terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Tudo que dou é dado a mim mesmo


Dar é receber, é a lei do Amor. Segundo essa lei, quando damos amor aos outros, ganhamos, e o que damos recebemos ao mesmo tempo.

A lei do Amor é baseada na abundância; estamos completamente repletos de Amor o tempo todo e nossas reservas de Amor estão sempre cheias e transbordantes. Quando damos Amor aos outros incondicionalmente, sem expectativas de retorno, o Amor, aumentamos o Amor que existe dentro de nós e todos ganham.

A lei do mundo, por outro lado, diz que perdemos quando damos alguma coisa. Isso é o mesmo que dizer que, quando damos alguma coisa, não podemos tê-la mais e sofremos sua perda.

A lei do mundo baseia-se na crença da escassez. Diz que nunca estamos realmente satisfeitos. Continuamos nos sentindo vazios procurando o Amor e a paz em qualquer forma externa através da qual passamos a considerá-los desejáveis.

O problema, naturalmente, é que nado do nosso mundo exterior vai nos satisfazer de forma contínua e total. De acordo com a lei do mundo, buscamos incessantemente, mas nunca encontramos o que queremos. Achamos muitas vezes que o nosso poço interior está vazio e que estamos passando necessidade. É então procuramos satisfazer nossas necessidades imaginárias por meio de outras pessoas.

Quando esperamos que os outros satisfaçam nossos desejos e eles nos decepcionam, inevitavelmente sofremos. Esse sofrimento pode assumir a forma de frustração, desapontamento, raiva, depressão ou doença. Por causa disso, é provável que nos sintamos presos numa armadilha, limitados, rejeitados ou atacados.

Quando estamos sentindo que não somos amados, quando nos encontramos deprimidos e vazios por dentro, encontrar alguém que nos dê Amor não é realmente a solução. O que ajuda é Amar alguém totalmente e sem expectativas. Esse Amor é, ao mesmo tempo, dado a nós mesmos. O outro não tem de mudar, nem nos dar coisa alguma.

O conceito distorcido do mundo é que você tem de ter Amor dos outros para sentir o Amor dentro de você. A lei do Amor é diferente da lei do mundo. A lei do Amor dez que você é diferente da lei do mundo. A lei do Amor diz que você é Amor e que, a medida que você dá Amor aos outros, você mostra a si mesmo quem é.

Hoje, permita-se aprender e sentir a lei do Amor.

Eu estava errada ao acreditar que poderia das a alguém outra coisa além do que quero para mim mesma. Como quero sentir paz, Amor e perdão, esses são os únicos presentes que posso oferecer aos outros. Não é caridade de minha parte oferecer perdão e Amor aos outros, em lugar de atacá-los. Oferecer Amor é, ao contrário, a única forma de aceitar o Amor para mim mesma.


Texto extraído do livro Amar é libertar-se do medo do Dr. Gerald G. Jampolsky – Ed Fundação Petrópolis.


Quando o amor acaba


O fim de uma relação amorosa nos sobrecarrega tanto psíquica quanto fisicamente; mas do ponto de vista evolutivo a montanha-russa emocional na qual embarcamos nessas situações tem um objetivo: nos preparar para novos recomeços.

O fim de um relacionamento afetivo costuma provocar uma revolução em nossa vida emocional. Principalmente quando o término nos pega desprevenidos – ou a decisão parte da outra pessoa. Um turbilhão de sentimentos como raiva, insegurança, carência, saudade, dor e desejo de vingança se misturam e nos invadem. Nesse momento atribulado, alguns tomam atitudes extremadas, se expõem, esperneiam, suplicam; outros se recolhem. Qualquer que seja a reação, é inevitável escaparmos do sofrimento. O rompimento nos sobrecarrega tanto psíquica quanto fisicamente – muitas vezes causando reações como uma espécie de “bloqueio” que pode durar semanas ou até meses.

Mas, pensando bem, não seria mais sensato e saudável – pelo menos do ponto de vista biológico – deixar logo de lado toda essa dor e recomeçar de uma vez por todas a busca por um novo parceiro para procriação? Certo, há questões psíquicas envolvidas, como a necessidade de realização do luto e do processamento de todo o aprendizado emocional que a situação traz. “Mas se toda a natureza trabalha no sentido de garantir a continuidade da espécie, por que, então, não desenvolvemos um método com o qual seja possível simplesmente descartar um romance malsucedido, sem tanto dispêndio de tempo e energia?”, questiona a antropóloga Helen Fisher, da Universidade Rutger, Nova Jersey.

Ela mesma admite que talvez nos aproximemos mais de uma resposta se nos voltarmos para o início do relacionamento – e, mais precisamente, ao momento em que nos apaixonamos. A utilidade evolucionária do encantamento que, por vezes, nos arrebata parece clara: nos concentramos totalmente em uma pessoa que escolhemos para o acasalamento, sem gastar tempo ou energia com assuntos secundários. “Mas o que se passa na cabeça de homens e mulheres apaixonados?”, pergunta-se Fisher. Para estudar a questão e tentar responder a essa pergunta, ela decidiu unir-se à neurocientista Lucy Brown, da Escola de Medicina Albert Einstein, e ao psicólogo Arthur Aron, da Universidade Estadual de Nova York.

O grupo recorreu à tomografia por ressonância magnética funcional, com a qual é possível acompanhar a atividade do cérebro. Enquanto estavam dentro do tomógrafo, os voluntários que consentiram em participar do estudo observavam, alternadamente, a foto da pessoa que amavam e a imagem de uma pessoa conhecida com quem tivessem um relacionamento afetivamente neutro. De vez em quando, eles tinham de resolver uma atividade como distração, para que sensações e sentimentos pudessem se atenuar. “Nessas diferentes situações comparamos a atividade cerebral e percebemos que as duas regiões cerebrais estavam especialmente envolvidas durante a observação do amado: partes do núcleo caudado e da área tegmentar ventral (ATV) direita no mesencéfalo.

IRONIAS DA NATUREZA

É interessante notar que em ambas as regiões há células neurais que se comunicam através da substância mensageira, a dopamina, e reagem de forma sensível àquilo que causa bem-estar – como alimentos saborosos, por exemplo – ou mesmo à possibilidade de experimentá-los. O fato de a paixão estar relacionada a esse “sistema de recompensa”, indica que o que estamos habituados a chamar de “sentimento” talvez seja, na verdade, um “estado de motivação” para a busca de algo – comparável à fome, que nos leva a buscar e consumir alimentos. Se pensarmos assim, o cenário fica menos romântico. Afinal, talvez não nos apaixonemos (como muitas vezes gostamos de pensar) em razão de uma trama bem engendrada do destino ou dos belos olhos do outro, de seu charme e de sua sensualidade. Sob essa óptica o encantamento se vale, antes, de mecanismos neurológicos cuja função é aplacar uma necessidade biológica. E garantir a sobrevivência da melhor forma possível.

