sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Solte a velha bagagem e renove-se para avançar!


Nossas limitações na compreensão acerca da realidade divina fazem com que criemos a ilusão de que somos detentores de poderes, conhecimentos, sabedoria e energias; lutamos ferrenhamente contra qualquer invasor ou raptor dessas nossas "posses", somos apegados a tudo o que acreditamos ser nosso. Porém, nada do que existe na dualidade é real.

Com estas crenças, quando conseguimos chegar a um ponto em que nos sentimos mais bem sucedidos e em posse de conquistas, inevitavelmente, nos sentimos inseguros por acreditarmos que seremos "invejados, cobiçados e roubados" em nossas posses. Contra isso, criamos um esquema de segurança e gastamos muita energia na tentativa de nos protegermos dos ataques daqueles que querem o que é nosso. Diante destas sensações e medos, ao invés de aproveitarmos aquilo que já conquistamos, para prosseguirmos, ficamos estagnados, em vigilância, para detectarmos os possíveis ataques e furtos que possamos sofrer.

Tudo o que estou descrevendo, em termos de roubo, assédio, ataques e furto, acontece na dinâmica oculta, dentro da trama energética e inconsciente que criamos com o mundo, isto ocorre na "Matrix", naquele mundo oculto que só é descoberto quando há um forte propósito em buscar a transformação pessoal.

Como estamos mergulhados na dualidade (onde tudo é ilusão), não há como não sentirmos os efeitos essa interação dentro de nossas teias energéticas, sentimos grande desconforto, medo de perder, medo de sermos injustiçados. Assim, sempre que conseguimos alcançar um determinado ponto mais elevado em nossa trajetória de vida, mesmo que tenhamos muita consciência de que essa sensação de roubo é ilusória, infelizmente, dentro dessa dinâmica energética, tudo nos parece muito real, tudo é muito intenso, sentimos muita dor e desespero quando sentimos que existem energias intrusas, invasivas e oportunistas em nosso encalço, temos a sensação de que há alguém à espreita, esperando que conquistemos algo para então nos "atacar dissimuladamente, sugar nossas energias e roubar as energias-consciência de nossos feitos". Tudo se torna muito real porque quando somos "puxados" para dentro da trama energética da pessoa que quer pegar o que é nosso, nos sentimos sugados e drenados, quase destruídos. Se olharmos para o "gatuno", após o "roubo", conseguiremos perceber em seus olhos a força que ele conquistou através do que nos tirou, percebemos sua satisfação e vaidade por ter conquistado poder às nossas custas e nos tirado esse poder.

Sendo assim, temos que aceitar e precisamos olhar para essa questão de outra forma, para não nos perdermos dentro dessa trama. Se possuímos algo (conquistas em níveis de energia-consciência daquilo que criamos) que é alvo de cobiça e inveja, significa que conseguimos alcançar um nível que a outra pessoa não conseguiu alcançar. Sempre que chegamos a um lugar mais alto em nossa escalada, não necessitamos mais das ferramentas que usávamos nos níveis abaixo, ou seja, todas as energias, condições, capacidades e potenciais que geramos e criamos para chegarmos àquele ponto, foram adequadas somente para chegarmos até ali.

A partir da chegada, iremos prosseguir e criar novas condições e energias-consciência dentro desses novos níveis de energia, desse novo patamar. Isto significa que essa velha energia-consciência é uma bagagem desnecessária e, inclusive, irá pesar e nos aprisionar nas velhas referências de conquistas, pois teremos que chegar praticamente livres de qualquer contaminação relacionada às crenças e condições anteriores, que nos impulsionavam nos níveis inferiores.

Criamos e carregamos a velha bagagem por muito tempo e isso fez com que acreditássemos que ela é imprescindível à nossa sobrevivência até o final de nossos dias. Mas a partir do momento em que conseguirmos nos superar e conseguimos evoluir a ponto de entrarmos em freqüências vibratórias mais elevadas, essa mesma bagagem já não faz mais sentido de existir. Porém, nos sentimos "seguros e protegidos" com ela, acreditamos que não poderemos entrar num novo caminho sem nenhuma bagagem e isso faz com que nos apeguemos a ela.

