valorizar o que você tem de bom e evite se comparar com outras pessoas, idealizando tanto o seu julgamento acerca das qualidades dos outros. Cada pessoa tem seu valor, sua potencialidade.

Já uma pessoa com a autoestima muito elevada precisa saber que valorizar os outros não implica em se diminuir. Seja mais flexível com você e com quem se relaciona. A Terra não gira ao redor do homem, lembra

Seja atento aos outros, pois você só tem a ganhar, principalmente em relação à qualidade de suas relações. A natureza humana é sociável, precisamos uns dos outros para viver!

Cuidar da autoestima dá trabalho, sim. É um cuidado diário, como higiene pessoal, atividade física e alimentação, e os ganhos são notáveis. A autoestima equilibrada vai facilitar as suas relações, desde a escolha de uma pessoa que provavelmente terá mais afinidade com você à diminuição das suas inseguranças e a uma maior flexibilidade das defesas, tornando a convivência com você mais agradável. Autoconfiança na medida certa é um poderoso afrodisíaco!