sexta-feira, 19 de agosto de 2011

No exercício do amor, você pratica alegria ou tirania?


Estranho paradoxo o que a maioria dos casais experimenta: ao mesmo tempo em que desejam sinceramente serem felizes e fazer com que o relacionamento dê certo, sem se darem conta vão agindo no sentido de armar uma verdadeira guerra um contra o outro. Ou seja, buscam a alegria, mas pelo caminho da tirania. Resultado? Não dá certo!

Alegria é resultado de atitudes leves, que incluem compreensão, ponderação, reflexão, paciência, capacidade de colocar-se no lugar do outro, aprender a relevar, desculpar, não endurecer tanto, não acusar tanto, olhar para si mesmo e buscar um comportamento mais equilibrado... Ao passo que a tirania é a conduta arrogante e prepotente de quem sempre tem razão e é incapaz de aceitar as diferenças, de concordar que o outro pode pensar e sentir de modo adverso e, ainda assim, ambos terem razão. As suas razões.

Claro que muitas pessoas imediatamente reagem a esse tipo de acusação dizendo que não são assim, que não se consideram sempre certos. Porém, pergunto: se você está brigando e discutindo com alguém, o que mais está fazendo senão tentando provar que ele está equivocado e que você está certo? Afinal, esta é a base de qualquer crise – um descordar do outro!

Não estou querendo insinuar que num relacionamento nunca haverá discordâncias. Isto é impossível. O que proponho é uma reflexão sobre o quanto elas são recorrentes e o quanto têm se tornado um jeito de exercitar o amor. Sim, porque muitas pessoas terminam considerando as constantes brigas e discussões como normais. E embora sintam o peso deste clima, a tensão e a falta de alegria, continuam presas nesta dinâmica doentia e destrutiva.

Como mudar? Como sair deste círculo vicioso? Como para a maior parte das perguntas sobre relacionamentos, começaria dizendo que a solução é simples, mas nem por isso fácil! Aliás, por ser tão simples, mas tão profunda e exigir tanta autenticidade, não é mesmo nada fácil. Mas é possível e, sobretudo, vale muito a pena!

Comece considerando a única verdade sobre relacionar-se: é preciso que você faça a sua parte e se responsabilize por ser o melhor que pode, a cada dia. Isso quer dizer que enquanto você continuar discutindo, gritando e tentando convencer o outro de que está com a razão, bem pouco vai adiantar e dificilmente vão se entender!

Pare e ouça. Sim, ouça o que o outro está dizendo. Se não entender, pergunte! Interesse-se por descobrir o que ele está sentindo, o que está pedindo, do que sente falta, o que quer, como quer, quanto quer! Nenhuma solução pode ser encontrada se você não souber e compreender exatamente o que está acontecendo no seu relacionamento.

E acredite: não se trata de submissão ou de fazer o que você não quer. Não se trata de se desrespeitar ou ignorar seus limites. Não! Trata-se de flexibilizar, crescer, rever conceitos e crenças. Trata-se de aprender e evoluir! Isto é relacionar-se de verdade.

Cada vez que você se disponibiliza a pelo menos tentar (mas tentar de verdade, com todo seu coração) a conciliação, em vez de se desgastar apontando os erros e as limitações do outro, você está, de fato, praticando o exercício de amar!
Por Rosana Braga


Entre os príncipes e os sapos, muitos detalhes devem ser considerados...


Você certamente preferiria encontrar um príncipe a um sapo, não é? Claro, dentre os conceitos que definem um homem, o de príncipe é bem mais atraente e interessante do que o de sapo. O primeiro refere-se àquele gentil, carinhoso e romântico, enquanto que o segundo aponta para aquele esquisito, desatento e, por vezes, até irritante!

No entanto, como todo conceito fechado, este também merece uma reflexão, e o quanto antes, para evitarmos mais buscas ilusórias, expectativas frustradas e, por fim, desencontros desastrosos! Será mesmo que existem os homens que são príncipes e os que são sapos? Se, sim, nesta mesma medida, deve haver então as mulheres que são princesas e as que são "pererecas", certo? Não! Errado! Nem uma coisa, nem outra!

Podemos começar a desconstruir esse raciocínio admitindo que todos nós, tanto homens quanto mulheres, somos príncipes e princesas, mas também sapos e pererecas! Afinal, em alguns dias, estamos bem-humorados, divertidos, leves, atraentes e encantadores. Enquanto que, em outros, estamos tensos, tristes, impacientes e até repelentes.