Há alguns anos, a equipe de Fisher estudou a atividade cerebral de -pessoas apaixonadas, porém infelizes, que estavam sofrendo profundamente pelo fim de um relacionamento amoroso. Embora os pesquisadores reconheçam não saber com precisão o que se passa no cérebro das pessoas nessas situações, admitem que, aparentemente, a elevada atividade na ATV e em regiões do núcleo caudado ligadas a ela, ativas quando o relacionamento parecia ir bem, ainda se mantém. Será então que continuamos amando, apesar de termos sido abandonados?Psiquiatras dividem o processo de separação em duas fases: primeiro vem o protesto; depois, o desespero. Durante a fase de protesto, em geral a pessoa abandonada tenta obstinadamente recuperar o objeto de seu amor.

Tenta entender o que deu errado e como poderia reacender o interesse do outro. Algumas chegam a fazer cenas dramáticas diante do ex-parceiro; outras choram sozinhas, saudosas e, por algum tempo, não vêem nada no mundo que lhes atraia a atenção. Qualquer que seja a reação, porém, em vez de desaparecer, a paixão parecer crescer. Na base dessa reação estão processos neurais. Segundo os psiquiatras Thomas Lewis, Fari Amini e Richard Lannon, da Universidade da Califórnia em São Francisco, a reação de protesto está atrelada à dopamina e à noradrenalina. Em experiências com animais, elevadas concentrações desse neurotransmissor são associadas não apenas ao aumento da vigilância, mas também fazem com que o indivíduo solitário identifique a falta e busque o que necessita. O fato de a concentração da dopamina aumentar justamente logo após o abandono poderia esclarecer por que o interesse pela pessoa perdida fica mais intenso nessa fase. Além disso, o neurocientista Wolfram Schultz, da Universidade Suíça de Fribourg, descobriu há alguns anos o que acontece no cérebro dos macacos quando uma guloseima que lhes havia sigo apresentada “desaparece” repentinamente: neurônios do sistema de recompensa passam a trabalhar por um período especialmente longo, como que para suprir (ou tentar entender) a perda.

Mas que ironia da natureza! Mal se deixa de ter acesso ao objeto do amor, intensifica-se justamente a atividade daqueles circuitos cerebrais que provocam o desejo mais pronunciado. Mas não é só o mecanismo de recompensa que fica severamente esgotado na primeira fase de privação amorosa. Além do desejo intensificado, surge o medo, como se os indivíduos estivessem mais expostos e vulneráveis. Segundo o neurocientista Jaak Panksepp, da Universidade Estadual Bowling Green, em Ohio, nos mamíferos há uma reação neuronal de pânico em cadeia quando a mãe se ausenta. Segundo o pesquisador, nessas situações os filhotes se tornam imediatamente inquietos, choram e apresentam palpitações.

Nos humanos, resquícios mentais dessa experiência podem ressurgir quando ocorre uma nova separação, ativando tanto mecanismos psíquicos quanto cerebrais.Quase sempre o parceiro que não queria a separação é tomado, em alguns momentos, pela fúria – mesmo que a relação tenha terminado de forma transparente e sincera. O psicólogo Reid Meloy, da Universidade da Califórnia, em San Diego, denomina essa reação abandonment rage (raiva do abandono). O fenômeno também parece outro estranho capricho do processo evolutivo, se considerarmos que a ira ou o ódio dificilmente farão o desertor voltar.

E como o amor pode se transformar tão repentinamente em ódio? Se examinarmos bem, os dois sentimentos não são antagônicos – o oposto do amor seria o desinteresse. Aparentemente, a raiva do abandono não exclui o amor. O seguinte experimento demonstra que amor e ódio estão muito próximos um do outro: se estimularmos eletricamente o circuito de recompensa no cérebro de um gato, ele expressa forte sentimento de bem-estar. Porém, assim que interrompemos a estimulação, o animal arranha e morde. Esse tipo de reação a expectativas não correspondidas é conhecido como “resposta de frustração-agressão”.

De alguma forma, parece que nossos antepassados desenvolveram esse infeliz curto-circuito neuronal entre amor e ódio – talvez com o objetivo bem prático de solucionar problemas de procriação. Provavelmente, todas as etapas vividas convergem justamente para esse mecanismo – que nos possibilita de fato encerrar um relacionamento amoroso fracassado para que possamos ousar um novo começo. Além disso, é a raiva do ex que faz com que os pais, no caso de uma separação, lutem tão intensamente pelo (que acreditam ser o) bem-estar de sua prole.

Quantas vezes, homens e mulheres anteriormente equilibrados se transformam repentinamente durante uma separação, tentando conseguir o que acreditam ser “o melhor” para seus filhos, da pior maneira possível. Nos Estados Unidos há juízes que mandam instalar um botão de emergência em sua mesa, caso os brigões que estão se divorciando resolvam se agredir fisicamente durante a audiência. Mas, em algum momento, as pessoas desistem. E aí inicia-se a segunda fase da separação: é o momento de lidar com a perda e resignar-se. Nessa fase, os mais propensos ao uso de álcool podem recorrer à substância; outros se isolam ou passam a maior parte do tempo apáticos. “Em 1991, um grupo de sociólogos da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, entrevistou 114 homens e mulheres que tinham sido deixados por seus amados nas oito semanas anteriores. Mais de 40% sofria de depressão. Dos que receberam esse diagnóstico, 12% classificaram a patologia como mediana ou intensa”, observa Helen Fisher.

A fase de resignação também se reflete na rede de recompensa neuronal. Filhotes abandonados por suas mães, que inicialmente protestaram e entraram em pânico, mais tarde experimentam um estado de resignação, uma espécie de letargia, em “resposta de desespero”. Quando esses animais compreendem que suas esperanças não serão mais realizadas, as células produtoras de dopamina no mesencéfalo reduzem sua atividade. A falta desse neurotransmissor, por sua vez, leva ao desânimo e, nos casos mais graves, à depressão.

Num primeiro momento, assim como o “amor-ódio”, o desespero também parece contraproducente. Para que perder tempo com aflições? Alguns especialistas, porém, acreditam que a depressão se desenvolveu como mecanismo de superação. Existem toneladas de teorias sobre esse tema. Uma hipótese extremamente interessante é defendida pelo antropólogo Edward Hagen, da Universidade Humboldt de Berlim, e pelos biólogos Paul Watson e Paul Andrews, da Universidade do Novo México, assim como pelo psiquiatra Andy Thomson, da Universidade da Virginia. Segundo eles, o alto ônus psíquico, físico e social causado pela depressão tem sua utilidade: seus sintomas funcionam como claro sinal de que a pessoa afetada precisa urgentemente de apoio daqueles que a rodeiam.

Imaginem uma moça do período paleolítico cujo companheiro se junte abertamente a outra mulher. No início, ela protesta furiosa tentando forçar seu parceiro a abandonar o affair. Ela pede ajuda a amigos e aos companheiros do clã, mas suas súplicas não são atendidas. Por fim, ela entra em profunda depressão. Isso faz com que a família finalmente expulse o homem infiel. Eles apóiam a jovem abandonada até que ela reúna forças suficientes para procurar um novo companheiro e conseguir novamente colaborar com a alimentação e os cuidados das crianças.

