domingo, 30 de julho de 2017

O perigo nos relacionamentos obsessivos

O perigo dos relacionamentos obsessivos





O PERIGO DOS RELACIONAMENTOS OBSESSIVOS

Não confunda amor com sentimento de 

Por Vansessa Mazza


Muitas pessoas enxergam o amor como sendo algo arrebatador, que chega a doer em seus peitos, ao ponto de não conseguirem aguentar esperar para rever seus amados. Por isso, costumam abandonar relacionamentos duráveis e sólidos, mas calmos, por momentos de grande excitação gerados por estas pessoas idealizadas. Pensam que não importa se outros as consideram loucas ou que estão apenas "vivendo uma aventura". O importante é sentirem que estão no "topo da onda", vivendo o maior amor do mundo. Infelizmente, o que não percebem é que, ao fazerem isso, na maioria da vezes podem trocar um amor real e palpável por algo que apenas tem aparência de amor, mas carece de substância.

Digo isso porque nada fica no auge ou no declínio por tempo perpétuo e, logo, aquilo que parecia fantástico (amor cheio de reviravoltas emocionantes), se torna uma união corriqueira ou as incompatibilidades passam a se amontoar no dia a dia. Daí vêm os arrependimentos e o sentimento de culpa, até porque muitos abandonam vidas feitas, filhos, carreiras, país para viverem este novo relacionamento.

Para mim, viver em polvorosa, com medo de perder seu amado, agindo insensata ou irresponsavelmente não é amor, é apego e ilusão, geralmente provocados pela dificuldade em lidarmos com as frustrações e obstáculos do dia a dia


E a origem do erro está justamente no fato de educarmos nossas crianças com exemplos equivocados - como afirmar que meninos que nos batem quando pequenas o fazem porque, secretamente, nos amam e não sabem lidar com isso - e de confiarmos no modelo romântico à moda Romeu e Julieta, que é repetido exaustivamente na televisão, cinema e literatura.

Ora, podemos chamar de amor o que os dois adolescentes criados por Shakespeare viveram, levando-os ao suicídio? Que diferença isso tem de uma notícia recente sobre um casal de jovens que se jogou em frente ao trem, fazendo um pacto de morte? E os casos nos quais a mulher ou o homem se torna um "stalker", perseguindo e invadindo a privacidade do seu suposto(a) amado(a), com a desculpa de que ama demais ao ponto de não conseguir manter distância? Ou que faz grandes demonstrações públicas, nem sempre desejadas, colocando a pessoa em situação incômoda?

Para ter mais clareza se você está conseguindo ou não manifestar amor, reflita que, quando amamos:

temos a tendência a sermos mais abnegados. Assim, fazer exigências ou cobrar exageradamente não é sinal de amor;


*queremos ver o outro feliz; Assim, se o que ele deseja é que fiquemos longe, ficaremos longe;
*não fazemos nada para prejudicar o outro, como criar calúnias para nos vingarmos, caso não tenhamos recebido a devida atenção;
*não constrangemos o outro ou o colocamos em situações negativas apenas para saciar nossa necessidade por carinho ou aceitação;
*não tomamos decisões importantes pelo outro, sem consultá-lo ou dar tempo para fazer suas reflexões;
*não impomos ultimatos, principalmente do tipo: ou sua família e / ou sua carreira ou eu;
*não desejamos que a pessoa queira viver à nossa sombra ao invés de ter vida própria;
*não mantemos um caso extraconjugal, caso a pessoa em questão esteja casada;
*não deixamos a pessoa em questão ser nossa amante, sem tomarmos decisões que a dignifiquem, como ficarmos disponíveis para nos comprometermos de verdade;
*não obrigamos nosso parceiro a ter um filho, se não é isso que ele/ela deseja;
*não queremos que o outro se sacrifique ou perca sua identidade por nós;
*não traímos em hipótese nenhuma, nem temos vontade de fazê-lo;
*queremos ser melhores a cada dia e geralmente superamos vícios, dificuldades e debilidades que tenhamos;
*aceitamos que o outro discorde de nós e que nem sempre faça nossa vontade, pois respeitamos a individualidade;
*não barganhamos favores, nos sabotando para depois usar isso como arma, cobrando retribuições no futuro;
*conseguimos viver nossas vidas normalmente e sermos felizes, mesmo que não fiquemos com a pessoa. Sua lembrança nos aquece a alma e podemos até lamentar que assim seja, mas não sofremos;
*não invadimos as contas pessoais de email e redes sociais "só para saber se outro está vendo ou conversando com outras pessoas".
Assim, antes de "cair de cabeça", lembre-se que amor tende a perdurar e resistir ao tempo. Você não precisa fazer muita coisa para que o outro continue lhe amando. Afinal, se ele ou ela se apaixonou por você, foi pelo que você já é. É claro que você sempre pode melhorar e se desenvolver, mas isso deve vir da sua vontade e não para manter a outra pessoa perto de si.