Claro que esse apego não é saudável, pois não conseguimos dar nenhum passo para adentrar o novo caminho, se estivermos carregados com o velho. Nesse caminho, a condição é de renovação, sem nada do que é anterior, com foco no novo. Enfim, se queremos entrar nesse novo caminho, num nível mais elevado de vibrações, temos que chegar de mãos vazias, somente podemos levar a energia de nosso coração puro, cheio de vontade de finalmente assumir o poder sobre nós e nos guiar amorosamente. Mas, infelizmente, neste ponto o ego se recusa a descarregar a bagagem velha, ele até está disposto a se entregar um pouco mais para o coração, mas não está disposto a abrir mão de sua pseudo-segurança. Ficamos num ponto em que estagnamos.

Se não conseguimos deixar nossa velha bagagem para trás e precisamos fazer isso, torna-se então muito favorável que um "gatuno" se aproveite desse nosso momento de conflito interno e roube o objeto de seu desejo: nossa bagagem! No momento em que ele nos rouba, nos sentimos feridos, machucados mesmo, sentimos um grande sentimento de injustiça que nos invade e não conseguimos nos conformar com o que nos aconteceu, pensamos não ser justo alguém chegar e nos roubar a bagagem que por tanto tempo criamos e carregamos. Sentimos a dor de uma criança quando alguém lhe tira um objeto muito precioso.

Caso isso nos ocorra, deveremos permitir que esse "roubo" aconteça, com aceitação, e deveremos experimentar as sensações da criança traída e roubada, isto poderá nos remeter à velha dor tão conhecida de nossa criança ferida, há muito tempo. Acessando essa dor, iremos liberar a energia aprisionada dentro dessa questão e isso será libertador. Depois que lavarmos a alma sentindo a dor e/ou chorando, nos sentiremos renovados e fortalecidos.

Sem a velha bagagem, que não continha nada de importante para nosso novo momento, a leveza tomará conta de nosso ser. A energia pesada da bagagem estava nos mantendo presos e para o novo chegar, é preciso que o velho dê lugar a ele. A sensação de desproteção que acreditávamos que sentiríamos quando nos tirassem a bagagem, não acontece. Ao contrário, nos sentimos revigorados, as novas energias tomam conta de nós, um novo ânimo se instala, uma força renovadora acontece em nosso ser. Respiramos fundo, satisfeitos e leves, felizes com as novas possibilidades que se mostram à nossa frente. Estamos renovados para trilhar nossa nova etapa, dentro de níveis de freqüência mais elevados.

Por Maria Teresa Pascotto


Você espera ou faz acontecer?


Com certeza, existe uma sabedoria em esperar e também em fazer as coisas acontecerem... E nada como viver e ir enfrentando os desafios da vida para, ora assumir uma postura, ora outra.

Depois de mais de dez anos, Ruth voltou a me procurar e fiquei triste com a sua vida atual, separada depois de dois casamentos, filhos criados, ela estava triste e amargurada com a vida.

Quis me ver novamente porque tinha esperança que esse contato com a espiritualidade, com os mentores pudesse aliviar sua dor e, de fato, vieram explicações sobre o seu sentimento de abandono e impotência.

Porém, se estamos encarnados para resolver nossas questões também temos uma ação importante no mundo objetivo e ela confessou que não tinha se dedicado o suficiente na lição de casa passada na época. E os mentores lembraram a Ruth do seu perfil guerreiro, lutador e pouco paciente, características que imperam em sua vida.

Ela confirmou, inclusive, fora orientada sobre uma mudança importante e que deveria aprender a lidar com mais paciência com as pessoas e desenvolver o amor, a tolerância que promovem a troca nos relacionamentos, coisa que não fez. Depois do nosso encontro, ela prometeu que iria tentar mudar, pois não queria mais sofrer.