Isto é ser gente. Existir em todas as possibilidades e nuances. Transitar entre a luz e a sombra e descobrir, neste caminho, a possibilidade de amadurecer e se tornar melhor. E tudo isso acontece, inclusive, enquanto nos relacionamos. Enquanto buscamos um amor ou durante a vivência dele. E tudo bem... Não há nada de errado em se permitir ser tudo isso. O problema começa quando a permissão só é dada a si mesmo e não ao outro.

Pessoas que desejam encontrar e se relacionar somente com príncipes ou com princesas, que não conseguem acolher o sapo e a perereca que existe em cada homem e em cada mulher, certamente, vão se decepcionar e amargar, repetidas vezes, aquela sensação de que sempre escolhe a pessoa errada. Será? Será mesmo que existem pessoas erradas e pessoas certas? Ou seria mais inteligente se encarássemos a todos com quem nos relacionamos como uma imperdível e exclusiva oportunidade de aprender algo novo?

Além disso, esta reflexão também pode ser um desafiante convite para que você exercite mais a sua porção príncipe ou princesa, exatamente como sabe fazer - e muito bem - toda vez que deseja conquistar alguém. Gentileza, carinho, atenção, paciência, saber ouvir, ceder, presentear, mimar, entre outras pequenas atitudes cativantes são sempre muito bem-vindas e fazem toda a diferença no seu dia-a-dia e no seu relacionamento, embora não eliminem definitivamente a sua porção sapo ou perereca!

No final das contas, o grande desafio do amor, para todos nós, é tentarmos, todos os dias, encontrar o equilíbrio na relação. Se seu par acordou sapo, calibre o ambiente com sua parte princesa e vice-versa. E lembre-se de que, como numa equação matemática, o mais importante é que, ao passar a régua, o saldo seja sempre positivo. E isso quer dizer que se você tem se relacionado mais como sapo ou perereca do que como príncipe ou princesa, algo precisa ser feito, urgentemente! Caso contrário, como se diz popularmente, a fila anda... porque o reinado precisa funcionar!

Por Rosana Braga

domingo, 7 de agosto de 2011

Escolhendo a verdade



Para muitas pessoas, chega um momento na vida em que a verdade de quem realmente são, começa a se impor. Por mais que tentem ignorar este chamado, ele se torna cada dia mais intenso, até que a falsa identidade que elas carregam se torna um fardo pesado demais e precisa ser abandonado.

Este fenômeno, conhecido como o despertar interior ou a noite escura da alma, pode acontecer, de repente, sem qualquer aviso, ou ter início a partir de algum acontecimento extremamente difícil, doloroso, como uma perda afetiva ou uma doença grave.

É quando descobrem que a fachada que assumiram como o eu real, mostra-se, repentinamente frágil, vulnerável e incapaz de lhes dar sustentação em circunstâncias desafiadoras, onde os alicerces em que se apoiavam parecem desaparecer.

Quando chega este momento, a saída é ir cada vez mais fundo neste mergulho interior, por mais assustador que ele pareça a princípio. Aos poucos, todas as falsas camadas que encobrem o verdadeiro ser, vão sendo dissolvidas e se revela, então, uma fonte inesgotável de paz, equilíbrio e serenidade, para a qual sempre é possível retornar.

A partir deste momento, já não nos sentimos mais confortáveis na velha identidade, pois ela se baseava no medo, na angústia e na falta de confiança em nosso poder. Quando este fenômeno acontece, entregamo-nos à vida em total confiança, com a certeza de que, seja o que for que ela nos traga, estará em conformidade com o que nosso ser verdadeiro precisa para crescer, expandir-se, evoluir.

Escolher a verdade é sempre o caminho mais saudável, ainda que os percalços se apresentem pois, ao final, as recompensas certamente compensarão todos os sobressaltos.

...Quando você se esconde atrás de fachadas, o real começa a morrer e o não real prospera, torna-se mais robusto. Se você se expuser, o não-verdadeiro irá morrer, ele estará pronto para morrer, porque o não verdadeiro não consegue permanecer no aberto. Ele consegue permanecer apenas em sigilo, na escuridão, nos túneis da sua inconsciência. Se você o trouxer à consciência, ele começará a evaporar. (......)

...No começo vai ser realmente muito assustador, mas logo você começará a ganhar força porque uma vez que a verdade é exposta, ela se torna mais forte e a não verdade morre. E com a verdade tornando-se mais forte, você se tornará mais enraizado e centrado. Você começa a se tornar um indivíduo. A personalidade desaparece e o indivíduo aparece.