Então, procure por estas características quando estiver amando: tranquilidade, paz de espírito, aceitação, compreensão, serenidade, atração nos momentos adequados, saudade e ciúmes toleráveis, preocupação normal com o bem-estar do outro, respeito, lealdade, integridade, sinceridade, generosidade e confiança.

Estes sentimentos listados acima não podem ser mantidos quando se está obsessivo por alguém. Tal como uma compulsão qualquer, seu objeto de desejo precisa ser absorvido, dominado, subjugado. Se não for, você fica em desespero, descontrolado, sofre e sente raiva, muitas vezes querendo "quebrar" este mesmo ser que minutos atrás era adorado e reinava num pedestal. Isso explica porque num momento a pessoa obsessiva pode abraçar e beijar loucamente o ser amado e, em seguida, se ele lhe desagradar, começar a gritar e a bater nele. O que parece uma bipolaridade, a princípio é apenas sintoma de um relacionamento afetivo que tem tudo, menos amor.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Ausência do Blog


Aos meus leitores, peço desculpas pela ausência, mas recupero-me de um AVE (acidente vascular encefálico).


Dentro em breve estarei novamente postando e respondendo os emails enviados.


Tenham Fé, porque para Deus nada é impossível !


Com carinho.


Namastê!


Bel Bezerra

domingo, 13 de novembro de 2011

Escuridão



Viver na escuridão é uma experiência profundamente dolorosa. Significa seguir pela vida em total inconsciência acerca do verdadeiro poder que habita dentro de cada ser humano.

Quantos de nós se sentem intimamente perdidos, mas não têm sequer a coragem de pedir ajuda, reconhecer que precisam de apoio para vencer suas próprias angústias e temores?

Infelizmente, a grande maioria ainda permanece escrava das ilusões e falsas verdades que lhe são vendidas diariamente pela sociedade de consumo, onde ter é mais importante do que ser.

Acreditar no valor do status e da imagem pública que se obtém a partir do dinheiro e de posições de poder, é a pior das armadilhas, na qual muitos se enredam de maneira muitas vezes irremediável.

A luz se faz a partir do momento em que acordamos deste estado de adormecimento e conseguimos, finalmente, enxergar a realidade a qual estamos todos submetidos.

Ter a coragem de dizer não às imposições exteriores e seguir nosso próprio caminho, guiados pelas intuições nascidas da fonte inesgotável de sabedoria que carregamos em nosso interior, é a maior das vitórias que podemos alcançar.

Infelizmente, por mais que desejemos, nem todos à nossa volta conseguirão ser tocados pela maravilhosa dádiva da consciência. Cabe a nós apenas prosseguirmos, através de nosso exemplo, tentando ser um farol que lhes ilumine o caminho de maneira amorosa, sem forçar qualquer ação, pois esta é uma experiência que só pode ser vivenciada através da vontade.

.....A escuridão não existe. É criação sua. O sol está em todo lugar, a luz está em todo lugar, estamos em pleno meio-dia. Mas você continua apertando os seus olhos, mantendo-os fechados. Daí a escuridão. Agora, ninguém pode forçar os seus olhos a se abrirem.