Na mesma semana, encontrei Claudio, um cliente da mesma época, porém, com uma trajetória completamente diferente. Ele agiu como foi indicado, harmonizou-se com a família e começou encarar seus desafios de forma muito mais otimista. E olha que a vida dele não era nada fácil, estava preso a um casamento falido, consciente do sacrifício, pois queria criar o filho excepcional, junto com a mãe da criança.

Vejo que ele era uma pessoa muito especial, pois tudo o que ele fez exigiu muita doação e coragem. No decorrer desses anos, vendo a dificuldade em educar uma criança com problemas, criou uma ONG para ajudar famílias carentes com o mesmo tipo de questão. Sua esposa se formou professora e foi trabalhar na instituição. Hoje, seu filho está se formando e ele está feliz num segundo casamento. Conversando no supermercado, onde nos encontramos, ele me agradeceu pelo caminho que trilhamos juntos anos atrás.

"Sabe, Maria Silvia, na época foi duro compreender que a mudança estava em mim. Estava revoltado com o problema do meu filho e muito infeliz com a vida. Porém, quando compreendi que uma mudança dependia em primeiro lugar de minhas atitudes, comecei fazendo as pazes com a dor... e abrindo a mente e o coração para enxergar os outros. Estava sofrendo tanto que olhava apenas para o sofrimento e, justamente por isso, era egoísta, pois não conseguia ver o outro. Mudei bastante e o universo passou a conspirar a meu favor. Hoje, trabalho muito para manter tudo o que criei, mas sou feliz".

Pois é, amigo leitor, numa mesma semana, o desdobramento de duas histórias. Uma feliz e outra bem triste. A grande diferença entre elas foi como essas pessoas encararam o sofrimento. Um se abriu para a vida e fez acontecer, enquanto a outra esperou das pessoas e da vida soluções e, com isso, abriu mão do seu poder, da sua ação.

Assim, amigo, coragem! Faça sua parte e pare de reclamar porque isso não resolve nada. Torço para que Ruth tenha forças para fazer sua vida mais feliz e torço por você também, porque mudar a vida depende de cada um de nós.

Por Maria Silvia Orlovas

Psicossomática III: O Inconsciente - Parte III



As doenças e seus sintomas são expressões do inconsciente, assim como os sonhos. Por isso é importante resolvermos os conflitos internos para impedirmos que o inconsciente se comunique através da linguagem do corpo. Mas como entender essa parte da mente tão misteriosa? O inconsciente não é lógico, mas primitivo e antigo. Sendo assim, ele não se exprime em palavras racionais ou pensamentos realistas e, sim, através de imagens, fantasias e, principalmente, sensações físicas.
No inconsciente, ficam os conteúdos que alteram e influenciam o comportamento, tudo que é considerado agressivo à consciência. Pode-se dizer que o inconsciente é semelhante a um porão, onde se guarda tudo que não queremos ver e onde há bem mais coisas que imaginamos.

Cada vez que acontece algo que nos magoa profundamente, como decepções, traições, perdas, estas vão aos poucos se somando e acumulando, transformando-se em ressentimentos, mágoas, frustrações, que podemos negar conscientemente, mas tudo fica registrado em nosso inconsciente.

Geralmente quando acontece algo, nossa mente busca mecanismos de defesa para evitar a dor, e os mais comuns são a negação e a repressão; assim, negamos o que sentimos, ou reprimimos. Tais lembranças são reprimidas no inconsciente como forma de defesa e censura interna. Nossa mente recorre ainda a outro mecanismo de defesa, a conversão, onde os conflitos emocionais são convertidos em sintomas físicos.
Mas conforme outras situações acontecem trazendo mais dor e não conseguindo se expressar nem ser compreendida pelo consciente, elas não somem simplesmente, mas são guardadas em nosso inconsciente; onde vaão se somando às anteriores até um momento que a mente não suporta mais e busca um canal de expressão: o corpo. Isso é a somatização.