A personalidade é falsa e a individualidade é substancial. A personalidade é simplesmente uma fachada e a individualidade é a sua verdade. A personalidade lhe é imposta de fora, é uma persona, uma máscara. A individualidade é a sua realidade, ela é como Deus o fez. A personalidade é uma sofisticação social, um polimento social. A individualidade é crua, selvagem, forte e com tremendo poder.

Somente no começo haverá medo. Por isso a necessidade de um Mestre, para que no começo ele possa segurar suas mãos e lhe dar suporte, para que ele possa levar-lhe a dar alguns passos com ele. O Mestre não é um psicanalista. Ele é muito mais. O psicanalista é um profissional e o Mestre não é um profissional. Não é sua profissão ajudar as pessoas, é a sua vocação, é o seu amor, é a sua compaixão.
E por causa dessa compaixão ele o conduz apenas o tanto que você precisa dele. No momento em que ele sente que você pode ir por si mesmo, ele começa a soltar as suas mãos. Embora você quisesse continuar agarrado, ele não pode permitir isso.

Uma vez que você esteja pronto, corajoso e desafiador; uma vez que você tenha experimentado a liberdade da verdade, a liberdade de expor a sua realidade, você poderá seguir por si mesmo. Você conseguirá ser uma luz para si mesmo.

Mas o medo é natural... o medo surge porque uma grande crise de identidade aparece... você tem sido um certo tipo de pessoa. ....abandonar aquela identidade e começar a aprender a respeito de si mesmo desde o ABC é assustador.
...O medo é natural. Não o condene e não sinta que ele é algo errado. Ele é apenas parte de toda essa educação social. Nós temos que aceitá-lo e ir além dele. Sem condená-lo, nós temos que ir além dele.

...Você irá descobrir o sabor da verdad ...Sua velha identidade será perdida e você terá uma concepção totalmente nova. Não será, na verdade, uma identidade, mas uma nova visão, uma nova maneira de ver as coisas, uma nova perspectiva.

...Você nunca alcançará uma outra identidade. A sua velha identidade terá ido embora e, pela primeira vez, você começará a sentir-se como uma onda no oceano de Deus. Isso não será uma identidade porque você não estará ali. Você terá desaparecido. Deus terá se apoderado de você.
Se você colocar em risco o falso, a verdade poderá ser sua. E ela vale isso, porque você coloca em risco apenas o falso e ganha a verdade. Você nada arrisca e ganha tudo.

...É melhor ficar quieto, diz a mente. É melhor não trazer todos os velhos fantasmas, não liberá-los. É melhor deixá-los sentados lá....'você já agüentou tanto tempo, por que você não pode agüentar alguns dias mais? Por que criar perturbações? Por que criar agitações desnecessariamente?'

...A repressão cria o inconsciente. Quanto mais reprimido você for, maior o inconsciente que você tem. O que na verdade é o inconsciente? Ele é aquela parte de sua mente que fica de lado, é aquela parte de sua casa onde você nunca vai, o porão. Você vai atirando ali todo tipo de coisas e nunca você vai lá. (...)

O inconsciente é uma criação da civilização. Quanto mais civilizado você for, mais inconsciente você será. Se você for absolutamente civilizado, você será um robô, você será absolutamente inconsciente. Isso é o que está acontecendo. Esta calamidade está acontecendo em todo o mundo. Isso tem que parar. E a única maneira de parar isso é ajudando as pessoas a colocar para fora os seus inconscientes nas meditações.

...não perca esta oportunidade.... Mas você tem que começar neste exato momento a viver conscientemente. Somente então você poderá morrer conscientemente. Mesmo que você consiga viver conscientemente por poucos anos, isso será o suficiente. Mesmo alguns meses ou mesmo alguns dias, se a intensidade for grande, mesmo alguns minutos serão suficientes para viver conscientemente. Então, a pessoa se torna capaz de morrer conscientemente. E morrer conscientemente é ressuscitar numa dimensão totalmente diferente, a dimensão do divino".

OSHO - The Guest.

Por Elisabeth Cavalcante


O medo de dar certo



Quantas e quantas vezes vemos o que mais queremos nunca dar certo...

Já notaram como muitas pessoas que desejam ter um relacionamento feliz... uma carreira de sucesso, construir uma família... e muitos outros sonhos, não conseguem realizar justamente aquilo que mais querem?
E, algumas vezes, é nos desejos onde elas encontram mais problemas...