A depressão, porém, oferece mais uma vantagem evolucionária: nos obriga a encarar os fatos como são. Pessoas depressivas vivem aquilo que o psicólogo Jeffrey Zeig, da Fundação Milton H. Erickson, em Phoenix, Arizona, chama de “falha da negação”. Somente a depressão leva uma pessoa a aceitar finalmente o apoio oferecido ou a tomar uma decisão que, em última instância, pode acabar tendo efeito positivo sobre suas chances de sobrevivência e procriação.

A natureza humana tem bons motivos para ser moldada de forma que soframos massivamente pela privação repentina do amor – no início, para que possamos protestar e tentar recuperar o objeto de nosso afeto e, por fim, quando nada disso funciona, para que deixemos de lado esse objeto e possamos recomeçar.

Por Aparecida Souza Corrêa

Texto extraído do blog amigos de Freud.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Energia extrafísica


“Somos apenas uma gota no oceano, mas o oceano não seria o mesmo sem essa gota”

Madre Teresa de Calcutá


Matéria interessantíssima extraída do livro Energia – Novas dimensões da bioenergética humana de Robson Pinheiro.


Quando se analisa o ser humano sob a ótica da ciência holística, ele é considerado uma unidade biológico-energética e psicológico-espiritual.

Na matéria a seguir temos uma visão extrafísica fantástica, com psicografia de um dos mais renomados nomes da espiritualidade, André Luiz. Abram suas mentes e deleitem-se com os ensinamentos.

Fatores emocionais extremos

Alguns fatores dificultam a absorção das energias que mantém o equilíbrio vital. No planeta Terra, no presente momento evolutivo, estão incorporados nos corpos humanos egos ou consciências, em sua grande maioria, carentes de reeducação emocional. Pela simples observação, deduz-se que as pessoas em geral são bastantes permeáveis ao descontrole emocional e energético, cujas bases remontam ao passado reencarnatório das multidões. Verificamos quanto as questões emocionais, com suas nuances e seus agravantes, interferem no tônus vital de cada um.

Grande números de dimensões extrafísica – às vezes até como pretexto para justificar seu comportamentos. Assim, teima em continuar negando ou desviando a atenção das próprias deficiências emocionais e da desorganização moral que traz impregnada em seu ser, num fenômeno clássico denominado pela psicologia como projeção. Muitos estão mergulhados num mar de emoções descontroladas ou vivem nos limites do equilíbrio emocional, mas não estão dispostos a encarar a própria debilidade, pois que é mais atraente creditar tais perdas, desgastes e danos energéticos a terceiros. Daí eleger causas mirabolantes, de natureza mística, extrafísica ou extra-sensorial, é um passo. Logo aparecem argumentos que creditam tais distúrbios à paranormalidade ou à mediunidade descontrolada, “não desenvolvida” etc... Dessa maneira, a um só tempo, sustenta-se o desequilíbrio emocional e obtém-se destaque para si, preenchendo a carência por atenção, pois há certo status em ser vítima de forças ocultas e “sobrenaturais”,não? Para esses indivíduos, parece que sim.

É muito comum encontrar esse tipo humano buscando soluções religiosas, prodigiosas e fantasiosas para a problemática que é intensa, psicológica e emocional. Ele imputa a um agente externo – seja um espírito ou um suposto trabalho de magia que visa prejudicá-lo – o próprio descontrole, desequilíbrio e, às vezes, até mesmo a fuga da realidade. Ao topar com pretensos terapeutas, guia sespitiruais desinformados e in capazes de variada espécie, com profundas tendências místicas, entrega-se a maiores desvarios, até desembocar em amargas decepções e tragédias pessoais. Eis como milhares, estacionados numa postura mística e sem nenhum senso prático da vida, entregam-se com facilidade e naturalidade impressionantes, à condução cega e perigosa de indivíduos cheios de segundas e terceiras intenções.

O caos emocional que não é trabalhado convenientemente acaba produzindo insatisfação, constrangimento e perda de tempo, com consequente aumento apreciável da problemática inicial. Adias indefinidamente o enfrentamento daquilo que incomoda, transferindo responsabilidades, é dos caminhos mais daninhos e drásticos que podem ser tomados. Com o passar do tempo, o ser constrói uma realidade paralela e, enredado em meio a tantas desculpas, justificativas e explicações que inventou para mascarar a fuga insensata de seus reclames internos, não sabe mais como se conduzir, perdendo as rédeas da própria vida. Evidentemente, vive quase sempre em estado de perda energética ou de pseudo-obsessão.

Muitas anomalias energéticas são geradas a partir de algumas emoções de caráter doentio, notadamente mágoa, ressentimento e medo excessivo, além de atitudes igualmente nocivas, como fuga, constrangimento e abatimento extremos. Fatores como esses criam algo semelhante a uma fuligem em torno do corpo psicossomático, dificultando a assimilação de energias externas ou limitando o poder de transmutá-las e absorvê-las, de modo análogo ao que ocorre com as ervas daninhas em meio à horta.

Nada pior que a mágoa para apagar o brilho da vida e a beleza da alma humana. Juntamente com as idéias errôneas e castradoras que se abrigam nas fontes do pensamento e das emoções, colabora para formar o panorama interno de infelicidade e desgosto profundos. Somem-se a isso os mecanismos de fuga da realidade – em geral da realidade interior – e das responsabilidades perante a vida, o destino e a conquista da realização pessoal... Pronto: está desenhado um quadro lamentável, que exige coragem, determinação e muito trabalho e apatia frente à vida e aos desafios que lhe são inerentes ocasionam o comprometimento do fluxo energético que sustenta a vitalidade orgânica, enquanto estiver debilitada, a pessoa mantêm-se em estado de desânimo incomum, em que predomina a depressão. O corpo psicossomático ou emocional termina por sucumbir, dado à falta de resistência a desequilíbrios que são intensos e, sobretudo, duradouros.

Ao contrário do que crê o senso comum, as consequências energéticas da emoção desajustadas são absolutamente concretas; repercutem na estrutura astral com tamanha violência, que causaria surpresa àqueles que imaginam a dimensão extrafísica como um plano diáfano, brando e suave. A realidade energética é muito mais dramática e grosseira – às vezes, até grotesca – do que faz crer a atmosfera fabulosa idealiazada por místicos e imaturos, a qual só existe nos contos de fada e nas descrições de um suposto paraíso, pregado pelas religiões.

Desajustes e anomalias emocionais de caráter mais ou menos duradouro produzem, num estágio inicial, uma espécie de fuligem em torno das células do corpo psicossomático, a qual não passa da simples condensação ou materialização de emoções e pensamentos desequilibrados.

Ao persistir a aglutinação dessa fuligem, com o transcorrer do tempo, dorma-se, num segundo instante, uma crosta que chega a revestir toda a estrutura etérica e astral, dependendo do caso.

Pessoas com tais características não se encontram aptas a desempenhar sequer as transmutações energéticas necessárias à própria saúde, quanto mais tarefas de doação de recursos fluídicos.

Carecem urgentemente de submeter-se à terapêutica bioenergética e emocional ou psicológica.

Porém, até que possa promover a recuperação parcial do reequilíbrio, o tratamento poderá se estender por um período mais dilatado, devido aos sérios danos que as emoções desequilibradas suscitam na contraparte etérica ou energética do homem.