Os conflitos vão sendo somados até conseguirem se expressar. É importante entender que não são os traumas que nos tornam doentes, mas sim a incapacidade de expressá-los, por isso se torna tão importante identificarmos nossos sentimentos e conseguirmos expressá-los, ao menos para nós mesmos. Porém, como nem sempre identificamos ou expressamos nossos sentimentos quando ocorrem, sendo muitas vezes originados durante nossa infância, a doença surge para nos mostrar que é preciso identificar algum conflito que ficou do passado. Mesmo que um sentimento seja inaceitável por parte de seu ser consciente, alerta, racional, isso não quer dizer que tal sentimento deixe de existir, mas será reprimido no inconsciente de maneira automática.
Por exemplo, você se encontra numa situação que o faça sentir raiva. Esta raiva pode ser inaceitável por parte de seu consciente, mas sem a consciência desse sentimento, você a reprime. Conforme reprimimos aquilo que nos afeta, a tensão vai sendo acumulada até que consiga uma maneira de ser extravasada. Para aliviar essa tensão imposta pelos conflitos reprimidos, o inconsciente pode se expressar por meio da linguagem fisiológica. Assim sendo, o inconsciente expressa através do corpo aquilo que nossa psique não conseguiu elaborar. É quando se torna importante a psicoterapia.

Uma das finalidades da psicoterapia é a de tornar consciente aquilo que tenha sido anteriormente inconsciente, visando a solução das dificuldades com a mente consciente e racional. Quando há um maior entendimento das causas dos sintomas em nosso corpo, entendendo esse processo inconsciente e, principalmente, o que ele tenta nos mostrar através dos sintomas, com maior facilidade poderemos encontrar a cura.

Caso esteja tendo sintomas recorrentes ou não, procure um profissional com especialização em Psicossomática, que poderá orientá-lo como entender melhor essa linguagem do inconsciente que expressa as emoções em nosso corpo.
A aceitação e a elaboração de todo esse processo que muitas vezes nos é mostrado através dos sintomas, conduz-nos ao caminho da cura, do equilíbrio, que nada mais é que a busca de si mesmo, o self, termo usado na terminologia de Jung.

Muitas pessoas resistem a esse encontro consigo mesmo, preferindo recorrer apenas ao uso de remédios, o que muitas vezes são apenas paliativos que não eliminam a causa.
O objetivo com a psicoterapia e o confronto com os próprios sentimentos não é criar uma ferida, pois, na verdade, a ferida já está lá. Ela não surge no momento em que é identificada, somente se torna mais consciente.
É através desse passo de coragem, confrontando aquilo que está dentro de você é que se poderá obter a possibilidade de cura. Fique atento à sua linguagem corporal. O que seu inconsciente pode estar querendo lhe dizer?
Por Rosemeire Zago

Psicossomática II: O sintoma como expressão da alma - Parte II



Psicossomática II: O sintoma como expressão da alma

O melhor remédio para o homem é o homem.
O mais alto grau da cura é o amor.
Paracelso


Quando ficamos parados, estagnados, acomodados, muitas vezes recebemos sinais através de nosso corpo que é preciso fazer algo. Os sintomas, assim como as doenças, geralmente nos trazem uma mensagem que é preciso olhar para dentro de nós mesmos e perceber onde paramos, onde deixamos de crescer. Adoecemos quando nos desviamos da essência, da busca, quando deixamos essencialmente de trocar. Quando não há troca, se morre. Já percebeu que quando duas pessoas envolvidas emocionalmente param de trocar, o relacionamento adoece ou acaba? O mesmo acontece conosco. Se há estagnação, não há evolução e surge a doença. O sintoma é uma denúncia que não está tendo troca em alguma área da vida. Quando há um sintoma e/ou doença é importante questionar onde parou de evoluir, trocar. Nossa sociedade não busca a troca, mas o acúmulo. Quando não há troca, evolução, há estagnação, doença, morte. Vida é evoluir, trocar. Observe sua vida e responda a si mesmo: Em que aspecto de minha vida não há mais troca? Há seis instâncias humanas que refletem como estamos agindo diante da vida, elas são:
- físico
- sentimental/emocional
- espiritual
- profissional
- familiar
- social