Elas tentam de todas as maneiras e, aparentemente, estão muito abertas para aquilo, mas só atraem situações de dor nos relacionamentos e de insucessos na carreira, dependendo de onde colocam o foco principal... E não conseguem entender por que, se têm todas as condições necessárias para serem felizes naquilo que acreditam ser o ponto mais importante da vida delas... e uma vontade enorme de dar certo.

Claro que isso pode acontecer por muitos motivos, mas um deles é o "medo de dar certo" e esse aparente querer pode esconder justamente o "não querer de jeito nenhum"... se arriscar naquele mesmo terreno de novo... e viver de novo as mesmas dores que trazemos registradas em memórias equivocadas.

Então... passamos um grande período de tempo... ou até a vida toda, nos sabotando. Preferimos viver na superficialidade das coisas, do que correr o risco de tentar de novo mergulhar por inteiro...

Somos muito sutis e sofisticados na arte da auto-sabotagem e... se no fundo queremos nos esconder e não queremos viver coisas que nos remetem a experiências de dor, uma das formas de tentarmos evitar a dor e de nem sequer descobrirmos essa parte nossa, é justamente agindo como se aquilo fosse o que a gente mais quer... seja um relacionamento, um trabalho, uma carreira... ou qualquer outro sonho...

Mas será que é isso mesmo que queremos?
Já vi casos de pessoas que colocam o principal objetivo da vida delas no relacionamento e só atraem situações onde é impossível viver o amor...
E ao escondermos esse "medo de dar certo" justamente sob a aparência de querer muito dar certo... nos tornamos vítimas indefesas de inúmeras pessoas e situações que sempre impedem que nossas sonhos se realizem...
Parece que sempre a culpa é do outro ou das situações, ou da vida... afinal tentamos de tudo...

Esse medo nos afasta cada vez mais da possibilidade de sermos felizes... até o dia em que decidimos ir além dos medos e das memórias equivocadas para entender que as experiências passadas, nessa e em outras vidas, nunca deveriam nos impedir de experimentar de novo e por inteiro...

Há uns poucos anos tive uma experiência muito forte com esse temor ligado ao medo de usar os Dons da intuição, que conto neste texto. Fiz e ainda faço o Ho'oponopono sempre que o percebo por perto... e os resultados são muito visíveis...

Este medo pode se manifestar em muitas áreas da nossa vida, lá onde temos memórias de dor...
Quando o identificamos e vamos fazer Ho'oponopono para limpar a causa, uma das formas de assumir 100% de responsabilidade é fazer a pergunta:
O que em mim está causando o medo de dar certo em tal situação?
A seguir pedimos à Divindade para limpar a causa desse medo e transmutá-la em pura Luz... E verbalizamos as frases de acordo com nossa intuição... "Sinto muito! Me perdoe! Te Amo! Sou Grata"!
Ou alguma outra que venha a ser revelada...
Tenho usado muito "Eu Sou o Amor", que me veio em uma situação muito aflitiva e que se resolveu de forma maravilhosa.

Siga sempre sua intuição... mas faça alguma coisa sempre que identificar "o medo de dar certo"; afinal, merecemos dar certo na vida e vivê-la por inteiro, sem precisar ficar na superfície por medo dos mergulhos profundos.
Eles são arriscados, mas... só assim podemos ir além e desfrutar das maravilhas que é estar aqui e agora na Terra.
Se não for agora, até quando vamos esperar para dar certo?

Por Rúbia A. Dantés

domingo, 31 de julho de 2011

Prazer em resolver problemas



É um prazer resolver problemas quando os encaramos como um estímulo para a autorrealização. Afinal, a alegria diante de uma realização interior é genuína.

É como o sorriso de uma criança quando está aprendendo a andar. Quando sua mente está livre de expectativas exageradas e do medo de errar, ela pode gozar da satisfação do autodomínio. Tal satisfação inata já foi motivo de pesquisa científica. Cientistas separaram três grupos de bebês com dois meses de idade. No primeiro, os bebês ficavam com a cabeça apoiada num travesseiro que, conforme pressionavam com seu peso de suas cabeças, fazia um móbile pendurado logo acima deles se mover. No segundo grupo, o móbile se movia independente dos movimentos de suas cabeças e, no terceiro, o móbile não se movia. Não é preciso dizer que o primeiro grupo de bebês sorria e se agitava de prazer ao aprender a girar o móbile enquanto nos demais não reagiam, apenas o observavam.