O acúmulo de trabalho físico, emocional ou mental acaba por gerar um tipo específico de desgaste, que se assemelha, na prática, às consequências do roubo vital. O desgaste advindo do estresse e do cansaço se parece muitíssimo com os efeitos da absorção indevida e sem permissão do fator vital, fato este que poderá levar a pessoa a supor-se vítima de alguma espécie de vampirismo energético.

Muita correria, às vezes sem produtividade, além da convivência com o estresse do dia-a-dia, com um cotidiano acelerado por imposição de um ritmo frenético que virou marca da pós-modernidade, faz com que o desgaste atinja níveis alarmantes. Adicione-se a isso a exposição a situações desconfortáveis e a obrigação, para muita gente, de agir e conviver com situações contrárias à sua natureza e a seus gostos pessoais. Tudo isso representa uma ameaça à identidade emocional do indivíduo, de maneira a influenciar até mesmo a resposta imunológica de seu organismo físico.

Realizar tarefas de modo compulsório, sem satisfação e comportar-se com a obrigação de agradar os outros, como um subterfúgio para evitar complicações maiores nos relacionamentos, constituem estratégias arriscadas e insensatas. Provocam a perda de grande cota de vitalidade, que é desviada para sustentar as aparências e a mentira social. Como ase não bastasse, a pessoa perde a liberdade de ser o que é e o que deseja ser, forçando-se a abdicar de emoções, sentimentos e raciocínio para manter uma fachada de tranquilidade e equilíbrio. Tal estado de coisas faz com que seu sistema energético reaja de forma a cobrar a vitalidade despendida nessa maneira anormal de viver a vida. Por isso afirmo que, algumas vezes, é preferível se expor, brigar e gritar por suas idéias a implodir pelo estresse e cansaço emocional, produzido pela atitude de mascarar a realidade interna. De qualquer modo, é necessário um trabalho de autoconhecimento a fim de que o indivíduo aprenda a identificar as necessidades emocionais e a expressar sua identidade.

Ao analisarmos a vida de Cristo – considerado por muitos, inclusive por mim, como o maior psicoterapeuta da humanidade – notamos momentos em que ele eleva o tom de sua voz e repreende seus interlocutores, chegando mesmo a xingar tanto seus seguidores quanto doutores da lei, escribas e fariseus, todos representantes do establishment de então. Há relatos em que manifesta evidente raiva, como ao derrubar mesas de cambistas no templo.

Fatos como esses, descritos no Evangelho, não são apenas anotações de caráter religioso; ao contrário, trazem ensinamentos de grande proveito, sob o ponto de vista terapêutico. Mostram que há ocasiões em que a energia de insatisfação acumulada deve ser expurgada da intimidade do ser, a fim de não causar desequilíbrio.

Sob esse ponto de vista, não é inteligente abrigar emoções conflitantes e insatisfações, tampouco mascarar situações constrangedoras em nome de uma pretensa paz.

Em geral, essa maquilagem das emoções e a tentativa de vivenciar uma santidade irreal ou falsa produzem estresse emocional. A pessoa que disfarça assim sua verdadeira situação ou insatisfação acaba por implodir; o corpo físico se ressente, então, e as defesas imunológicas respondem de maneira deficiente, permitindo o desenvolvimento de elementos indesejáveis para a economia do organismo.

A depressão, tenha ou não raízes no assédio extrafísico, sempre é algo devastador na economia energética do indivíduo, com graves consequências também no que tange à química cerebral. Comumente, a pessoa que se entrega, em algum grau, aos estados depressivos perde cotas enormes de energia vital, principalmente porque sua mente passa a gravitar com insistência em torno de problemas, na maioria das vezes, de solução relativamente simples – os problemas, não a enfermidade.

Digo simples porque acredito que a maior parte desses problemas poderiam ser resolvidos com um sim ou com um não. Sem menosprezar a complexidade dos fatores que envolvem o quadro psiquiátrico denominado depressão, realmente estou convicto de que, ao menos em sua gênese, essa patologia está ligada a um traço comum de personalidade. Quase todos os pacientes de depressão são indivíduos que, ao longo do tempo, adotaram o hábito de adiar decisões preciosas para a sua saúde integral; essa é uma prática que responde por grande número de processos depressivos de longo curso. O indivíduo abstêm-se de tomar decisões na hora certa, com prudência e correção, embora saiba, muitas vezes, a resposta a seus questionamentos e conflitos existenciais. Ninguém passa incólume ao adiamento sistemático da tomada de decisões: quando se vê diante da problemática e, mesmo que de modo inconsciente, nota que abdicou do controle da situação e de sua própria vida, envolve-se na aura do pessimismo e termina em depressão.

Tive a oportunidade de observar também outros fatores que ajudam a compor o quadro das depressões. Entre eles, doenças prolongadas, perdas familiares e amorosas e bloqueios emocionais, entendidos como dificuldades em resolver-se ou tomar decisões que possam diluir suas emoções. Além disso, podem-se observar outras causas frequentes, tais como a visão reduzida da realidade e o confronto com a verdade da vida. Em certos casos específicos, existem de fato assédios conscienciais, em que notamos a clara participação de inteligências extrafísicas atuando n processo obsessivo, embora essa causa esteja entre as de menor número, comparadas àquelas que dependem exclusivamente da pessoa acometida.

No entanto, é conveniente observar que, qualquer que seja a razão do processo depressivo, ele vede ser considerado como doença da alma e, como tal, abordado de forma intensiva. A depressão fatalmente produz uma defasagem energética intensa. Essa perda de tônus vital deve-se aos pensamentos desgovernados e às emoções cristalizadas, que consomem as reservas energéticas do corpo, da mente e do duplo etérico, as quais passam a ser canalizadas para alimentar a problemática e o padrão mental decorrentes da situação de enfermidade. Depressão, portanto, está intimamente relacionada a defasagem energética, a perda de fluido vital em todas as suas manifestações.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Hesicasmo


Escritos sobre o Hesicasmo

O Hesicasmo ou Prece do Coração é a prática mística mais importante das Igrejas Orientais (Ortodoxas). Consite em repetir o nome de Jesus obedecendo certas regras referentes à postura física e à respiração. É a prática cristã mais próxima do Yoga indiano. Um grande divulgador do Hesicasmo é o padre ortodoxo francês Jean-Yves Leloup, cujas obras estão publicados no Brasil.



Meditar como uma montanha

Assim começava para o jovem filósofo uma verdadeira iniciação à oração hesicasta. A primeira indicação que lhe fora dada dizia respeito à estabilidade. O enraizamento de uma boa postura.

De fato, o primeiro conselho que podemos dar a alguém que quer meditar não é de ordem espiritual, mas física: sente-se.

Sentar-se como uma montanha, isso quer dizer sentar-se com peso: estar pesado da presença.