Em que área de sua vida não tem havido troca e crescimento? Será que está dando mais atenção a uma área para fugir de outra que se encontra em conflito? Por exemplo, é muito comum uma pessoa trabalhar em excesso, saindo cedo e chegando tarde em casa, evitando confrontar com as dificuldades que existem no ambiente familiar, ou até, se sobrecarregar, ter muitos compromissos, evitando pensar e entrar em contato com os próprios sentimentos. Pode também acontecer de haver um conflito familiar que se reflete na relação afetiva. Ou ainda, um conflito interno, pessoal e que se reflete em alguma área. Ou seja, quando há um conflito, ainda que não seja percebido ou vivenciado de maneira consciente e negamos, esse conflito pode se refletir em nosso físico, pois nosso inconsciente sabe muito bem tudo que sentimos.

O meio de expressão do corpo é a linguagem simbólica, apesar de que muitos jamais cheguem a compreender o que lhes diz o próprio corpo. E os sintomas são expressões simbólicas que, de forma violenta, violam e denunciam conflitos não resolvidos da alma, mas muitas pessoas preferem tomar um comprimido a ter que se confrontar e aprofundar na busca das causas de seus conflitos. Escolhem terceirizar a responsabilidade da cura para o médico, os remédios, sem perceber que a capacidade de cura está dentro delas mesmas. Mas quando um sintoma se manifesta no corpo, chama atenção e interrompe muitas vezes a continuidade do caminho que estávamos até então percorrendo, muitas vezes como um sinal de advertência, indicando que alguma coisa não está em ordem, não está havendo harmonia em alguma área de sua vida, ou ainda, como reflexo de todo um histórico.

O sintoma nos avisa que estamos doentes e que o equilíbrio de nossas forças interiores está comprometido. É quando devemos desviar o olhar do sintoma e examinar tudo com mais profundidade, a fim de compreender para que o sintoma está apontando. O sintoma nos informa que está faltando alguma coisa. Isso nos leva a perguntar: O que está faltando? Ou, estou no caminho certo?

Como disse o escritor Peter Altenberg: A doença é o grito de uma alma agredida. Ao surgir uma doença, observe seus sintomas e pense onde sua alma foi agredida, e porque permitiu que isso acontecesse. Analise com precisão em que momento surgiu o problema. Tente lembrar-se de sua situação de vida, seus pensamentos, sonhos, dos acontecimentos e das notícias que recebeu, pois tudo isso pode ter contribuído para o surgimento do sintoma. O ponto exato no tempo em que o sintoma se manifesta pode nos dar informações importantes. Um sintoma geralmente tem mais do que um significado e serve para simbolizar diversos processos inconscientes. Raramente há uma única causa para resultar num sintoma.

Na verdade, quando ficamos parados, adoecemos porque existe algo mais forte, a nossa essência, o self, nosso verdadeiro eu, que nos impulsiona para o crescimento, é quando o inconsciente começa a exigir uma evolução da vida. Enquanto houver a negação do conflito, ele buscará uma forma de se manifestar com o intuito de ser confrontado e elaborado, surgindo os sintomas físicos e psíquicos. Os sintomas são partes da sombra da nossa consciência que se precipitaram em forma física. É no sintoma que se manifesta aquilo que nos faz falta. Ou seja, as doenças e seus sintomas são sinais de alarme de nossa psique nos avisando que há algo muito mais profundo pedindo atenção, e cabe a cada um de nós entendermos a linguagem do próprio corpo. Lembre-se: a doença é um ato criativo da alma buscando a vida, ou o amor. Pense nisso!