....Existem algumas coisas que você tem que fazer por si mesmo. Esta é uma das coisas mais fundamentais da vida. Se não fosse assim, mesmo em sua liberdade, você seria um escravo. Se eu tirá-lo da sua escuridão, ou qualquer outra pessoa, aquela luz não será muito luminosa. Você estará aprisionado naquela luz, você não veio de livre e espontânea vontade, você não floresceu espontaneamente.

Existe uma bela história sobre um mestre Zen, Joshu: Um dia, Joshu caiu na neve e gritou 'Ajude-me! Ajude-me!' Um discípulo de Joshu aproximou-se e deitou ao seu lado.
Joshu riu, levantou-se e disse ao discípulo: 'Certo! Perfeitamente certo! Isso é o que eu estou fazendo com você também.' Joshu tinha caído na neve e gritado, 'Ajude-me! Ajude-me!' Mas não havia necessidade alguma. Se você caiu, você pode se levantar. A mesma energia que fez você cair, consegue fazer você se levantar.

...O discípulo é um discípulo de verdade. Ele entendeu Joshu perfeitamente bem. Ele sabe que ele criou uma situação, ele deitou-se conscientemente. Talvez o discípulo estivesse passando e Joshu caiu - criou uma situação - e gritou, 'Ajude-me! Ajude-me!' E o discípulo veio e deitou-se ao seu lado.

Ele não o ajudou, em absoluto. O que ele estava fazendo? Ele não estava tentando ajudá-lo, de modo algum. Ele estava simplesmente sendo compreensivo. Ele estava dizendo, 'O que pode ser feito? Ok, eu sou seu discípulo, eu vou deitar ao seu lado. O que mais eu posso fazer?'

Um mestre é compassivo com você, ele tem compaixão. O que mais ele pode fazer? Um mestre verdadeiro não pode segurar suas mãos, porque isso o manterá sempre dependente. Trazer você para fora à força, é o mesmo que mantê-lo ainda dentro. Na hora em que o mestre soltar suas mãos, você voltará para o seu velho mundo, para a sua velha mente. Aquilo ainda não estava encerrado, ainda estava agarrado dentro de você.

Um mestre verdadeiro ajuda sem ajudar. Tente entender: um mestre verdadeiro ajuda sem ajudar. A sua ajuda é muito indireta, ele nunca vem imediatamente ajudá-lo. Ele vem de maneira muito sutil. Ele se aproxima de você como uma brisa muito frágil, não como uma ventania selvagem. Ele se aproxima de você como uma aura, invisível. Ele o ajuda certamente, mas nunca força você. Ele o ajuda apenas até onde você está pronto para ir, nunca um passo a mais. Ele nunca empurra você violentamente, porque qualquer coisa feita violentamente será perdida, mais cedo ou mais tarde.

Aquilo que você não desenvolveu de livre e espontânea vontade, você perderá. Você não pode desfrutar aquilo que não cresceu em seu ser espontaneamente. Você desfruta o seu próprio crescimento. Eu posso até mesmo dar-lhe a verdade, e você irá jogá-la fora, porque você não irá reconhecê-la. Eu posso forçá-lo a acordar, mas você irá cair no sono no momento em que eu me for, e você vai me xingar e ficar com raiva de mim, pois você ainda estava curtindo os seus sonhos. Você estava curtinho sonhos doces e aí chegou um homem e o acordou.

...Relaxe. No momento em que você relaxar, os seus olhos começarão a se abrir, assim como um botão abre e se torna uma flor, assim como um punho que não mais se mantém cerrado começa a se abrir e se torna uma mão aberta.
Eu não estou aqui para forçar isto. Eu estou aqui para esclarecê-lo como isto acontece. Eu posso falar a respeito desse processo, eu não posso fazê-lo para você. Compreendido, ele acontece. Eu não lhe prometo coisa alguma. Eu só lhe prometo uma coisa: o que aconteceu comigo eu farei com que fique óbvio para você. Daí, cabe a você seguir. Buda disse: os budas só indicam o caminho, mas é você que tem que ir, cabe a você seguir o caminho".
OSHO - Zen: the Path of Paradox.

Por Elisabeth Cavalcante