Nos primeiros dias, o jovem teve muita dificuldade em permanecer assim imóvel, as pernas cruzadas, o quadril ligeiramente mais alto que os joelhos (foi nessa postura que ele encontrara a estabilidade). Uma manhã, ele realmente sentiu o significado de “meditar como uma montanha”. Ele estava ali, com todo seu peso, imóvel. Ele e a montanha formavam um só, silenciosos sob o sol. Sua noção do tempo mudara completamente. As montanhas possuem um outro tempo, um outro ritmo. Estar sentado como uma montanha é ter a eternidade diante de si, é a atitude justa para aquele que quer entrar na meditação: saber que ele tem a eternidade detrás, dentro e diante de si. Antes de erguer uma igreja, era preciso ser pedra e sobre essa pedra (essa solidez imperturbável do rochedo), Deus pôde erguer sua Igreja e fazer do corpo do homem o seu templo. Era dessa forma que ele compreendia o sentido das palavras evangélicas: “És pedra e sobre essa pedra edificarei minha igreja.”

Assim ele permaneceu durante várias semanas. O mais difícil para ele era passar horas “sem fazer nada”. Era preciso reaprender a ser, simplesmente ser – sem objetivo nem motivo.

Meditar como uma montanha era a própria meditação do Ser, “do simples fato de Ser”, antes de todo pensamento, todo prazer e toda dor. O padre Serafim o visitava todos os dias, compartilhando com ele seus tomates e suas azeitonas. Apesar dessa dieta frugal, o jovem parecia ter ganhado peso. Seu caminhar estava mais tranqüilo. A montanha parecia ter entrado na sua pele. Ele sabia respeitar o tempo, acolher as estações, permanecer em silêncio e ficar tranqüilo como uma terra por vezes dura e árida, mas por vezes também como o flanco de uma colina à espera da época da colheita.

Meditar como uma montanha também modificara o ritmo dos seus pensamentos. Ele aprendera a “ver” sem julgar, como se ele desse a tudo aquilo que brota sobre a montanha o “direito de existir”.

Certo dia, alguns peregrinos o tomaram por um monge; impressionados pela qualidade da presença, eles pediram-lhe uma bênção. Ele nada respondeu, imperturbável como a pedra.

Tendo sabido disso, naquela mesma noite o Padre Serafim começou a lhe dar bastonadas... O jovem homem se pôs então a gemer.
“Ah bom, eu achei que você tivesse se tornado tão estúpido quanto as pedras do caminho... A meditação hesicasta tem um enraizamento, a estabilidade das montanhas, mas seu objetivo não é fazer de você um cepo morto, mas um homem vivo.”

Ele tomou o jovem pelo braço e o conduziu até o fundo do jardim onde, entre as ervas selvagens, eles conseguiam divisar algumas flores. “Agora não se trata mais de meditar como uma montanha estéril. Aprenda a meditar como uma papoula, mas não esqueça da montanha...”

Meditar como uma papoula

Foi assim que o jovem aprendeu a florescer... A meditação é antes de tudo uma postura e foi isso o que a montanha lhe havia ensinado. A meditação também é uma “orientação” e era isso o que a papoula estava ensinando-lhe agora: voltar-se em direção ao sol, voltar-se do mais profundo de si mesmo em direção à luz. Aspirar em todo seu sangue, toda a seiva.

Essa orientação voltada ao belo, à luz, fazia com que ele às vezes ficasse vermelho como uma papoula. Era como se a “bela luz” fosse a luz de um olhar que lhe sorria, esperando dele um perfume qualquer... Junto à papoula, ele aprendeu igualmente que, para permanecer na sua orientação, a flor deveria ter “a haste ereta” e ele começou a endireitar a coluna vertebral.

Isso lhe colocou alguns problemas, pois ele tinha lido em alguns textos da Filocalia que o monge deveria estar ligeiramente curvado. Algumas vezes, até mesmo sentindo dor. O olhar voltado para o coração e as entranhas.

Ele pediu ao padre Serafim algumas explicações. Os olhos do staretz o olharam com malícia: “Isso era para os fortões d’outrora. Eles eram cheios de energia, e era preciso lembrar-lhes a humildade da sua condição humana, que eles se curvem um pouco durante a meditação – isso não lhes fará nenhum mal... Mas você, você tem necessidade de energia, então, no momento da meditação, endireite-se, esteja vigilante, mantenha-se ereto e voltado para a luz, mas sem orgulho... aliás, se você observar bem a papoula, ela lhe ensinará não apenas a retidão da haste, mas também uma certa maleabilidade sob as inspirações do vento e também uma grande humildade...”

De fato, o ensinamento da papoula também estava presente na sua fugacidade, na sua fragilidade. Era preciso aprender a florescer, mas também a fanar. O jovem compreendeu melhor as palavras do profeta:
“Toda carne é como a grama e sua delicadeza é como a das flores dos campos. A grama seca, a flor murcha... As nações são como uma gota de orvalho na beira de um balde... Os juízes da terra acabarão de ser plantados, sua haste acabou de deitar raízes na terra... e então eles secarão e a tempestade os levará como uma palha.” (Isaías 40).

A montanha tinha lhe dado o sentido da Eternidade, a papoula lhe ensinava a fragilidade do tempo: meditar é conhecer o Eterno na fugacidade do instante, um instante reto, bem orientado. É florescer o tempo que nos é dado a florescer, amar o tempo que nos é dado a amar, gratuitamente, sem porquê, pois para quem? Por que florescem as papoulas?

Assim, ele aprendeu a meditar “sem objetivo nem ganho”, apenas pelo prazer de ser e de amar a luz. “O amor é a sua própria recompensa”, dizia ainda Ângelus Silesius. “É a montanha que floresce na papoula, pensou o jovem. É todo o universo que medita em mim. Que ele possa ficar vermelho de alegria enquanto durar minha vida.” Esse pensamento certamente era demais. O padre Serafim começou a sacudir o nosso filósofo e mais uma vez o tomou pelo braço. Ele o conduziu por um caminho escarpado que levava até a beira do mar, a uma pequena praia deserta. “Pare de ruminar como uma vaca o bom senso das papoulas... Tenha também o coração marinho. Aprenda a meditar como o oceano.”

Meditar como o oceano

O jovem aproximou-se do mar. Ele tinha adquirido uma boa base e uma orientação reta. Ele estava na boa postura. O que lhe faltava? O que o marulhar do oceano poderia lhe ensinar? O vento se ergueu. O fluxo e o refluxo do mar tornaram-se mais profundos e isso despertou nele a lembrança do oceano. O velho monge tinha aconselhado-o, de fato, a meditar “como o oceano” e não como o mar. Como ele tinha adivinhado que o jovem tinha passado longas horas às margens do Atlântico, sobretudo à noite e que ele já conhecia a arte de acordar seu sopro com a grande respiração das ondas. Eu inspiro, eu expiro..., depois, eu sou inspirado, eu sou expirado.

Eu me deixo levar pelo sopro, assim como nos deixamos levar pelas ondas... Assim ele se deixava ser carregado pelo ritmo das respirações oceânicas. Mas a gota de oceano que outrora “dissipava-se no mar”, guardava hoje sua forma, sua consciência. Será que isso era o efeito da sua postura? Do seu enraizamento na terra? Ele não era mais levado pelo ritmo aprofundado da sua respiração. A gota d’água guardava sua identidade e, no entanto, ela sabia “ser uma” com o oceano. Foi assim que o jovem aprendeu que meditar é respirar profundamente, deixar ser o fluxo e o refluxo do sopro.