Por Rosemeire Zago

Psicossomática I: A relação entre corpo e psique - Parte I

"Não é um corpo, não é uma alma, é um homem" Montaigne

Você já teve uma dor de garganta ou ficou rouco logo depois de uma situação a qual você foi insultado, humilhado e nada conseguiu responder? Quantas vezes queremos responder a uma crítica, um comentário, um insulto, mas nos calamos para evitar maiores conseqüências ou por não conseguirmos responder? Ou ainda, você já teve dor de estômago, gastrite, úlcera, e ouviu dizer que era por tantos sapos que havia engolido? O "sapo", no caso, foram os desaforos ouvidos e engolidos. Quantas vezes você quis vomitar uma situação? Analise você mesmo como suas emoções causam mudanças imediatas em seu físico. Lembre-se da vez em que ficou tão nervoso que teve uma diarréia. Ou ainda, quando ficou muito tenso e sentiu dor de cabeça. E quando ficou com uma alergia horrível durante anos e ninguém descobria a causa? Com um pouco de autoconhecimento podemos perceber que nosso corpo reflete nossas emoções, principalmente aquelas que reprimimos.

Existe uma área da medicina, a Psicossomática, a qual estuda as relações mente-corpo, a influência dos fatores psíquicos nos distúrbios físicos, e que profissionais da área da medicina e psicologia recorrem para entender a origem de determinadas doenças, as quais não estão incluídas as hereditárias, genéticas e as causadas por fatores do meio ambiente, porém, os danos podem ser aumentados em decorrência da tensão psíquica, onde o estado emocional freqüentemente pode determinar o curso da doença. Mas ainda há, infelizmente, muitos profissionais da área da saúde, que buscam entender apenas a doença e não a pessoa como um todo, desprezando completamente o ser humano em sua totalidade, recorrendo a paliativos que distanciam ainda mais o encontro da causa e dificultando ainda mais a remissão da doença. Muitas vezes, a própria pessoa prefere um medicamento em substituição a uma psicoterapia ou outro recurso que a ajude a trabalhar sua psique. A medicação é considerada por muitos como a melhor solução, talvez a mais fácil, e a maioria das pessoas quer soluções rápidas e mágicas. É evidente que em muitos casos a medicação se torna imprescindível, mas é preciso entender que nem sempre elimina a causa, sendo apenas um paliativo que alivia os sintomas. É importante observar se, por trás do mal físico que o aflige, há questões psicológicas sobre as quais se pode interferir.

Mas o que faz realmente com que adoeçamos? Reprimir sentimentos é uma das causas mais significativas para a causa dos males no corpo, ou seja, as doenças surgem e se agravam por causa da dificuldade das pessoas expressarem seus sentimentos, sendo muito mais suscetíveis a manifestarem no corpo o que não estão conseguindo resolver na psique. O fator que leva ao surgimento de sintomas somáticos ou ao agravamento de doenças é a queda na imunidade, pois as emoções atingem primeiramente o sistema imunológico. É comum quando se está enfrentando um conflito, a pessoa ficar com gripe ou surgir um herpes, que surgem quando a imunidade abaixa. Ou seja, qualquer distúrbio orgânico tem ligação com estados emocionais, conscientes ou inconscientes, recentes ou não.

Quantas vezes pensamos ter resolvido um problema que nos aflige, quando na verdade, apenas o deixamos de lado, deixando guardados em nosso coração, mágoas, ressentimentos, raiva, frustrações, que ao longo dos anos vão se somando? Não é o fato de não falarmos ou pensarmos sobre algo que nos machucou que isso quer dizer que não machuca mais, pode simplesmente ter sido reprimido em nosso inconsciente, e mesmo não pensando sobre ele conscientemente, nosso inconsciente continua a atuar.

O corpo é como uma tela onde as emoções são projetadas. E as emoções negativas são projetadas em forma de doenças. Essas somatizações acontecem a curto ou longo prazo, onde cada mente e corpo reage de acordo com seu próprio tempo, e todos os sentimentos negativos que vamos reprimindo podem dar origem as doenças se guardados por muito tempo. Por isso, devemos resolver as questões que nos aflige, aborrece, evitando assim que nosso inconsciente se comunique através da linguagem do corpo, pois é fato que o fator psíquico predomina, constituindo a origem de quase todas, senão todas, as doenças adquiridas ao longo da vida.


Por Rosemeire Zago