No entanto, na medida em que crescemos, esta satisfação gerada pelo autodomínio será inibida devido aos inúmeros "nãos" que passamos a escutar, sem mesmo entender por que.

Gradativamente, a sensação de inadequação, culpa, vergonha e frustração irá se instalar em nossos padrões mentais. Neste sentido, aprendemos que não podemos controlar os "móbiles" como gostaríamos, mas, sim, que serão eles que irão nos controlar!

Bebês que tiverem pequenos prazeres gerados pela autonomia e independência crescem com mais facilidade para afirmar a sua pessoa. Por exemplo, comer com as próprias mãos. Quando os pais insistem em dar comida na boca das crianças, estão tirando delas o prazer e a aventura de comer.

Aprendi com minha mãe a alimentar meus filhos: colocava diante deles diversas tigelinhas com uma leguminosa, um cereal, uma raiz, uma flor, uma folha e um fruto. Assim, eles podiam escolher por si próprios o que queriam comer. No início, com as mãos, depois com a colher. Era uma grande bagunça, mas que deu certo! Nunca tiveram problemas para comer...

Seguir ordens é um processo penoso, pois, na maioria das vezes, representa negar nossas necessidades pessoais. Abrir mão do desejo natural de explorar o desconhecido e saber aguardar o momento justo para agir é um desafio constante que teremos que adquirir ao longo de toda nossa vida.
Quando as crianças observam os adultos tendo prazer em resolver problemas, aprendem e experimentam o mesmo prazer ao tentar resolver seus próprios problemas. Se tivermos crescido num ambiente seguro e que, ao mesmo tempo, nos encorajou para seguirmos adiante com nossas iniciativas e riscos pessoais, quando adultos seremos autônomos e, ao mesmo tempo, respeitaremos nossas necessidades naturais de dependência e proteção. Mas, se tivermos sido constantemente desencorajados a explorar o mundo à nossa volta, vamos crescer crendo que somos incapazes e que agir não leva a nada. A dor de ter nossas emoções e necessidades ignoradas ou distorcidas gera uma sensação profunda de inadequação.

Aos cinco anos de idade, já desenvolvemos uma noção clara do que podemos ou não fazer. Deixamos de agir erroneamente mesmo quando estamos a sós. Se nossos pais foram extremamente controladores, teremos facilmente a sensação de culpa e vergonha quando agirmos por conta própria, à revelia de seus comandos.

Quando crescemos, este sentimento já estará tão arraigado em nós que nem sabemos mais porque o sentimos. A questão é que quando ele se torna demasiado, perdemos tanto o desejo como o prazer de exercitar a nossa própria vontade!

Para superar esse bloqueio criativo, temos que cultivar uma nova postura interior, na qual nos vemos como criadores de nosso próprio curso de vida. Desta forma, será prazeroso nos estimularmos a assumir tanto os riscos como as suas consequências.

Para recuperar a alegria de conquistar uma nova habilidade, temos que nos conscientizar, repetidas vezes, de que não somos mais reféns do controle externo como fomos um dia.

Quando nos sintonizamos com a autorresponsabilidade e o autodomínio, somos capazes de aprender a ver os problemas não como problemas, mas como oportunidades de crescimento interior.

Lama Zopa, em seu livro "Transformando problemas em felicidade" (Ed. Mauad) nos esclarece que precisamos ter constantemente duas atitudes internas: 1. cultivar uma mente que não tem aversão aos problemas e 2. gerar uma mente que sente prazer em resolvê-los.

Para tanto, temos que evitar exageros. Encarar os grandes problemas passo a passo é uma forma de sermos gentis com nossos limites e incertezas. Intuitivamente, sabemos que não adianta ficarmos inquietos, com raiva ou deprimidos.

Lama Gangchen nos aconselha a substituirmos a palavra "problemas" por "pequenas dificuldades".

Na realidade, gostamos de arranjar pequenos problemas para resolver! Pois a sensação de controlá-los mantém nosso cérebro saudável e equilibrado. Enquanto uma área do cérebro registra a chance de erro e aciona outra área que nos deixa acordados e atentos, outra área analisa a situação e traça estratégias que, por sua vez, ativa o sistema de recompensa, deixando-nos motivados e animados com o desafio.

Na medida em que resgatamos o prazer de solucionar problemas, recuperamos o prazer de viver. Afinal, problemas existem e sempre existirão!

Por Bel Cesar