Ele aprendeu igualmente que, mesmo havendo ondas na superfície, o fundo do oceano permanecia tranqüilo. Os pensamentos vão e vêm, nos fazem espumar, mas o fundo continua imóvel. Meditar a partir das ondas que somos para perdermos o pé e deitarmos raízes no fundo do oceano. Tudo isso tornava-se a cada dia um pouco mais vivo para ele e ele se lembrava das palavras de um poeta que o marcara nos tempos da sua adolescência: “A Existência é um mar incessantemente cheio de ondas. Desse mar as pessoas normais só percebem as ondas. Veja como, das profundezas do mar, inumeráveis ondas aparecem na superfície, enquanto o mar permanece oculto nas ondas”. Hoje o mar lhe aparecia menos "oculto nas ondas”, a unicidade de todas as coisas lhe parecia mais evidente, e isso não abolia o múltiplo. Ele tinha menos necessidade de opor o fundo e a forma, o visível e o invisível. Tudo isso constituía o oceano único da vida.

No fundo do seu sopro não se encontrava o Ruah? O pneuma? O grande sopro de Deus?
“Aquele que escuta com atenção sua respiração, lhe disse então o velho monge Serafim, não está longe de Deus.”
“Escute quem está no final do teu expirar. Quem está na fonte do teu inspirar.” Realmente, existia ali alguns segundos de silêncio mais profundos do que o fluxo e o refluxo das ondas, e havia ali algo que parecia carregar o oceano...

Meditar como um pássaro

Estar em uma boa postura, estar orientado em direção à luz, respirar como um oceano... isso ainda não é a oração hesicasta, lhe disse o Padre Serafim. "Agora você deve aprender a meditar como um pássaro", e ele o levou até uma pequena célula próxima à sua ermida onde viviam duas rolas. De início, o arrulhar desses dois pequenos animais lhe pareceu charmoso, mas não demorou para que esse som irritasse o jovem filósofo. De fato, elas escolhiam o momento onde ele estava caindo de sono para arrulhar as mais ternas palavras. Ele perguntou ao velho monge o que tudo isso significava e se essa comédia iria durar muito tempo. A montanha, o oceano, a papoula ainda passavam (mesmo que possamos nos perguntar o que existe de cristão nisso tudo), mas, agora, propor-lhe essa ave langorosa como mestre de meditação, era demais! O padre Serafim explicou-lhe que no Antigo Testamento, a meditação é expressa pelos termos da raiz “haga”, frequentemente traduzido para o grego por mélété – meletan – e para o latim por meditaria – meditatio. Em seu sentido primitivo, essa raiz queria dizer “murmurar em voz baixa”. Ela é igualmente utilizada para designar os gritos dos animais, por exemplo, o rugir do leão (Isaías 31, 4), o piar das andorinhas e o canto da pomba (Isaías 38, 14), mas também o grunhido dos ursos.
“Não temos ursos no Monte Athos. É por esta razão que o trouxe até as rolas, mas o ensinamento é o mesmo. É preciso meditar com a sua garganta, não apenas para acolher o sopro, mas também para murmurar o nome de Deus noite e dia...”

Quando você está feliz, quase sem se dar conta, você cantarola, você às vezes murmura palavras sem sentido e esse murmúrio faz todo o seu corpo vibrar de alegria simples e serena.

Meditar é murmurar como a rola, deixar subir em si esse canto que vem do coração, assim como você aprendeu a deixar subir em você o perfume que vem da flor... meditar é respirar cantando. Sem nos demorarmos muito no significado agora, eu proponho que você repita, murmure, cantarole as palavras que estão no coração de todos os monges do Athos: “Kyrie eleison, kyrie eleison...” Isso não agradou muito ao jovem filósofo. Ele já tinha ouvido essas palavras em algumas celebrações de casamento ou enterro; em francês elas eram traduzidas por: “Senhor, tenha piedade”.

O monge Serafim começou a sorrir: “Sim, esse é um dos significados dessa invocação, mas há muitos outros. Essas palavras também querem dizer: “Senhor, envie teu Espírito...! Que a tua ternura esteja sobre mim e sobre todos, que teu Nome seja abençoado, etc...”, mas não procure compreender o sentido dessa invocação, ele se revelará sozinho a você. Por enquanto, esteja sensível e atento à vibração que ela desperta em seu corpo e em seu coração. Tente harmonizar pacificamente essa invocação com o ritmo da sua respiração. Quando os pensamentos o atormentarem, volte suavemente a essa invocação, respire mais profundamente, mantenha-se ereto e imóvel e você conhecerá um início de hesychia, a paz que Deus dá, incomensuravelmente, àqueles que o amam. Passados alguns dias, o “Kyrie eleison” tornou-se um pouco mais familiar. Ele o acompanhava assim como o zumbir acompanha a abelha quando ela faz o seu mel. Ele nem sempre o repetia com os lábios. O zumbido tornara-se mais interior e sua vibração mais profunda.

O “Kyrie eleison” que ele renunciara a “pensar” acerca do seu significado, o conduzia por vezes a um silêncio desconhecido e ele se encontrava na atitude do apóstolo Tomé quando este descobriu o Cristo ressuscitado: “Kyrie eleison”, Meu Senhor é meu Deus.

A invocação o mergulhou pouco a pouco em um clima de intenso respeito por tudo aquilo que existe. Mas também de adoração por aquilo que mantém-se oculto na raiz de todas as existências. O padre Serafim disse-lhe então: “Agora você não está longe de meditar como um homem. Eu devo ensinar-lhe a meditação de Abraão.”

Meditar como Abraão

Até aqui o ensinamento do stárets fora de ordem natural e terapêutica. Os antigos monges, segundo o testemunho de Philon de Alexandria, eram, de fato, “terapeutas”. Seu papel, antes de conduzirem à iluminação, era o de curar a natureza, colocá-la em melhores condições para que ela pudesse receber a graça, a graça que não contradizia a natureza, mas a restaurava e a realizava. Era isso que o homem idoso estava fazendo com o jovem filósofo, ensinando-lhe um método de meditação que alguns poderiam chamar de “puramente natural”. A montanha, a papoula, o oceano, o pássaro – tantos elementos da natureza que lembram ao homem que ele deve, antes de ir mais longe, recapitular os diferentes níveis do ser, ou ainda os diferentes reinos que compõem o macrocosmo. O reino mineral, o reino vegetal, o reino animal...

Frequentemente o homem perde o contato com o cosmos, com o rochedo, com os animais e isso acaba provocando nele todo tipo de doenças, de mal-estares, de insegurança, de ansiedade.

Ele se sente “demais”, estranho e estrangeiro no mundo. Meditar era primeiro entrar na meditação e no louvor do universo, pois “todas as coisas sabem orar antes de nós”, dizem os padres. O homem é o lugar onde a oração do mundo toma consciência dela mesma. O homem está aqui para nomear aquilo que todas as criaturas balbuciam. Com a meditação de Abraão, nós entramos em uma nova e mais elevada consciência que chamamos de fé, ou seja, a adesão da inteligência e do coração a esse “Tu” ou a esse “Você” que é, que transparece quando chamamos todas os seres pelos seus primeiros nomes. Essa é a experiência e a meditação de Abraão: atrás do estremecer das estrelas, existem mais do que estrelas, uma presença difícil de nomear, que nada pode nomear e que no entanto possui todos os nomes...

É algo maior do que o universo e que, no entanto, não pode ser compreendido fora do universo.

A diferença que existe entre Deus e a natureza é a diferença que existe entre o azul do céu e o azul de um olhar... Abraão estava em busca desse olhar além de todos os azuis... Após ter aprendido a sentar, após ter aprendido o enraizamento, a orientação positiva em direção à luz, a respiração apaziguada dos oceanos, o canto interior, o jovem era convidado ao despertar do coração. “De repente, você é alguém”. Aquilo que é próprio ao coração, de fato, é personalizar todas as coisas e, nesse caso, personalizar o Absoluto, a Fonte de tudo aquilo que é e respira, nomeá-la, chamá-la de “Meu Deus”, “Meu Criador” e caminhar em Sua presença. Meditar, para Abraão, é manter, sob as mais variadas formas, o contato com essa Presença. Essa forma de meditação entra nos detalhes concretos da vida quotidiana. O episódio do carvalho de Mambré nos mostra Abraão “sentado à entrada da tenda, na hora mais quente do dia” e ali ele vai acolher três estrangeiros que vão se revelar como enviados de Deus. Meditar como Abraão, dizia o Padre Serafim, “é praticar a hospitalidade, o copo d’água que damos àquele que tem sede, não se afaste do silêncio, ele o aproxima da fonte.” Meditar como Abraão, você compreende, desperta não apenas em você a paz e a luz, mas também o Amor por todos os homens.” E o padre Serafim leu para o jovem a famosa passagem do livro do Gênesis onde se fala da intercessão de Abraão:

“Abraão estava diante de YHWH, Aquele que é – que era – que será.” Ele aproximou-se e disse:

“Vais realmente suprimir o justo junto com o pecador? Talvez haja cinqüenta justos na cidade, vais realmente suprimi-los e não perdoarás a cidade devido aos cinqüenta justos que estão no seu seio...?”

Abraão, pouco a pouco, teve que reduzir o número de justos para que Sodoma não fosse destruída. “Que o meu Senhor não se irrite e falarei uma última vez: talvez encontremos dez justos...” (cf. Gênesis 18, 16) Meditar como Abraão é interceder pela vida dos homens, nada ignorar da sua podridão e, no entanto, “jamais desesperar da misericórdia de Deus”. Esse tipo de meditação liberta o coração de todo julgamento e de toda condenação, em qualquer tempo ou lugar; quaisquer que sejam os horrores que você venha a contemplar, ele chama o perdão e a bênção. Meditar como Abraão nos leva ainda mais longe. A palavra tinha dificuldade em sair da garganta do padre Serafim, como se ele tivesse querido poupar o jovem de uma experiência pela qual ele próprio tivera que passar e que despertava na sua lembrança um sutil tremor: isso pode nos levar até ao Sacrifício... e ele citou a passagem do Gênesis onde Abraão se mostra pronto a sacrificar seu próprio filho Isaac. “Tudo pertence a Deus, continuou o padre Serafim, murmurando. Tudo é dele, por ele e para ele”; meditar como Abraão o conduz a essa total falta de posse de si mesmo e daquilo que você tem de mais caro... procure aquilo que lhe é mais caro, aquilo com o qual você identifica o seu eu: para Abraão era o seu filho, seu único filho. Se você é capaz desse dom, desse abandono total, dessa infinita confiança naquele que transcende toda razão e todo bom senso, tudo lhe será dado cem vezes mais: “Deus proverá”. Meditar como Abraão é não ter nada no coração e na consciência “além d’Ele”. Quando ele subiu até o topo da montanha, Abraão só pensava em seu filho. Quando ele desceu, ele só pensava em Deus.

Passar pelo cimo do sacrifício é descobrir que nada pertence ao “eu”. Meditar como Abraão é unir-se pela fé àquele que transcende o Universo, é praticar a hospitalidade, interceder pela salvação de todos os homens. É esquecer-se a si mesmo e romper os apegos mais legítimos para descobrir-se a si mesmo, nossos próximos e todo o Universo, habitado pela infinita presença “d’Aquele Único que É”.

Meditar como Jesus

O padre Serafim mostrou-se cada vez mais discreto. Ele sentia os progressos feitos pelo jovem na sua meditação e na sua oração. Ele o surpreendera diversas vezes com o rosto banhado de lágrimas, meditando como Abraão e intercedendo por todos os homens. “Meu Deus, misericórdia, o que vai ser dos pecadores...?” Um dia o jovem veio até ele e perguntou: “Pai, por que o senhor nunca me fala de Jesus? Qual era a sua oração, sua maneira de meditar? Não falamos de outra coisa durante a liturgia e os sermões. Na oração do coração, como nos fala a Filocalia, é o seu nome que devemos invocar. Por que o senhor não me fala nada a respeito?”

O padre Serafim tinha o ar perturbado. Era como se o jovem lhe pedisse algo indecente, como se fosse preciso revelar seu próprio segredo. Quanto maior é a revelação que recebemos, tanto maior deve ser a humildade daquele que a transmite. Sem dúvida, ele não se sentia humilde o suficiente: “Isso, apenas o Espírito Santo pode ensinar-lhe. Ninguém sabe quem é o Filho, senão o Pai; nem quem é o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (Lucas 10, 22). É preciso que você se torne filho para orar como o filho e manter com Aquele que ele chama de seu Pai e nosso Pai as mesmas relações de intimidade que Ele e isso é obra do Espírito Santo, ele o lembrará de tudo aquilo que Jesus disse. O Evangelho se tornará vivo em você e ele lhe ensinará a orar como é preciso.” O jovem insistiu. “Diga-me alguma coisa a mais.” O velho sorriu. “Agora, o melhor que eu tenho a fazer é começar a latir. Mas você também tomaria isso por um sinal de santidade. Então, é melhor simplesmente dizer-lhe as coisas.”

Meditar como Jesus recapitula todas as formas de meditação que eu ensinei até agora. Jesus é o homem cósmico. Ele sabia meditar como a montanha, como a papoula, como o oceano, como a pomba. Ele também sabia meditar como Abraão. O coração não tinha limites, ele amava até seus inimigos, seus carrascos: “Pai, perdoai-os, eles não sabem o que fazem”. Ao praticar a hospitalidade para com aqueles que chamamos de doentes e de pecadores, paralíticos, prostitutas, colaboradores... À noite ele se retirava para orar em segredo e aí, ele murmurava como uma criança: “abba”, o que quer dizer “papai”... Isso pode lhe parecer irrisório, chamar de “papai” o Deus transcendente, infinito, incomparável, que está além de tudo! É quase ridículo e, no entanto, essa é a oração de Jesus e nessa simples palavra, tudo era dito. O céu e a terra tornam-se terrivelmente próximos. Deus e o homem fazem apenas um. Talvez seja necessário dizer “papai” à noite para compreender isso... Mas hoje em dias essas relações íntimas de um pai e de uma mãe com seus filhos não querem dizer mais nada. Talvez essa seja uma imagem ruim...?

É por essa razão que eu prefiro nada dizer, não utilizar nenhuma imagem e esperar que o Espírito Santo coloque em você os sentimentos e o conhecimento que estavam em Jesus Cristo e que esse “abba” não venha da ponta dos seus lábios mas do fundo do seu coração. Nesse dia, você começará a compreender o que é a oração e a meditação hesicastas.” Agora, vá!

O jovem ficou ainda alguns meses no Monte Athos. A oração de Jesus o conduziu aos abismos, por vezes aos limites de uma certa “loucura”: Não sou mais eu que vivo, é o Cristo que vive em mim” – a exemplo de São Paulo, ele podia dizer essas palavras. Delírio de humildade, de intercessão, de desejo “que todos os homens sejam salvos e alcancem o pleno conhecimento da verdade.” Ele tornou-se Amor, ele tornou-se fogo. A sarça ardente não era mais uma metáfora, mas uma realidade: “Ele queimava e, no entanto, ele não era consumido.” Estranhos fenômenos de luz visitavam o seu corpo. Alguns diziam tê-lo visto caminhar sobre a água ou manter-se sentado, imóvel, a trinta centímetros do chão...

Dessa vez, o padre Serafim começou a latir: “Chega! Agora, vá!” e ele pediu que ele deixasse o Monte Athos, que ele voltasse para casa e ali ele veria o que sobrava das suas belas meditações hesicastas!... O jovem partiu. Ele voltou para a França. Acharam que ele tinha emagrecido e não acharam nada de espiritual na sua barba de aspecto sujo e seu ar negligente... Mas a vida da cidade não fez com que ele esquecesse o ensinamento do seu stárets!

Quando ele se sentia muito agitado, sempre sem tempo, ele ia se sentar como uma montanha na varanda de um café. Quando ele sentia em si o orgulho, a vaidade, ele lembrava-se da papoula, “toda flor murcha”, e novamente seu coração voltava-se para a luz que não passa.

Quando a tristeza, a raiva, o desgosto invadiam sua alma, ele respirava ao largo, como um oceano, ele tomava fôlego no sopro de Deus, ele invocava seu Nome e murmurava: “Kyrie eleison...” Quando ele via o sofrimento dos homens, sua maldade e sua impotência em mudar alguma coisa, ele se lembrava da meditação de Abraão. Quando ele era caluniado, quando diziam coisas infames a seu respeito, ela ficava feliz por meditar com o Cristo... Externamente, ele era um homem como os outros. Ele não procurava ter “ares de santo”... Ele até esquecera que praticava o método da oração hesicasta, ele simplesmente tentava amar Deus instante após instante e caminhar na Sua Presença...


Jean-Yves Leloup, doutor em Psicologia, Filosofia e Teologia, escritor, conferencista, dominicano e depois padre ortodoxo, oferece através dos seus livros, conferências e seminários um aprofundamento dos textos sagrados, assim como uma abordagem e uma reflexão extremamente ricas sobre a espiritualidade no quotidiano graças à uma formação pluridisciplinar de rara complementaridade.


Reclamar não é a solução


Por Bel Cesar

Lama Michel nos alertou recentemente em seus ensinamentos sobre quanto tempo e energia perdemos com a mania de reclamar. Fiquei tocada ao escutar os seus conselhos sobre a importância de não ficarmos presos aos problemas na tentativa de conhecê-los melhor: “Em geral, ficamos presos em nossos problemas ao invés de nos concentrar na solução. Ficamos mastigando eles tempo demais... Até parece que gostamos do sabor que os problemas têm! Se eu estou comendo uma coisa ruim, deveria me focar em saber o que fazer para me livrar disso, em vez de me envolver cada vez mais com o problema”.

O ato de reclamar alimenta a visão negativa dos problemas. Assim eles crescem cada vez mais. Reclamar é uma forma de auto-hipnose: ficamos intensamente convencidos do que dizemos a nós mesmos. Reforçamos a carga negativa de um problema à medida que nos indignamos com ele.

Para cultivar a disposição interna de identificar-se com a solução e não com a confusão, precisamos nos desapegar da ilusão de que ficar com o problema seria uma maneira de ganhar algo que queremos muito.

Para nos libertar do problema teremos que desistir dele. Pode parece até simples demais o que vou dizer, mas faz muita diferença pensar sobre a seguinte questão: “Como seria minha vida sem esse problema? Isto é, o que ganho em dar tanto peso a esta questão”?

Em geral, não nos desapegamos de nossos problemas porque atribuímos a eles um meio importante de expressar a nossa existência: quem somos em relação aos outros e a nossa própria auto-imagem. De fato, um problema reflete tanto a nossa força interior quanto a nossa vulnerabilidade.

Se um problema nos faz sentir fracos, iremos resistir em encará-lo de frente. Reclamar será então um ótimo meio para dar voltas em vez de solucioná-lo. Pode até parecer que ao reclamar estaremos atacando o problema, mas, na realidade, nos tornamos cada vez mais vítimas de um processo sem solução.

Ao passo que, ao decidir encarar nossos problemas de frente, baseados na intenção de nos libertar deles, teremos menos medo ou resistência em nos arriscar diante de novas soluções.

Reclamar é um jeito de justificar que não mudamos porque não sabemos fazer de outro modo. OK, pode ser verdade que se soubéssemos agir de um modo diferente já o teríamos feito. Mas para caminhar em direção à solução e não ficar patinando no problema, teremos que nos arriscar a ver as coisas de outro modo: começando por cultivar a humildade de nos render diante de nossas próprias convicções. Temos que nos desapegar da visão que até então tivemos deste problema! Se esta nossa visão fosse positiva, e nos trouxesse reais benefícios, não estaríamos ainda presos ao problema.

Portanto, é melhor decidir-se por abandonar o orgulho de ter sofrido tanto por algo do que manter-se preso a ele!

Paramos de reclamar quando reconhecemos nosso potencial de gerar mudanças em nosso interior. Como diz Lama Michel: “Em geral nossa auto-imagem é tão estática que achamos que é mais fácil mudar o que está à nossa volta. Mas já sabemos que isso é uma ilusão. Se não podemos mudar as coisas fora de nós, ainda assim temos a liberdade de aceitar viver de maneira diferente uma mesma situação”. Quando mudamos internamente, tudo muda à nossa volta. É a tal velha história: sermos nós mesmos a mudança que queremos ver no mundo.

Todo mundo sabe que a mudança interna não acontece de um dia para o outro. Ela começa quando reconhecemos que reclamar só nos faz aumentar o sentimento de insatisfação e termina quando nos desapegamos da resistência em aceitar a própria mudança.

Ao passo que encontrando força interior pela clareza de pensamento de um novo olhar, diminuímos a resistência em lidar de frente com nossos problemas. Gradualmente nos tornamos mais flexíveis. Quando esta compreensão racional amadurece e aceitamos emocionalmente o novo ponto de vista, sentimos o frescor de um novo bem-estar: um sinal que adquirimos espaço interior.

Lama Gangchen costuma nos dizer: “A natureza positiva da mente é como o espaço infinito. No entanto, ele diminui com a presença dos pensamentos negativos. Se quisermos nos sentir bem, teremos que cultivar pensamentos positivos para relaxar em nosso confortável espaço interior”.